segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A AUSTERIDADE COMO PROPÓSITO DE VIDA


Que exemplo melhor do que o Batista podemos tomar para falar da austeridade? João, que desde o seu nascimento sabia que deveria aplainar os caminhos do Senhor, foi viver no deserto. Muito mais do que um deserto material, João habitava o deserto da austeridade.

Ser austero é um desafio. A austeridade é uma virtude que devemos buscar viver todos os dias, neste modelo de vida formativa à qual escolhemos. Entretanto, como é possível viver este propósito em nossos tempos? Diariamente somos enxertados de valores e princípios que não podem ser associados à modéstia e à prudência que nos são necessárias para viver a fundo o princípio austero.

Portanto, todas as vezes que buscarmos ter a austeridade como o modelo de nossas vidas, lembremo-nos do exemplo de João, da urgente e necessária mortificação dos sentidos, da simplicidade no agir e no falar, da fundamental e imprescindível disciplina, do cuidado no vestir, pois isto pode até afetar a nossa castidade etc.

Autocontrole é fundamental para aquele que busca ser austero. Travemos, então, uma luta diária contra aquilo que a sociedade secular nos impõe, para, por meio dos exemplos já citados, podermos também entrar no mesmo deserto que João. Somente nesta austeridade, no deserto de mortificação, de obediência e de renuncia, poderemos verdadeiramente estar abertos à Palavra do Senhor. E, por fim, poderemos com firmeza na fé e na oração, responder-Lhe e deixar ser conduzidos por sua mão poderosa, para viver segundo o que o Filho disse, agindo cheios do Espírito Santo. Amém.
                

P.S: Redigido pelo Sem. Ediney de Oliveira Junior

domingo, 19 de agosto de 2012

O Olhar para a Fraternidade


Quando entramos no mundo eclesial, especificamente viver em comunidade, seja ela nos seminários, das novas comunidades, em qualquer lugar onde deparamos para a convivência com as pessoas, ficamos estupefatos por duas realidades: o “individualismo” e a chamada “Fraternidade”.

Vivendo em uma sociedade que a cada dia busca o capitalismo ferrenho, o prazer pelo prazer e em um mundo secularizado é inevitável não está impregnado pelo individualismo que permeia as relações. Deparamo-nos por uma realidade onde o nosso mundo que criamos é o melhor, nossas opiniões que estão certas e não temos a sensibilidade de perceber que em tudo, estamos interagindo com as pessoas.

Ao vivermos em comunidade essa realidade será conturbada, ao perceber que o mundo não gira em torno de você, começa a crise do individualismo. Perceber que você será mais um na comunidade é chato! Mas não é o fim do mundo. Porém saber que um todo será mais forte e necessário inicia-se a Formação da Fraternidade.

Na comunidade o que importa não é você, mas sim seus irmãos, o individualismo fica de lado, enquanto o senso comum tem o compromisso de agir, colocar-se no lugar do outro, preocupar-se com o outro. O grupo só encontrará a fraternidade quando todos tiverem a ousadia de trazer para si o senso de pertença da comunidade e paralelamente viver os sermões que São Paulo fazia nas comunidades onde passava.

A Fraternidade é possível! Basta caminhar rumo a ela, saber que é a comunidade que agora, estará intrínseca a você, é com ela que você erra e acerta, é com ela que vamos buscar a santidade nas nossas ações, nos projetos e no nosso ser. Ela que nos ajuda a reconhecer quem somos de verdade!

Somos irmãos! Somos Fraternos! Basta querer e saber agir! Desta forma a alteridade chegará e viveremos melhores e mais perto do Reino de Deus.

P.S- Redigido pelo Seminarista Propedeuta Bruno Marques Pinheiro

sábado, 18 de agosto de 2012

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

                                    
A vós irmãos graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!

    Diz-nos a Antífona da Entrada da Missa do Dia: ``Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando este dia festivo em honra da Virgem Maria: os Anjos se alegram pela sua Assunção e dão glória ao Filho de Deus.``

       Recorda-nos a Igreja no dia quinze de agosto (no Brasil com licença da Sé Apostólica no Domingo mais próximo) a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, assunta aos céus, à direita do Unigênito. Coroada tal qual Rainha do céu e da Terra! ‘’A ``Dormitio Virginis`` e a Assunção, no Oriente e no Ocidente, estão entre as mais antigas festas marianas. Este antigo testemunho litúrgico foi explicitado e solenemente proclamado pela definição dogmática do Papa Pio XII em 1950.’’ (cf. Missal Romano)

          Eis cristãos diletos que a hodierna Solenidade da Virgem Maria, no que tange a piedade popular, é conhecida por uma gama de epítetos dentre os quais destacamos: Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Boa Hora, Nossa Senhora Imperatriz dos Campos etc. Tais nos remetem ligeiramente a uma precisão única, consoante o magistério da Igreja: ‘’A Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha de culpa original, terminando o curso de sua vida terrestre, foi exaltada em corpo e alma à glória celeste e pelo Senhor exaltada qual Rainha do universo, para que mais plenamente estivesse conforme o seu Filho , Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte’’ (LG 59).

     Celebrarmos Maria assunta aos céus, entendamos bem: é, de fato, conduzidos pelas virtudes teologais do Santo Batismo, a fé e a esperança, que a Igreja peregrina, após as vicissitudes do ‘’Kronos” associada ao “Kairós’’ ,participará do mesmíssimo gáudio e plenitude da qual a Santa Mãe de Deus, conforme reza a Liturgia, no prefácio, `` é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho.``  Contemplamos a imagem de Maria Santíssima e logo, em nossos corações, desponta a mulher toda bendita que soube experimentar na sua existência o Plano da Economia da salvação para a humanidade que toda ficara sujeita à morte segunda após a primeira queda dos primeiros pais nossos. Com o nó da desobediência da mulher Eva; a obediência da Mulher Maria desata-o, o homem conheceu uma nova criação. O Proto-Evangelho do Gênesis atesta: ‘’ Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.’’ (cf. Gn 3, 15)

    Maria, à destra do Redentor, vela incansavelmente por toda a Igreja em caminho. Diz-nos o Apóstolo Paulo, na segunda leitura da Missa do Dia: ‘’Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.`` Quão caras e notabilíssimas são deveras essas afirmações. Reparemo-las e meditemo-las quanto a sua revelação e outrossim a escatologia da mesma. Nosso Senhor crucificado-ressuscitado é a certeza da nossa paz derradeira e definitiva e dá-nos esta certeza a Virgem Santíssima. Apraz-nos destacar o que diz o evangelista São Lucas: ‘’Quanto a Maria guardava todos aqueles fatos e meditava-os em seu coração’’.

   Maria triunfante aos céus, após participar intimamente dos mistérios da salvação, desde à Encarnação ao Pentecostes, como a plenitude do Mistério Pascal, goza do galardão dos filhos de Abraão, por motivo tão excelso, nós também, como coerdeiros de Cristo, filhos no Filho de Deus, receberemos. Festejar esta solenidade faz-nos pensar que toda a vida de Maria Santíssima sempre fora uma atualização daquele ‘’Fiat`` que desdobra-se até ao auge da cruz do Senhor. Debaixo da ara da salvação permanece àquela que, em seio puríssimo, gestou o Salvador do Gênero Humano! Vejamos caros irmãos. Nós, que pelo Batismo,  como no-lo diz o Apóstolo, ‘’pertencemos a Cristo por ocasião de sua vinda,’’ receberemos a recompensa dos eleitos, das virgens prudentes, que, quando da chegada do Noivo estavam com as lâmpadas acesas.

  Oxalá contemplando a Mãe de Deus, Nossa Senhora da Assunção, permaneçamos com os nossos corações voltados para o Divino Redentor, pois cumprindo com a vontade de Deus, cuja máxima é o amor-oblativo, participemos da glória de Maria e como ela e com ela cantemos o eterno Magnificat. Assim seja!



   

    








sábado, 11 de agosto de 2012

XIX Domingo do Tempo Comum-


''É este o pão vivo, descido do céus, para que todo aquele que dele comer não morra para sempre.'' (II Vésperas; Cântico Evangélico)
                                         .Foto: ''É este o pão vivo, descido do céus, para que todo aquele que dele comer não morra para sempre.'' (II Vésperas; Cântico Evangélico, ant.)
     Peregrinando no vale de lágrimas da existência, a Igreja, nossa Mãe, e Senhora do Cordeiro Imaculado, recorda, atualiza, faz-se presente todos os domingos ininterruptamente, a Páscoa do Filho de Deus. 
    Na Sapientíssima Palavra de Deus, nos ritos, nos sacramentais, nós, cristãos batizados, ainda que com nossos sentidos, mas, sobretudo, com a fé batismal dispensada  quando do dia em que fomos enxertados no Mistério Pascal do Adão obedientíssimo na fonte do Batismo e, consoante as Sagradas Letras, ''até a morte e morte de cruz.'' É na Liturgia, na epíclese do Espírito Santo que celebramos o mistério central da fé trinitária. A Sagrada Eucaristia. 
  Na via à Páscoa Eterna, celebramos hoje o XIXº Domingo do Tempo Ordinário, depois de Pentecostes. A Liturgia nos apresenta a continuação do sermão solene de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Após saciar as multidões, com a multiplicação dos pães, prefiguração da abundância da Eucaristia, décimo sétimo domingo, Jesus censura as multidões, por não procurá-lo, mediante os sinais, ''mas porque comeram e ficaram satisfeitos.'' Isto no décimo oitavo domingo comum. Como se o Dileto de Deus Santíssimo fosse um taumaturgo, ou ainda, numa linguagem hodierna, um super-homem, um Jesus comerciário, ou quem sabe, até, uma artista, e até mesmo um assistente social, um filantrópico. Não! Nunca, jamais.
  Jesus é Deus sempiterno, encarnado em o seio puríssimo de Maria, sempre virgem, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, cuja existência, permeada pelos sinais, milagres, convergem à hora da cruz, como no-lo exclama o Apóstolo: ''Jesus Cristo existindo em condição divina não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se, fazendo-se aos homens semelhantes.'' Eis aí, irmãos caríssimos, Nosso Senhor, cujos benefícios de sua ''Kénosis'' somos partícipes e fruto.
    A Escritura nos apresenta a figura de Elias, o grande profeta. Acabrunhado peregrinara até o Horeb, o Monte de Adonai. Desfalecido caminhara o homem de Deus. Elias que combatera a idolatria, o culto a Baal, contudo se  encontara desfalecido. Olhamos para o profeta, e olhamos para nós mesmos, em nossa existência. Quais as nossas lutas? Quais os nossos anseios? Qual a nossa meta? De fato, para tais indagações, existe uma única resposta: a vida eterna. Deus. O Total; O Absoluto. O nosso Porto Seguro. 
   Elias, sob aquele junípero, é interpelado pelo anjo do Senhor.“Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.'' Aqui está um clarividente, dentre muitas, prefigurações da Eucaristia, do banquete sacrifical do Senhor. Elias que não viu o Senhor, que não o adorou, nas ínfimas matérias do pão e do vinho sacramentados, comeu ali e chegou à sua meta, o Horeb, o Sinai. E nós que somos cristãos? E nós que temos o ''galardão de lutadores esforçados'' como dissera Anchieta nos versos de sua poesia ''Do Santíssimo Sacramento.'' 
   Nós temos o maná, por excelência, o Pão dos anjos, feito Pão dos homens! Temos Deus imolado na ara da Eucaristia. Testamento da Caridade de Deus! Viático do Israel Novo, dos batizados, dos confirmados, da Igreja que orna-se do mais fino linho para celebrar o Cordeiro. Para Elias foi chegar ao Horeb. Para nós é chegarmos à beatitude eterna. A felicidade verdadeira, em Cristo, Senhor nosso.''8Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo.'' Benditas são as palavras de Escrivá de Balaguer: Humildade do Senhor, na manjedoura? No Gólgota? Mais humildade, ao dar-se no pão e no vinho. Oxalá a nossa participação no Banquete do Cordeiro seja frutuosa, pois, no-lo diz a Igreja: ''Todas as vezes, de fato, que celebramos esse mistério, torna-se presente a nossa redenção.
   A Ele, o Primogênito dentre os mortos, a glória, o poder, a sabedoria e a divindade pelo séculos infindos. Amém!
   Peregrinando no vale de lágrimas da existência, a Igreja, nossa Mãe, e Senhora do Cordeiro Imacu
lado, recorda, atualiza, faz-se presente todos os domingos ininterruptamente, a Páscoa do Filho de Deus. 
Na Sapientíssima Palavra de Deus, nos ritos, nos sacramentais, nós, cristãos batizados, ainda que com nossos sentidos, mas, sobretudo, com a fé batismal dispensada quando do dia em que fomos enxertados no Mistério Pascal do Adão obedientíssimo na fonte do Batismo e, consoante as Sagradas Letras, ''até a morte e morte de cruz.'' É na Liturgia, na epíclese do Espírito Santo que celebramos o mistério central da fé trinitária. A Sagrada Eucaristia. 
    Na via à Páscoa Eterna, celebramos hoje o XIXº Domingo do Tempo Ordinário, depois de Pentecostes. A Liturgia nos apresenta a continuação do sermão solene de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Após saciar as multidões, com a multiplicação dos pães, prefiguração da abundância da Eucaristia, décimo sétimo domingo, Jesus censura as multidões, por não procurá-lo, mediante os sinais, ''mas porque comeram e ficaram satisfeitos.'' Isto no décimo oitavo domingo comum. Como se o Dileto de Deus Santíssimo fosse um taumaturgo, ou ainda, numa linguagem hodierna, um super-homem, um Jesus comerciário, ou quem sabe, até, uma artista, e até mesmo um assistente social, um filantrópico. Não! Nunca, jamais.
    Jesus é Deus sempiterno, encarnado em o seio puríssimo de Maria, sempre virgem, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, cuja existência, permeada pelos sinais, milagres, convergem à hora da cruz, como no-lo exclama o Apóstolo: ''Jesus Cristo existindo em condição divina não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se, fazendo-se aos homens semelhantes.'' Eis aí, irmãos caríssimos, Nosso Senhor, cujos benefícios de sua ''Kénosis'' somos partícipes e fruto.
     A Escritura nos apresenta a figura de Elias, o grande profeta. Acabrunhado peregrinara até o Horeb, o Monte de Adonai. Desfalecido caminhara o homem de Deus. Elias que combatera a idolatria, o culto a Baal, contudo se encontara desfalecido. Olhamos para o profeta, e olhamos para nós mesmos, em nossa existência. Quais as nossas lutas? Quais os nossos anseios? Qual a nossa meta? De fato, para tais indagações, existe uma única resposta: a vida eterna. Deus. O Total; O Absoluto. O nosso Porto Seguro. 
    Elias, sob aquele junípero, é interpelado pelo anjo do Senhor.“Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.'' Aqui está um clarividente, dentre muitas, prefigurações da Eucaristia, do banquete sacrifical do Senhor. Elias que não viu o Senhor, que não o adorou, nas ínfimas matérias do pão e do vinho sacramentados, comeu ali e chegou à sua meta, o Horeb, o Sinai. E nós que somos cristãos? E nós que temos o ''galardão de lutadores esforçados'' como dissera Anchieta nos versos de sua poesia ''Do Santíssimo Sacramento.'' 
   Nós temos o Maná, por excelência, o Pão dos anjos, feito Pão dos homens! Temos Deus imolado na ara da Eucaristia. Testamento da Caridade de Deus! Viático do Israel Novo, dos batizados, dos confirmados, da Igreja que orna-se do mais fino linho para celebrar o Cordeiro. Para Elias foi chegar ao Horeb. Para nós é chegarmos à beatitude eterna. A felicidade verdadeira, em Cristo, Senhor nosso.''8Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo.'' Benditas são as palavras de Escrivá de Balaguer: Humildade do Senhor, na manjedoura? No Gólgota? Mais humildade, ao dar-se no pão e no vinho. Oxalá a nossa participação no Banquete do Cordeiro seja frutuosa, pois, no-lo diz a Igreja: ''Todas as vezes, de fato, que celebramos esse mistério, torna-se presente a nossa redenção.
   A Ele, o Primogênito dentre os mortos, a glória, o poder, a sabedoria e a divindade pelo séculos infindos. Amém!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um muçulmano abraça a Igreja atraído pela beleza da verdade!


Salvatore Cernuzio
Existem muitos muçulmanos que gostariam de renunciar ao islã para abraçar o cristianismo. Entretanto, na maioria dos casos, o medo da perseguição os impede de se converter. Mesmo assim, existem aqueles que têm a coragem de fazer essa escolha não só na intimidade do coração, mas afirmando-a publicamente no site do jornal National Catholic Register.
É o caso de Ilyas Khan, filantropo britânico, nascido de pais muçulmanos, crescido na Grã-Bretanha, banqueiro de formação, dono do clube de futebol Accrington Stanley e presidente do Leonard Cheshire Disability, a maior organização mundial de assistência às pessoas com necessidades especiais.
“A minha fé conta com a grande contribuição da educação que eu recebi até os meus 4 anos”, revela Ilyas ao entrevistador, que lhe pergunta o que o levou à fé católica. “A minha mãe estava muito doente. Quem me criou naqueles primeiros anos foi a minha avó, que era profundamente católica. Eu não tinha como não me considerar cristão”.
Dos 4 aos 17 anos, porém, Ilyas foi criado e educado como muçulmano. Ele conta: “Na faculdade, a divina providência interveio novamente. Eu fui morar na Netherhall House, que é uma casa de estudantes do Opus Dei”.
O tempo que passou naquela casa de estudantes o aproximou da espiritualidade e da fé católica. Ele mesmo afirma: “Eu não posso dizer que fui induzido à fé inconscientemente. Pelo contrário. Lá pelos 18 ou 19 anos, eu descobriu pessoas como Hans Urs von Balthasar, e comecei a ler muito os textos da biblioteca. Fiquei interessado na teologia, em Santo Agostinho e Orígenes”.
Essas leituras provocaram no jovem Ilyas um movimento interior que já então o empurrava a proclamar as próprias crenças abertamente, mas o medo de causar uma dor profunda nos pais, ainda vivos, o sufocava.
A virada decisiva, lembra Khan, foi um “grau maior de consciência de toda a minha vida e das minhas bases morais”. “O desejo de abandonar o islã era profundo, mas foi o impulso de Cristo que me levou à decisão”.
A contribuição fundamental veio da rotina de “viver a vida da Igreja” durante uma estadia em Hong Kong, aos 25 anos. A igreja chinesa de São José “foi o lugar onde eu descobri o catolicismo tradicional. Dos 25 anos em diante, eu não tive mais nenhuma dúvida: eu era católico”.
Mas houve um momento em particular que marcou indelevelmente a fé de Ilyas: uma “visão” durante uma visita à basílica de São Pedro. “Eu estava caminhando pela basílica e me lembro de ter sido ‘arrebatado’ ao ver a Pietá de Michelangelo. Me vieram mil perguntas enquanto eu olhava para aquele rosto de Maria que contempla o seu Filho. E eu disse para mim mesmo: ‘Este é Deus! Não pode não ser Deus’. Para o islã, dizer que Deus se fez homem é uma heresia. Foi ali que me caíram por terra todas as dúvidas. A beleza e a atmosfera em torno daquele espetáculo foram a grande virada”.
O testemunho de Ilyas Khan, por um lado, serve como estímulo para todos aqueles que ainda têm dúvidas ou medos quanto às próprias crenças. Por outro lado, no entranto, a conversão despertou reações negativas, traduzidas em demonstrações de ódio e em ameaças diretas de morte.
Ilyas não tem medo de expressar a sua fé nem de proclamar publicamente a sua beleza. Ele é considerado hoje, na Grã-Bretanha, como “o mais importante neo-converso ao catolicismo”.

Juiz isenta empresa de cumprir mandato abortivo do governo dos Estados Unidos.


A reforma na área de saúde promovida pelo governo dos Estados Unidos, que, entre outras coisas, obriga empresas – inclusive as católicas- a custear, via seguro de saúde, serviços contraceptivos e abortivos aos funcionários, teve a primeira derrota judicial .
O proprietário da empresa Hercules Industries, William Newland, que é católico, entrou recentemente com uma ação contra a medida governamental, que foi acatada pelo juiz, John L.Kane, do tribunal de distrito do Colorado, sob alegação de que a norma viola a liberdade religiosa de Newland.
Para justificar sua decisão, o juiz do Colorado afirmou que os demandantes apenas buscam dirigir a empresa “de uma maneira que reflete suas sinceras crenças religiosas” e alegou no sentido de que “é de grande interesse público o livre exercício da religião inclusive se esse interesse pode entrar em conflito com outros”.
Com a decisão do juiz, a empresa Hercules, que atua com eficiência energética e energias renováveis, fica temporariamente livre de arcar com os gastos relacionados às multas que teriam que ser pagas por não assegurar aos seus 265 empregados conforme prevê o mandato do governo norte-americano. (BD)
ACI.

Ainda as conclusões do IBGE sobre a diminuição de católicos. Uma análise.


Por Luiz Eduardo Cantarelli
Nem todos futuros são para desejar, porque há muitos futuros para se temer. (Pe Antônio Vieira).
Em 1970, os católicos eram 90% dos brasileiros. Hoje, segundo o IBGE, são 64,6%, ou seja, 26%, uma massa de 37 milhões – uma Argentina de gente -, deixou de ser católica. Ao seu estilo, Nelson Rodrigues preconizava na década de 70 que o Brasil seria, no futuro, o maior país de ex-católicos do mundo.

Para onde partem os católicos? Na sua grande maioria, seguem para as, assim chamadas, religiões evangélicas, principalmente para as de cunho pentecostal e autônomas. No último censo, os protestantes subiram de 15% para 22,2%, dentre estes, estão os tradicionais que ficaram patinando nos 4%.

O espiritismo, que na década de 50 pensou-se que seria a religião do Brasil, estancou em 2%.
Os “sem religião” margeiam os 8%, sendo que os 3% restantes estão espalhados nas diversas outras propostas religiosas. Então, basicamente, o funil de saída é para o protestantismo e, daí, parte deles migra para os “sem religião” – o que não quer dizer que se tornam ateus.

Quando estancará o vertedouro de escoamento é uma incógnita, pois vários são os fatores, objetivos e subjetivos interferentes nesse processo, alguns destes relevantes que ouso explicar o movimento.

O primeiro: o “espírito do tempo” que estamos vivenciando, um mundo plural, em que a morte do passado nos revela que tradição não dá mais liga e o individualismo é o senhor da razão. Nesta nova visão de mundo, tem muito pouco valor aquilo em que os antepassados creram e viveram. A experimentação do novo e a curiosidade do desconhecido soam forte em cada um.
Segundo Dr. Flávio Pierucchi, da USP: “Uma sociedade que não precisa mais de Deus para se legitimar, se manter coesa, se governar e dar sentido à vida social, mas que, no âmbito dos indivíduos, consome e paga bem pelos serviços prestados em nome dEle”.

A humanidade já viveu uma experiência parecida em meados do século XIX, com a crise Católica da negação do modernismo, acrescida do movimento milenarista e do sucesso da ciência insipiente, que tudo parecia provar e demonstrar. Naquela trajetória, nasceram o Positivismo, o Espiritismo, o Adventismo, os Mórmons, as Testemunhas de Jeová, a Teosofia, o Exército da Salvação e tantas outras religiões. Eram propostas notadamente anticatólicas, porém, inovadoras e muitas dessas permaneceram no tempo.

Paradoxalmente, podemos considerar o movimento religioso evangélico atual fugaz e consonante com a onda consumista. É fragmentado em milhares de denominações que seguem o discurso do pastor fundador e, na maioria das vezes, com uma adaptação racional e funcional do evangelho às necessidades pessoais – uma forma híbrida de autoajuda.

O segundo: foi no Brasil que ocorreu em menor espaço de tempo o êxodo rural – o deslocamento de grandes massas de gente do campo para as cidades. Foram 35 milhões de migrantes que incharam as grandes cidades, principalmente nas periferias. Note-se que foi aí que se deu o maior número de conversões. (Antoniazzi). Assim, no impacto da perda de espaços e de valores que norteavam a família, estes se diluíram, influenciando e transformando as gerações que se seguiram. Nesse cenário decomposto, muitas vezes a escolha da religião é motivada pela ocasião.

O terceiro: a quantidade de propostas e igrejas que concorrem no mercado religioso. O espaço sagrado da Igreja, como o católico o qualifica, altera-se no protestantismo – ali, o sagrado é o coração do homem. O espaço físico pode ser oriundo de um açougue, uma funerária ou outro prédio qualquer.

Nessa facilidade de produzir igrejas e congregações, as ofertas são muitíssimas. Associado aos milhares de pequenos movimentos, há a força das “amplas vitrines”, que são as grandes igrejas evangélicas mediáticas, nas quais a maximização dos lucros é a “teologia sonhada”. Fazem uso dos mecanismos de mercado como franquias, cartões de crédito, bancos, etc. Dezenas de milhões de reais são investidos, por mês, na TV, que é concessão do Estado, para apresentar-se em horário nobre, com “milagres” de hora marcada e ao vivo.

De modo descarado, ainda segundo Pierucchi, “o discurso proferido dos fieis para com Deus, que sustentou a civilização judaico-cristã e islâmica desde as origens, agora tem sua direção invertida pela nova cristandade que proclama que Deus é fiel, o fiel é Deus. Investimento seguro, vale dizer”.

O quarto: e o mais relevante, a falta de testemunho, pelos católicos, é o principal motivo alegado para a saída de muitos. Talvez o homem contemporâneo necessite mais do que pregação. Ele precisa de testemunhos reais e tangíveis.

A Igreja Católica é similar a uma arca. Com suas múltiplas espiritualidades, tem lugar para a heterogeneidade, embora também carregue uma contradição interna na qual não mais que 30% dos que se dizem católicos são habituais frequentadores da igreja. Os outros 70% orbitam em torno dela nas necessidades sociais e nos ritos de passagem como: batismo, casamento e velórios. Estes são os católicos nominais que estão incluídos nos citados 64% do IBGE, alguns deles com aversão à religião, mas, por uma tênue teia do passado, se mantêm ligados à Igreja. Outros frequentam novas propostas religiosas/filosóficas que ainda não constam no questionário do Censo e há uma grande parcela de católicos que está aguardando um “insight” com a Transcendência. Muitas vezes a Igreja não sabe lidar com essa realidade. São os que se dizem “católicos não praticantes”. Estes formam o estoque dos futuros ex-católicos. Como dizia D. Eugênio Sales: “O problema da Igreja não são os evangélicos, mas sim os falsos católicos”.

Embora os processos históricos muitas vezes tornem-se arrebatadores e incontornáveis, na visão da hierarquia, a Igreja Católica no Brasil tem se preocupado com o êxodo dos seus fieis. Aperfeiçoa a formação dos sacerdotes, enriquece e alegra os ritos, prioriza a caridade, e o que não se pode providenciar humanamente, a Providência Divina assume. Não obstante, essas atitudes não são suficientes para conter o êxodo católico. O “estrago” será tão grande nas hostes católicas que só no distante futuro poder-se-á avaliá-lo – como aconteceu na percepção histórica da reforma luterana, no século XVI.

O monopólio católico de 500 anos está se desmilinguindo e sendo criada, a partir daí, uma nova força política religiosa contrária às tradições católicas. Resultado desse processo, que não é mais embrionário, pode ser observado nas Minas Gerais, de tradição católica. A principal avenida de entrada de Belo Horizonte, Nossa Senhora do Carmo, passou a se chamar Senhora do Carmo. De notar, também, que a Igreja Assembleia de Deus projeta eleger, este ano, 5.600 vereadores em todo o país, além de investir pesadamente em compra de redes de Rádio e TV (Folha de São Paulo, 22/7).
Interessante observar que nessa Igreja, até a década de 90, ver televisão e ouvir rádio era considerado pecado. Mudaram a doutrina para não perder o “boom” do crescimento. Quem viver, verá!

Mortos, levantai-vos!, preconizava Dom Sebastião Leme em Olinda no início do século XX quando da parcimônia dos católicos frente ao seu isolamento na República nascente. Hoje, poderíamos repetir o discurso. Levantai-vos para conhecer a Igreja; para integrar-se na comunhão dos santos, de que a Igreja é portadora; não vos constrangeis frente a essa tempestade de ofertas de discursos religiosos eloquentes.

Somos testemunhas de milhares de servidores consagrados, bispos, padres, freiras, leigos que se desgastam em vida, como vela no altar, em prol do outro e da Igreja. Se faltam pastores ou estão assoberbados de trabalho, atendamos o apelo bíblico; “sede-vos mesmos”, líderes para evangelizar.  Se somos filhos de uma Igreja que é a genitora de todas as outras, porque estaríamos equivocados? Por acaso, colhe-se maçãs de laranjeiras?

No livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental” central de qualquer civilização. Ao longo de dois mil anos, a maneira de o homem ocidental pensar sobre Deus deve-se sem a menor dúvida à Igreja Católica.

Quando perguntaram a G.K Chesterton, escritor inglês, ex-anglicano, porque é que entrou para a Igreja Romana, ele respondeu: Para me libertar dos meus pecados, porque não há outro sistema religioso que ensina as pessoas (se o professam realmente) a libertarem-se dos seus pecados. (Autobiografia, p.280).

O testemunho de Marco Monteiro Grillo, ex-luterano e agora católico convicto: Se uma igreja que remonta a Cristo e aos apóstolos, em que o subjetivismo simplesmente não existe, e onde uma autoridade visível (o magistério) sempre foi e será responsável pela salvaguarda da fé, essa Igreja só pode ser a Igreja Católica Apostólica Romana, essa Igreja que não está sujeita às intempéries da história, nem aos modismos de cada época, nem aos gostos dos fregueses.

Se no futuro os católicos, mesmo sendo 20% da população, forem comprometidos com Cristo e a Igreja dEle, éticos na vida social e em todos os demais sentidos, a Igreja, que são todos, já terá cumprido a sua missão. Os exemplos atraem.
Luiz Eduardo Cantarelli é jornalista – pós-graduado em Ciência da Religião.
Belo Horizonte – Minas Gerais
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