quarta-feira, 8 de junho de 2011

O significado teológico da Ascensão do Senhor

Façamos antes de tudo duas observações: (1) Jesus ressuscitado tem uma vida divina, o Espírito Santo que ele recebeu do Pai na ressurreição e, agora, impregna toda a sua natureza humana, corpo e alma. Ora, esta vida divina do Ressuscitado é a força criadora e sustentadora de todo o tempo: Jesus entrou, pela ressurreição e imediatamente após a ressurreição, no princípio dos tempos, acima de todos os tempos, trazendo em seu presente todos os tempos. Sendo a vida divina o suporte de todo o tempo e seu eterno presente, o Cristo ressuscitado não somente pode interferir no tempo, mas também manifestar-se nele progressivamente pelas aparições, ascensão e pentecostes. (2) O «céu» ao qual se alude na ascensão não é um lugar físico, mas a própria vida na comunhão trinitária: é o âmbito do Deus Uno e Trino, o estar do Filho com o Pai no Espírito Santo, numa comunhão plena e inenarrável de vida e amor, de plenitude e glória.
Biblicamente os dados sobre a ascensão são variados e complexos: (a) Mateus não fala dela porque deseja sublinhar a presença contínua de Jesus entre os seus discípulos: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!" (Mt 28,20). (b) Para Marcos a ascensão, apresentada logo depois do colóquio com os discípulos no Cenáculo, é vista como o ingresso definitivo de Jesus, também com a sua humanidade, na onipotência divina (cf. Mc 16,19). O «sentar-se à direita» indica a participação de Cristo, também com sua natureza humana, na potência real de Deus. Já São João Damasceno notava que a Direita do Pai não é um lugar, mas imagem da sua potência criadora. O “sentar-se à direita” significa, em última análise, que Cristo entrou, também com a sua natureza humana, na potência onicompreensiva de Deus. (c) Lucas, por sua vez, coloca a ascensão na mesma tarde da ressurreição (cf. Lc 24,13.19). (d) Em João, esta acontece na manhã mesma da ressurreição (cf. Jo 20,17). (e) É para os Atos dos Apóstolos – cujo autor é também Lucas - que a ascensão ocorre somente quarenta dias após a páscoa (cf. At 1,2s) e com uma descrição muito diferente da do Terceiro evangelho (cf. At 1,9-11)! Uma coisa é certa: no pensamento do Novo Testamento, a ascensão deve ser colocada em relação com a ressurreição, tratando-se, portanto, de um evento que sublinha a glorificação celeste de Cristo. Esta é a sua primeira especificidade em relação à ressurreição. Ao afirmarmos a ressurreição, queremos dizer que Cristo foi vivificado, que venceu a morte, que o Pai não o abandonou e glorificou sua humanidade. Ao proclamarmos a ascensão, dizemos que este Cristo está com o Pai, imerso na sua glória e participando do seu senhorio sobre todos os tempos e toda a criação.
A diversidade temporal entre ressurreição e ascensão, apresentada nos textos do Novo Testamento (um espaço de quarenta dias nos Atos, enquanto no próprio Evangelho do mesmo Lucas, ela é colocada no mesmo dia da ressurreição – cf. 24,50s!) não é importante e deve-se à diferença tempo-eternidade. Cristo, ressuscitado e subido ao céu no mesmo dia da Páscoa, não cessou, por algum tempo, de dar instruções aos seus discípulos (cf. At 1,2) – é isto que os textos bíblicos querem dizer. Note-se que o evento enquanto tal é real e possui um significado próprio; em outras palavras: a ascensão não é um mito; é uma realidade e um mistério de fé bem concreto. O modo como ela é narrada nos Atos é que tem um forte tom alegórico para exprimir uma realidade que nos ultrapassa totalmente! Logo Lucas, tão preocupado com a dimensão histórica (cf. Lc 1,1-4), propositalmente apresenta a ascensão de dois modos tão diversos (no Evangelho e nos Atos) exatamente para chamar atenção para a finalidade teológica de sua apresentação: a ressurreição não significa que a história humana tenha chegado ao seu termo e que o retorno de Jesus seja imediato. Lucas deseja mostrar que, a partir da Páscoa, Deus concede à Igreja espaço e tempo para desenvolver-se além de Jerusalém, da Judéia e da Samaria, até os confins da terra (cf. At 1,18). Assim, a ascensão não pode ser pensada como uma viagem espácio-temporal de um Jesus voando pelo espaço sideral, mas como entrada de Jesus-homem no âmbito do Pai, na sua glória divina. Sua humanidade, igual à nossa, agora está divinizada e entrou no âmbito de Deus uno e trino! Assim, trata-se de um caminho para o Pai, sendo um evento meta-histórico, transcendente, que se realiza no silêncio santo do mistério de Deus. É importante insistir: a ascensão não acontece na história humana; é um evento real, mas não é um evento histórico, pois ocorre no seio do Deus-Trindade! Note-se que aquele que ascende já não mais pertencia a este mundo: não é alguém deste mundo, mas o Ressuscitado – aquele que saiu do mundo na sexta-feira santa, entrando na morte, e saiu da morte, ressuscitado no domingo de páscoa, para entrar no Pai! Por isto mesmo, não se trata de um caminho visível, podendo ser narrado somente metaforicamente. Efetivamente, é o que São Lucas faz nos Atos dos Apóstolos!
Teologicamente, podemos apontar quatro significados para este evento salvífico:
1 - A ascensão como presença permanente de Cristo glorioso na Igreja. Neste sentido move-se o silêncio de Mateus: para ele a ascensão é um evento invisível aos homens, que se realizou em relação com a ressurreição. Mateus a compreende como presença contínua e misteriosa de Jesus entre os discípulos mesmo após a ressurreição: "Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, e fazei que todas as nações se tornem discípulos... E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,18-20). Assim, Mateus interpreta a vida do cristão na espera da Vinda do Senhor como uma existência em sua companhia já agora (cf. Mt 18,20): Cristo está presente também na ação apostólica da Igreja. Esta convicção está presente também nos outros textos neotestamentários: após a ascensão, são os discípulos que se tornam a manifestação da presença do Senhor no mundo. A ascensão é, portanto, um mistério de transformação íntima: até então Jesus tinha se dirigido ao mundo de modo visível; a partir de sua subida, ele encontra o mundo através dos seus discípulos; é neles que o Senhor se dirige ao mundo. A ascensão não é um perder-se de Jesus na imensidão do céu, mas sua plena imersão na Igreja, Comunidade dos seus discípulos, nos quais ele efunde o seu Espírito. Isto quer dizer que o Cristo está muito mais íntimo e interior à sua Igreja, aos seus discípulos e ao próprio mundo que antes da ressurreição!
2 - A ascensão como evento escatológico. A narrativa dos Atos sublinha este sentido: as nuvens podem evocar a parusia final, Vinda gloriosa do Senhor (cf. Lc 21,27; Ap 1,7; 14,14) em conexão com a presença e as palavras dos anjos: "Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu (At 1,11). Note-se que aqui são indicados dois importantes momentos da historiada salvação: ascensão e parusia; ambos são aspectos da mesma dignidade messiânica de Jesus - no primeiro momento (ascensão) ele entra no âmbito de Deus para tomar posse do reino escatológico, cuja potência descerá manifestamente ao mundo no Último Dia (parusia). A Igreja, novo povo de Deus vive, então, com o olhar para o céu, numa atitude de espera, de modo que a ascensão sublinha esta ânsia escatológica da Igreja e seu desejo de estar novamente com o Senhor.
3 - Ascensão como retorno ao Pai. Para João, a ascensão torna-se visível no levantamento da cruz (cf. Jo 3,14; 8,28; 12,32s): trata-se do momento do retorno de Jesus ao Pai. Assim, todo o destino de Jesus é finalizado à ascensão: sua descida pela encarnação é já endereçada à subida: "Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai" (Jo 16,28); "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13). Deste modo, a ascensão é o cumprimento da encarnação e da redenção: o Ressuscitado já subiu ao céu, já foi entronizado à Direita do Pai, atraindo seus discípulos a esta comunhão divina (cf. Jo 14,20; 17,23). Jesus, entronizado junto ao Pai, e Senhor de tudo e pólo de atração de toda a história humana e de todo o universo!
4 - A ascensão no seu aspecto cósmico e sacerdotal. Para Paulo, a ascensão leva a cumprimento um caminho cósmico de Cristo, que do mais profundo dos abismos conduziu-o à Direita de Deus: "O que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, a fim de plenificar todas as coisas" (Ef 4,10). A partir de agora, tudo, no céu e na terra, está debaixo do senhorio do Ressuscitado e tudo caminha para ele. Ele é a plenitude e a consumação de todas as coisas! Na mesma linha move-se a 1Pd 3,22: "Tendo subido ao céu está à Direita de Deus, estando-lhe sujeitos os anjos, as Dominações e as Potestades". A Epístola aos Hebreus, por sua vez, compreende este ingresso de Cristo no céu como exercício do seu sumo sacerdócio no Santuário celeste (cf. 4,14; 6,19s): "Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus em nosso favor" (9,24). Isto é, Aquele que entrou na plenitude da glória é o nosso eterno Salvador e Intercessor. É a mesma idéia do Apocalipse, ao falar do Cordeiro de pé como que imolado (cf. 5,4), isto é, o Cristo ressuscitado e glorificado diante do Trono do Pai, num esterno estado de imolação-intercessão por toda a humanidade.
Concluindo, a ascensão é o retorno vitorioso de Cristo ao Pai: é o «dia no qual o Cristo vitorioso subiu ao Pai», sendo constituído Senhor dos homens e do universo. Esta partida, contudo, não significa distanciamento dos seus discípulos nem ausência de sua Igreja: ele não só está conosco até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20), mas também está «em nós» e nós «nele», para sempre (cf. Jo 14,20; 17,23). Em certo sentido, a subtração do seu ser junto a nós visivelmente é o que torna possível o seu ser «em nós» - e isto é a participação no seu Espírito (cf. Jo 16,7), de modo que a ascensão é premissa para o dom do Espírito: "É do vosso interesse que eu parta, pois se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se eu for, enviá-lo-ei a vós" (Jo 16,7).







Fonte: costa_hs.blog.uol.com.br

terça-feira, 7 de junho de 2011

Diretor de Imprensa do Vaticano fala sobre viagem do Papa à Croácia

Na Croácia, onde o Papa Bento XVI lançou um apelo em defesa da vida, desde a concepção, e da família, fundada no matrimônio, “o Papa foi acolhido de modo extraordinário, seja pelas autoridades, como pela população. Bento XVI está muito grato por isso”. Foi o que disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, para quem “é muito bonita esta interação partícipe, um diálogo sério sobre temas que lhe são tão queridos”.

Em entrevista à Rádio Vaticano, padre Lombardi destacou como as personalidades do mundo acadêmico, que se encontraram com o Santo Padre no sábado, receberam bem a reflexão sobre a identificação entre a cultura cristã e a história croata. E afirmou estar “muito surpreso pelo fato que o encontro com os jovens na praça principal da capital tenha sido tão espontâneo, com palavras e cantos, mas também com a adoração silenciosa da Eucaristia”.

“O Papa ficou muito impressionado com o clima de oração e o silêncio; inclusive, quando deixou a praça, alguns jovens ainda estavam ajoelhados no chão, concentrados”, revelou.

“Zagreb é uma grande cidade secular; é difícil imaginar uma Adoração Eucarística no centro de sua praça mais movimentada. Daí pode-se ver que embora seja um país moderno, que vive os desafios da secularização como todos os outros países europeus, a profunda identidade cristã e católica é ainda sentida como muito real e concreta”.

Fonte: noticias.cancaonova.com

Seminaristas na cidade histórica de São Cristóvão

No dia 27 de maio de 2011, nós seminaristas, juntamente com o reitor, Pe. José Horácio e o prof. Emérito José Araújo, que leciona as matérias de Introdução ao Latim e Introdução ao Italiano na Instituição, fomos ao município de São Cristóvão, onde, fomos recepcionados na Paróquia Nossa Senhora da Vitória pelo Pároco Primaz, o Pe. Valdson Santos Azevedo. Ao chegarmos demos início ao estudo, mas mais que um momento de estudo, também foi um momento para nos descontrairmos.
Pela manhã visitamos a Matriz da cidade e suas instalações, depois fomos ao Museu de Arte Sacra de Sergipe, onde, junto ao guia, vimos à beleza dos objetos litúrgicos usados nos séculos XVII, XVIII e XIX. Depois, passamos para o Convento Santa Cruz, mais conhecido como Convento de São Francisco, onde ficamos maravilhados com a sua beleza arquitetônica. Para encerrarmos a primeira parte da visita, fomos ao Museu Histórico de Sergipe.
A segunda parte iniciou-se no Convento Carmelita, onde o Frei Sormani, prior da casa, nos mostrou todo o convento e a Igreja do Carmo Maior e a Igreja do Carmo Menor.
Depois da visita, o Pe. Horácio agradeceu ao Pe. Valdson por todo o apoio que nos foi dado durante todo esse dia.



Por Seminarista Lucas Rafael

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Instituídos









No ultimo dia 27 de maio, os propedêutas do Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus estiveram reunidos em comunhão com o Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição. Lá, em torno da Mesa da Palavra e da Eucaristia, juntamente a padres e seminaristas da Arquidiocese e da Diocese de Propriá, unidos ao seu pastor maior, o Arcebispo Dom José Palmeira Lessa, participaram da cerimônia de instituição dos ministérios de Acolitato e Leitorato de alguns seminaristas do Seminário Maior.
Os seminaristas instituídos ao ministério de leitorato, a partir de então, tornam-se leitores oficiais da Igreja, com o intuito de auxiliar na Liturgia da Palavra, primeira manifestação de Deus ao povo durante a celebração do Sacrifício da Missa.
Quanto aos seminaristas que foram instituídos ao ministério de acolitato, uma vez acólito instituído, ele passa a ser ministro extraordinário na eucaristia de modo mais permanente, como também auxilia o sacerdote ou diácono no altar.
Mais que a ida ao Seminário Maior ou encontro com “velhos” amigos, a ida dos propedêutas teve uma ótica formativa que foi presenciar seminaristas como eles sendo admitidos e instituídos aos ministérios que decorre ao tão almejado Ministério Sacerdotal.








Por Seminarista Jhon Lennon

quarta-feira, 1 de junho de 2011

BENTO XVI VAI À CROÁCIA

Apresentará família como ambiente de encontro e comunhão

(ZENIT.org) – Bento XVI realizará a 19ª viagem do seu pontificado, dessa vez à Croácia, nos dias 4 e 5 de junho, para tratar do avanço do secularismo, presente neste antigo país comunista.
Para isso, segundo explica o porta-voz da Santa Sé, o Santo Padre pretende apresentar a família como o ambiente de encontro e comunhão que toda pessoa busca, também na época do Facebook.
O Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, analisa, no último editorial de Octava Dies, o objetivo da visita ao país em que Joseph Ratzinger já havia estado três vezes como cardeal.
Como recorda o porta-voz, trata-se de um país “de profundas raízes cristãs e católicas, protegidas com fidelidade em tempos difíceis, presentes especialmente no século passado; fidelidade mais que retribuída, com sincera proximidade e solidariedade, pela Santa Sé”.

E continua: “A Croácia vive agora o desafio do secularismo: a família e a juventude são campos cruciais para enfrentá-lo. Por isso, momentos centrais da viagem são precisamente a participação do Papa no primeiro encontro com as famílias católicas croatas e o encontro com os jovens, realizado cada dois anos.



Por este motivo, escolheu-se como lema da visita “Juntos em Cristo”.
“Em um mundo no qual as formas de comunicação se multiplicam e invadem a vida, o encontro e a comunhão entre as pessoas parecem cada vez mais difíceis”, explica o Pe. Lombardi.
“A Igreja se apoia em Cristo para sustentar a união e a missão da família e para alimentar a esperança de futuro da juventude. Desse modo, a Igreja serve a comunidade humana, a comunidade nacional, que agora, superada a fase agitada da dissolução da ex-Iugoslávia, prepara-se para fazer parte mais profundamente da comunidade dos povos europeus, entrando na União Europeia”, esclarece o porta-voz.

O Papa deseja que a Croácia entre na União Europeia, acrescenta Lombardi, “oferecendo a riqueza da cultura e dos valores da grande tradição do povo croata”.
E conclui: “Junto a Cristo, com o Papa, podemos olhar para o futuro com confiança e coragem”.















Confira as Intenções de Oração do Papa para o mês de junho

As intenções de oração do Papa Bento XVI para o mês de junho centram-se na intercessão pelos sacerdotes e no despertar de vocações.

Como intenção geral, o Santo Padre pede "para que os sacerdotes, unidos ao Coração de Cristo, sejam sempre verdadeiras testemunhas do amor atento e misericordioso de Deus". Na intenção missionária, Bento XVI reza "para que o Espírito Santo faça surgir em nossas comunidades numerosas vocações missionárias, dispostas a consagrar-se plenamente à difusão do Reino de Deus".

Todos os meses, o Pontífice confia suas intenções ao Apostolado da Oração, uma iniciativa que é seguida por milhões de pessoas em todo mundo.

Fonte: Canção Nova

Jovens são os que mais consomem álcool no país, diz secretária nacional de Políticas sobre Drogas

Jovens entre 18 e 24 anos são os que mais consomem álcool no país. De acordo com a secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Paulina Duarte, 9% dessa população bebem mais de cinco doses de álcool em menos de duas horas. Desses, 15% consomem bebidas alcoólicas mais de uma vez por semana.
"Nosso grande problema é o exército de jovens entre 18 e 24 anos que bebe desbragadamente. [Esses jovens] Têm uma intensidade de consumo muito alto", afirmou hoje (31) a secretária, durante audiência pública na Comissão Especial sobre Bebidas Alcoólicas da Câmara dos Deputados.
Segundo Paulina Duarte, 52% dos jovens que consomem álcool com frequência apresentam problemas de saúde, psicológicos e familiares. Desse total, 38% têm problemas físicos, 18% têm problemas familiares e 23% relataram que já se envolveram, pelo menos uma vez, em uma situação de violência. "Essa é a população mais vulnerável no Brasil em relação ao álcool."
Entre os universitários, o consumo é mais intenso. Nos últimos 12 meses, 76% dos estudantes de ensino superior consumiram bebidas alcoólicas e, nos últimos 30 dias, esse percentual chega a 60%. "A dependência do álcool é uma doença crônica e progressiva, 3% dos jovens estão em altíssimo risco de se tornarem dependentes químicos", disse a secretária.
Estudos feitos pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) têm apontado que o início do consumo no Brasil tem ocorrido entre os 11 e 13 anos de idade. "Lamentavelmente, grande parte da população informa que teve o primeiro contato com o álcool dentro de casa", afirmou Paulina Duarte.
Nas escolas públicas e particulares das 27 capitais brasileiras, 42% dos alunos dos ensinos fundamental e médio consumiram bebidas alcoólicas no último ano. "Isso é muito grave. Quase a metade dos estudantes do país [já tomou bebida alcóolica]".
Para a secretária de Políticas sobre Drogas, a adoção de medidas isoladas não diminui o impacto do consumo de álcool entre a população. "Temos trabalhado, no Brasil, na implantação da política nacional sobre álcool, que prevê modificação da legislação, como já fizemos com a Lei Seca, além do aumento do custo da bebida, da fiscalização e da educação [da sociedade]."
De acordo com o especialista em dependência química, Walter Coutinho, existem 22 milhões de dependentes de álcool no país. Para ele, é necessário investir primeiro na desintoxicação do paciente, para, depois, vir a ajudá-lo psicologicamente.
"O problema dele não é parar de beber, mas a decisão de não voltar a beber. Isso o governo não tem condições de fornecer de maneira alguma. Existem apenas 186 Caps [Centros de Atenção Psicossocial] para esses 22 milhões de pessoas".




Fonte: www1.folha.uol.com.br
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