terça-feira, 10 de maio de 2011

Aconteceu... 1ª Visita de Dom José em 2011






























Seminário em MISSÃO - Conj. Fernando Collor

Quem conduz os discípulos missionários e toda a Igreja é o Espírito Santo.

“Senhor, precisamos de santos e santas de “calça jeans”, homens e mulheres, jovem e adultos, crianças e idosos, santos(as) da alegria, santos(as) do testemunho, santos e santas do amor e da paciência”, como nos ensinou o papa João Paulo II. As crises do mundo e da Igreja, neste tempo forte entre a guerra do laicismo e cristianismo, é a crise de santos e santas. Nós cristãos(ãs) somos chamados a voltar a fonte batismal do mistério pascal de Cristo e ali beber o cálice da nossa santidade, que foi entregue pela remissão dos pecados. Nesta fonte somos filhos(as) e irmãos(as), herdeiros do céu e responsáveis para que todos tenham vida em abundância (Jo 10, 10).






O principal objetivo da missão é promover a adesão à pessoa de Jesus e não de realizar um marketing da fé ou divulgar uma doutrina. A missão não é outra senão a de sermos testemunhas do Ressuscitado.

Jesus disse: …quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo.

O próprio Jesus nos disse estas coisas para que a nossa fé não seja abalada. O principal protagonista da alegria do seguimento de Jesus, é o Espírito Santo. A graça do Espírito Santo e a Alegria vão juntas. A alegria é um dos frutos do Espírito Santo, depois do amor e da paciência. Madre Teresa de Calcutá dizia: … a marca inevitável de um coração que ama é a alegria. Quais nossos gestos concretos de amor? Tenho alegria no meu coração e nas coisas que realizo?



















O testemunho suscita vocações, não podemos pensar o chamado não sendo um enviado. Vocação e missão são os dois lados da mesma moeda. É Jesus quem chama e envia. Neste sentido peçamos ao Espírito Santo por intermédio de Maria, o desejo sincero de caminhar para a santidade, e que nós estejamos prontos para dar cada dia os passos necessários: passos de amor e passos de conversão pessoal, pois estamos a caminho e não prontos, somos caminhantes e não indicadores de caminhos, precisamos percorrer o caminho, conhecê-lo e amá-lo para apresentarmos mapas que indiquem a casa do Mestre. Num mundo de muitos caminhos, escutamos pessoas desorientadas a perguntar: “Mestre, onde moras?” Que cada um de nós seja pelo testemunho, o que viveu ouvindo o convite de Jesus: vinde e vede.



Ser Missionário(a) só na companhia do Mestre; na intimidade com Ele todos os dias; ser caminhante-peregrino, porque ouvinte do apelo: Vem e Segue-me. Ser corajoso porque fiel nas trilhas do Senhor: Não tenhas medo! Ser Amigo Dele por sentir-se chamado pelo nome e amado por inteiro. Ser Testemunha porque obediente ao mandato: Ide, fazei discípulos, entre todas as nações (Volta Grande)!

O mesmo Espírito Santo, desperta o coração daqueles que acolhem o “Anúncio” dos enviados de Jesus Cristo. Mas, não podemos reduzir a missão e o anúncio a um agir puramente humano e esquecer que o Espírito Santo é o seu autor principal. Trata-se do mesmo Espírito que atuou sobre Jesus, nos apóstolos, nos discípulos(as) e nas comunidades primitivas do Cristianismo. Jesus disse estás coisas para que vos lembreis quando chegar “a hora”.

domingo, 8 de maio de 2011

Mensagem para o Dia das Mães do Padre Paulo Ricardo

“O Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” (Lc 24,26).

O Papa Bento XVI, em seu recente livro Jesus de Nazaré (vol. 2) recorda que o famoso teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer protestava duramente contra a visão que alguns cristãos têm do amor misericordioso de Deus, como se se tratasse de uma “graça barata” (billige Gnade, pg. 153).

O Dia das Mães nos dá a ocasião de compreender este conceito aparentemente contraditório. Se a Graça é “de graça”, como pode ela ser “cara” e ter um preço?

As nossas mães nos amaram e amam gratuitamente. Mas isto não quer dizer que elas não tenho pago um alto preço por isto. Pagaram o preço das dores do parto, das noites sem dormir, das dores nas pernas, dos cuidados e das preocupações. E, para a mães cristãs, pagaram, sobretudo, o preço das orações e sacrifícios oferecidos pela salvação de seus filhos. Quem não se comove diante das lágrimas e dos joelhos calejados de uma Santa Mônica?

Pois bem, tudo isto é de graça e, no entanto, tudo isto é tão caro.

Este mês de Maio, marcado pela alegria dos triunfos pascais, celebramos também o Mês de Maria. Recordemos também os sofrimentos da Co-Redentora e, ao contemplar os sofrimentos de nossa Mãe do Céu, compreenderemos melhor o preço que seu Filho pagou para nos dar a Graça da Salvação.

À Mãe do Céu e às mães aqui da terra a nossa gratidão pelo amor de graça e tão caro que nos ofereceram.

Feliz dia das Mães!

Padre Paulo Ricardo

sábado, 7 de maio de 2011

Testemunho sobre Vida e Vivência no Seminário

Por Seminarista Lucas Rafael



Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo Ressuscitado estejam convosco!
É com muita alegria com que venho partilhar convosco um pouco da minha vida no nosso Seminário.
A vocação é algo constitutivo, que aos poucos vai mudando a nossa vida, assim como mudou o nome de Simão para Pedro, pedra fundamental da Igreja. Ela nos abre à uma vida de inteira entrega a Deus, à Igreja e aos irmãos de comunidade seminarística.
“Desde o seio materno o Senhor me chamou, desde o ventre de minha mãe pronunciou o meu nome.” (Is. 49,1). Esse chamado é tão forte, que não há coisa alguma no mundo que nos possa arrancar o desejo de seguir a Cristo. Mesmo deixando de lado família, amigos, pessoas que ao longo do tempo foram me ensinando que o caminho de Deus é bom, ou melhor, não existe nada igual, ainda assim vale à pena deixar tudo para seguir a Cristo Bom Pastor.
Eu tive a graça de ter uma família que me apoiou em todas as minhas decisões religiosas, tive a graça de ter um padrinho Sacerdote, o Pe. Valdson, que confiou em mim e me apoiou para que eu seguisse a vontade de Deus. Tive amigos que conseguiram me mostrar que as coisas do alto valem muito mais que as transitórias, onde a traça corrói e o tempo acaba. E, se eu precisar de algum “empurrãozinho” para seguir em frente, sei que ainda posso contar com todos estes.
“A vocação chama primeiro na alma, em forma de exigência; depois propulsiona para frente com a força de um guindaste, com o ardor do ideal, e no fim, outorga a jubilosa certeza de que está caminhando na direção da sua plenitude completa”. (Sacerdotes para o terceiro milênio – Dom Rafael Llano Cifuentes). Depois de eu ter lido este livro, que me ajudou bastante na caminhada, tive certeza de que Deus assim como disse ao profeta Jeremias, a cada dia ele ia me conduzindo cada vez mais na direção do seu plano de AMOR para mim.
“Antes de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei...” (Jr. 1, 5)
Desde quando comecei a morar no seminário, a minha vida transformou-se de um jeito que jamais imaginaria. É interessante como Deus no seu imenso Amor nos dá a capacidade, de a cada dia, vencermos as nossas barreiras, que começa às 5:45h até a hora de dormir. Todos os dias, temos que “matar um leão, ou melhor, vários leões”, como nos diz o Pe. Horácio.
A convivência aqui no seminário, podemos dizer que é mais que um simples morar, é um compartilhar de tudo por todos, com todos e em todos. Aqui nós também temos que compreender cada um com todos os seus defeitos. Enfim, compreender é amar a todos precisamente porque tem defeitos, se Deus assim o fez, quem somos nós para julgá-los?
Quem compreende, perdoa, e eis o nosso grande desafio, perdoar. Assim como Deus nos perdoa, aqui nós também perdoamos.
A vivência no seminário é assim, “esquecer tudo que é transitório e voltar-se para a eternidade. Porque todas as coisas temporais são pura sedução. Pra que servem as criaturas, se nos afastam do Criador? Temos que deixar tudo, procurar agradar e sermos fiéis ao Criador, para que possamos alcançar a verdadeira bem-aventurança.” (Imitação de Cristo, Livro Terceiro, cap. 1, 2)
Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, poder e domínio, antes de todos os séculos, agora e por todos os séculos! Amém. (Jd, 24)

Ser mãe: missão para a vida!

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Não existe a mãe ideal, mas sim a mãe possível e disponível

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro: uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem esse plano. Mas, vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?

A missão de mãe da mulher inicia-se no momento da concepção, a partir disso, todos os ideais vão sendo construídos. Não existe a mãe ideal, mas sim a mãe possível e disponível; isso, sim, é importante! Muitas vezes, constrói-se o ideal da "mãe perfeita", da "mãe que não erra".

Mas o que seria positivo para a criação de um filho? Ter o equilíbrio para cuidar dele, para protegê-lo, para educá-lo, para apoiá-lo, para prover-lhe as necessidades físicas e materiais, mas, especialmente, para prover as necessidades de afeto. Dar o consolo necessário, estar disponível e disposta a olhar, a conversar, ser empática, ou seja, a entender ou a colocar-se no lugar dos filhos e do seu momento de vida são algumas das formas de construir a missão de ser mãe.

É claro que a vida não é estática nem oferece condições que fazem com que tudo esteja bem o tempo todo: para isso, é necessário que saibamos nos observar para não transferirmos as experiências negativas vividas em nossa formação para a formação de nosso filho. Como diz o título de um livro, é importante que cada mãe possa “falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar (do livro: Falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar de Adele Faber e Elaine Mazlish). Recusar os sinais que ele dá, não olhar nos olhos dele, desconfiar dele, não dar peso às coisas que ele fala, não o ajuda em nada. É importante que saibamos ensinar, mas que também saibamos confiar e dar autonomia e possibilidade para que nosso filho amadureça com pessoa.

Estar bem emocionalmente faz que que possamos contribuir para o crescimento e o desenvolvimento saudável de nossos filhos do ponto de vista psicológico. Faço aqui uma observação especial para as mães: cuide dos outros, mas também cuide de si. Viver em harmonia com sua dimensão espiritual, afetiva, social, biológica, é essencial para que você possa cuidar bem dos outros e consiga lidar com as alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades próprias da vida. Lembre-se de que, em primeiro lugar, você é mulher, e com isso, toda a beleza do ser mulher virá com esses cuidados, que depois se farão extensão ao cuidado com o outro, com seu marido, com os filhos.

Mães aprendem a todo momento: desde o choro do bebê que identifica fome ou dor, aprendem também a ligação íntima e profunda que têm com seus filhos. Aprendem pela experiência do ser mãe e, sendo mães, reformulam, superam e vivem positivamente conflitos passados em sua vida. Há uma ligação tão profunda e poderosa existente entre mães e filhos que esta sobrevive para sempre em algum lugar muito além das palavras e é algo de uma beleza indescritível.

Você, mãe, trocaria essa beleza e o poder dessa ligação materna por alguma coisa?

Ser mãe é ser a todo tempo, a toda hora, sem limites. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que seja lhe dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!

Muito obrigado a você, mãe, por este e por todos os dias de sua missão!

Morte de Bin Laden, risco para cristãos do Paquistão


Introvigne: em pouco tempo os ataques poderiam multiplicar-se











Ele não estava escondido em uma região inacessível do Afeganistão, nem mesmo no complexo de bunker e cavernas de Tora Bora, na província afgã de Nangarhar, a oeste do famoso Passo Khyber. Morava em uma espécie de "forte" na cidade paquistanesa de Abbottabad, famosa pelo seu clima agradável e saudável. Localizada cerca de 70 km ao norte da capital Islamabad, a cidade, ironicamente, não só tem o nome do militar britânico que a fundou a meados do século XIX (Abott), senão que alberga várias instalações do exército paquistanês.

Estamos falando do terrorista mais procurado do mundo, Osama Bin Laden. O fundador e ideólogo da rede terrorista islâmica "por excelência", a Al Qaeda (que significa "A Base"), foi morto durante a noite do domingo, dia 1º, para segunda-feira, 2 de maio, durante uma operação realizada por um comando composto de forças especiais da marinha americana, os "Navy Seals". De acordo com as últimas informações, Bin Laden, que não respondeu ao ataque, foi atingido na cabeça por soldados americanos. Segundo o jornal paquistanês Dawn (3 de maio), quem matou o homem-bomba, entretanto, foi um dos seus guarda-costas. O ataque matou várias pessoas, entre elas um filho de Bin Laden - Hamza -, dois dos seus "mensageiros" e uma mulher, que não foi usada como escudo humano (como se declarou inicialmente).

Foi o próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quem anunciou à nação e ao mundo a eliminação daquele que orquestrou vários atentados - incluindo os perpetrados contra as Torres Gêmeas em Nova York, em 11 de setembro de 2001 -, às 23h30 (hora de Washington). O presidente afirmou que seu país "não está - e nunca estará - em guerra com o Islã" (The Associated Press, 2 de maio). As palavras "fez-se justiça" provocaram cenas de júbilo em várias cidades dos EUA, especialmente em Nova York, onde os bombeiros - os heróis do 11S - se uniram à espontânea explosão de alegria.

Mas a morte de Bin Laden não significa que a guerra acabou. As reações dos partidários de Bin Laden nos sites islâmicos não prometem nada de bom. Também o fato de que o corpo de Bin Laden tenha sido lançado ao mar (após um funeral muçulmano a bordo do porta-aviões Carl Vinson, no Golfo Pérsico) certamente alimentará o desejo de vingança.

A preocupação por possíveis represálias da Al-Qaeda e seus aliados é muito grande entre a comunidade cristã do Paquistão. O arcebispo de Lahore, Dom Lawrence John Saldanha, solicitou às autoridades paquistanesas que reforçassem a segurança dos cristãos, um "alvo fácil" para os extremistas (UCA News, 2 de maio). "Os acontecimentos pós-11 de setembro influenciaram toda a minha vida e carreira episcopal", disse o prelado, ordenado arcebispo no mesmo dia dos ataques de 2001.

De acordo com informações da agência Fides (2 de maio), as autoridades paquistanesas têm aumentado as medidas de segurança para a comunidade cristã em diversas cidades, entre elas Islamabad, Lahore, Karachi e Multan. "A situação é tensa. De fato, muitos temem as reações, totalmente sem sentido, contra as minorias cristãs. O governo está focando uma atenção máxima nas medidas preventivas", disse à Fides o assessor especial do governo para as Minorias Religiosas, o católico Paul Bhatti.

O assassinato de Bin Laden chega, de fato, no momento de maior tensão entre muçulmanos e cristãos no Paquistão, como evidenciado pelos novos ataques a bairros cristãos de Gujranwala, ao norte de Lahore, na província de Punjab. A cidade é, há semanas, cenário de violência anticristã, que explodiu em meados de abril, após a "descoberta" de algumas páginas queimadas do Alcorão, que culminou na prisão de dois cristãos membros da família Gill (ZENIT, 19 de abril).

Como revela AsiaNews (2 de maio), o que desencadeou os últimos ataques foi a "descoberta", na manhã do dia 29 de abril, de uma cópia queimada do Alcorão, no cemitério cristão. Segundo fontes de AsiaNews, a notícia provocou uma verdadeira perseguição contra os cristãos, suas propriedades e locais de culto, e obrigou as autoridades a aplicarem a Lei 144, que proíbe todas as reuniões públicas de mais de quatro pessoas.

Justamente nestes dias foram assassinados mais dois cristãos no Paquistão. Como disse a agência AsiaNews, a primeira vítima foi Younas Masih, um comerciante do subdistrito de Chak Jhumra, que foi baleado após uma discussão com dois clientes que não queriam pagar a compra de cigarros. A segunda vítima foi um cristão preso desde 2005 por blasfêmia e condenado à morte em 2007. Trata-se de Yiunas Masih, morto em 28 de abril no hospital, depois de sofrer ferimentos graves na prisão de Faisalabad. O homem, como foi observado por AsiaNews, foi ameaçado de morte por seus companheiros de cela.

O representante da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) para combater o racismo, intolerância e discriminação contra os cristãos, Massimo Introvigne, chamou a atenção dos cristãos no Paquistão. Em nota divulgada na segunda-feira, 2 de maio, Introvigne recordou que a proteção dos cristãos é "um dever grave e concreto dos governos do Paquistão e de outros países onde as minorias cristãs estão ameaçadas pelo ultrafundamentalismo islâmico". "Os governos envolvidos - afirmou o sociólogo - não poderão dizer que não estavam preparados: já há sites jihadistas que neste momento estão pedindo que se realize o ataque a igrejas e o assassinato de cristãos."

Para Introvigne, autor de uma biografia de Bin Laden, a morte do ideólogo da jihad é "fundamental do ponto de vista simbólico, mas não para destruir a Al Qaeda, que agora atua como uma rede, e não como um movimento do ponto de vista operativo". Segundo o sociólogo, "existe o risco de que, a curto prazo, a fragmentação do centro de decisões produza uma multiplicação dos atentados".



(Paul De Maeyer)

Papa defende reforma litúrgica realizada pelo Vaticano II

Tradição e progresso são conceitos integrados, afirma







(ZENIT.org)







A liturgia da Igreja “vive de uma relação correta e consistente entre a sã traditio e a legítima progressio”, e, neste sentido, a reforma litúrgica realizada pelo Concílio Vaticano II não se contrapõe à tradição anterior.

Foi o que esclareceu o Papa Bento XVI, ao receber hoje em audiência os membros do Pontifício Instituto Litúrgico S. Anselmo, instituição criada por João XXIII há 50 anos como centro de estudos e pesquisa “para garantir uma sólida base para a reforma litúrgica conciliar”.

No seu discurso, o Papa referiu-se à reforma realizada pelo Concílio, recordando que "existe um vínculo estreito e orgânico entre a renovação da Liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja”.

“A Liturgia da Igreja vai além da própria ‘reforma conciliar’, cujo objetivo, de fato, não era principalmente o de mudar os ritos e gestos, mas sim renovar as mentalidades e colocar no centro da vida cristã e da pastoral a celebração do mistério pascal de Cristo”.

“Infelizmente, talvez, também pelos pastores e especialistas, a liturgia foi tomada mais como um objeto a reformar que como um sujeito capaz de renovar a vida cristã”, reconheceu.

Neste sentido, admitiu que às vésperas do Concílio, “de fato, parecia cada vez mais viva, no campo da liturgia, a urgência de uma reforma, postulada também pelas petições realizadas por diversos episcopados”.

Por outro lado – acrescentou – “a forte demanda pastoral que motivava o movimento litúrgico requeria que se favorecesse e suscitasse uma participação ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas, através do uso de línguas nacionais, e que se aprofundasse na questão da adaptação dos ritos às diversas culturas, especialmente em terra de missão”.

Ademais, “mostrou-se clara desde o início a necessidade de um estudo mais aprofundado do fundamento teológico da Liturgia, para evitar cair no ritualismo ou promover o subjetivismo, o protagonismo do celebrante”.

Outra das necessidades foi “que a reforma estivesse bem justificada no âmbito da Revelação e em continuidade com a tradição da Igreja”.

Este é o motivo pelo qual João XXIII instituiu o Pontifício Instituto Litúrgico S. Anselmo – acrescentou. O Papa recordou o trabalho de “pioneiros” como Cipriano Vagaggini, Adrien Nocent, Salvatore Marsili e Burkhard Neunheuser.

Ambos termos, “tradição” e “legítimo progresso”, explicou, foram utilizados pelos Padres conciliares para estabelecer “seu programa de reforma, em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e do futuro”.

“Não raro, contrapõe-se, de maneira desajeitada, tradição e progresso. Na verdade, os dois conceitos estão integrados: tradição é uma realidade viva, que por isso inclui em si o princípio do desenvolvimento, do progresso”, afirmou o Papa.

Por último, o Papa quis sublinhar “duplo caráter teológico e eclesiológico da liturgia. A celebração realiza, ao mesmo tempo, uma epifania do Senhor e uma epifania da Igreja, duas dimensões que se conjugam em unidade na assembleia litúrgica”.

“Na ação litúrgica da Igreja, subsiste a presença ativa de Cristo: o que realizou em seu caminho entre os homens, Ele continua tornando operante através de sua ação pessoal sacramental, cujo centro é a Eucaristia.”

“A liturgia cristã é a liturgia da promessa realizada em Cristo, mas também é a liturgia da esperança, da peregrinação rumo à transformação do mundo, que acontecerá quando Deus for tudo em todos”, concluiu o Papa.
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