sexta-feira, 22 de abril de 2011

“A silenciosa atração ao cristianismo”. Testemunho de uma busca e de um feliz encontro




Pedro Ravazzano


A minha história de conversão inicia-se, paradoxalmente, com a minha descrença.



Ainda sendo formado numa família católica, educado em colégios confessionais, a figura de Cristo sempre fora a mera simbolização de uma estrutura meramente moral e social. De fato, o cristianismo, por mais fundamental que fosse na minha edificação enquanto homem, jamais havia conseguido romper a apatia diante da abertura a Deus.


O grande estopim para a busca incansável pelo conhecimento de Deus começou quando da minha adesão às mais estapafúrdias perspectivas agnósticas da realidade. Entretanto, se faz mister pontuar que essa não-crença só foi desperta a partir do momento em que, espantado diante do mudo, estruturei um mínimo de reflexão a respeito das coisas.

Antes, era apenas mais um jovem que, embebido nos grandes axiomas da modernidade, vivia a sua vida ignorando qualquer capacidade do espírito. Esse acordar me levou a constatar a situação antitética na qual me colocava; professava – teoricamente – uma fé, na prática, não acreditava.



Entretanto, ao abraçar o agnosticismo imediatamente iniciei uma busca pessoal por esse Deus desconhecido. Diferentemente do que poderiam esperar, a minha oposição à Igreja Católica não deu, fundamentalmente, por causa dos velhos chavões anticlericais repetidos à exaustão nas escolas e universidades.



Constatava isto sim, uma crise espiritual grave no catolicismo que não só obstruía a relação estreita com Deus como desconstruía a credibilidade da fé. Assim, em busca da religião verdadeira, debrucei-me ao estudo. Inicialmente, até como reflexo do fascínio visual, aproximei-me do hinduísmo e das religiões orientais. Não obstante, foi no islamismo, num primeiro momento, e em segunda na ortodoxia, onde mais me aprofundei.







A fé islâmica que conheci, primeiramente, por meio de uma reflexão histórica, abriu-me um vasto campo de potenciais filosóficos, teológicos, estéticos, tradicionais. Parecia, então, que aquilo que eu buscava encontrava na religião de Maomé. Assim, iniciei um estudo minucioso e rigoroso que me encaminhasse objetivamente à constatação a respeito da veracidade do islamismo.



A abertura ao transcendente, com um viés místico, fascinou-me. A espiritualidade oriental fora para mim impactante e decisiva, até mesmo, no meu retorno ao cristianismo. Ao deparar-me com esse forte estudo espiritual fui confrontado com as minhas próprias origens e identidade como homem formado sobre a égide da fé cristã. Analisando, então, as razões da decadência espiritual no Ocidente eu tinha como fim refletir acerca dos pressupostos dessa Civilização então em crise. Assim, com o propósito de endossar e confirmar a minha busca e proximidade com o islamismo, aproximei-me da fé cristã como objeto de estudo.





Nesse patamar da caminhada eu me encontrei com uma gama de autores que foram fundamentais no meu regresso: Santo Tomás de Aquino, Olavo de Carvalho, René Guénon, René Girard, Santos Padres, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Chesterton, Mircea Eliade, São Paulo, Mário Ferreira dos Santos etc. Com alguns tive rápidos e decisivos contatos, já outros marcaram fortemente o trilhar.

O interessante que, partindo da premissa de que o Ocidente não só se encontrava em crise como deficitário de uma verdadeira tradição espiritual, eu me vi confrontado com um prédio gloriosamente colossal dessa incrível cultura ocidental.





Por mais que o islamismo e a tradição oriental me fascinassem eu não encontrava o Deus então desconhecido. O meu agnosticismo havia deixado de ser propriamente uma posição. Acreditava em Deus, mas enquanto não O achava o agnosticismo continuava sendo o lugar comum do meu conforto (ir)religioso.





A Igreja Católica, como havia marcado a minha juventude, aparentava ser uma caricatura do que, no passado, fora. Os parâmetros que usara para me não mais me considerar católico anos antes eram totalmente distintos dos parâmetros que hoje usava para continuar na mesma posição. Se outrora os fundamentos eram concepções superficiais, ainda que com certo ar pontifical, o argumento, depois dessa caminhada, saíra do raso e ganhara em coesão. Os pontos essenciais eram mais robustos e o meu olhar direcionado à Igreja, ainda que a visse de forma negativa, buscava encontrar aquela herança espiritual que eu sabia que existia, mas que parecia oculta.





A fascinação com a mística oriental e, ao mesmo tempo, a mirada crítica diante do catolicismo me fizeram, então, tender para uma proximidade com a Igreja Ortodoxa. Basicamente esse passo foi dado depois de não apenas refletir a respeito das incoerências internas do islamismo – por mais bela que fosse a mística islâmica – como do conhecimento do grande legado dos Santos Padres, totalmente desconhecidos para mim. Ainda que a fé cristã católica permeasse a realidade na qual me inseria, o anticatolicismo havia brotado quase como uma raiz ideológica. Se o cristianismo era verdadeiro, com certeza não encontrava a sua plenitude na Igreja Católica, pensava.

Desse modo, o meu olhar foi lançado sobre a Ortodoxia. Sem dúvida alguma essa fase foi de um grande crescimento espiritual e intelectual. Não só pude conhecer mais estreitamente a beleza da fé cristã como deparar-me com uma realidade que, ainda que fosse vivida no seio familiar e social, não era objeto da minha contemplação pessoal: a caridade.





A proximidade com as riquezas espirituais do Oriente cristão me levou, naturalmente, ao meu mundo ocidental e latino. Envolvido, então, em debates apologéticos com católicos, vi-me moralmente obrigado a iniciar uma cruzada pela desconstrução dos mitos “papistas” dos “romanos”. No fundo esse anseio era reflexo da busca de auto-afirmar a minha identidade enquanto anticatólico e voltado para a Ortodoxia. Entretanto, nessa saga pessoal, com leituras, traduções, artigos, fui me deparando com afirmações muito fortes que não só endossavam as posições contrárias como desfaziam categoricamente as minhas – tênues – crenças.





Analisando, outrossim, a minha aversão ao catolicismo descobri-me diante não daquilo que era, em concreto, a Igreja Católica, mas o que eu, em minha experiência, havia conhecido. Comparar, então, a tradição oriental com as corrupções progressistas da fé passou a me parecer o sintoma de um arraigado sentimento passional e pouquíssimo fiel à Verdade, que sempre foi o fim último da minha corrida.





Digo, com muita humildade, que, nesse instante, conhecer o catolicismo foi não apenas a melhor experiência da minha vida como o meio mais eficaz de compreender-me enquanto homem e crente. Descobrir o Cristo na Sua Santa Igreja foi um processo longo, de muita angústia, sofrimento, mas de crescimento não apenas intelectual, mas espiritual. Talvez as minhas imperfeitas preces direcionadas ao então Deus desconhecido tenham chegado até Ele, Compassivo e Misericordioso, e que, assim, guiou-me não apenas até a Casa da qual nunca deveria ter saído como, num convite muito corajoso, chamou-me para o precioso e santo Sacerdócio do qual todos são indignos.





Analisando os caminhos pelos quais eu passei me vejo diante de uma dupla constatação; a tristeza do homem distante de Deus e, ao mesmo tempo, a Misericórdia divina que o guia pelas veredas desconhecidas. Ainda quando eu não acreditava nEle, Ele acreditava em mim.



Eu já havia desistido de Cristo, mas Cristo jamais desistira de mim. O chamado ao Sacerdócio foi a conseqüência dessa busca que se formava no mais profundo das entranhas. Talvez, tenho a audácia de dizer, que o meu agnosticismo fora um sinal da minha vocação.



A busca pela Verdade era a grande motivação da corrida e, acreditava, dos anseios pessoais. Procurava, simplesmente, onde repousar o meu coração. Não obstante, Deus me impulsionara a subir todo o monte e, com a mesma inquietação que me levou a virar o mundo ao avesso, eu busquei o meu lugar dentro da vontade Cristo depois de plenamente e conscientemente católico.





A vocação sacerdotal, na minha experiência, é indissociável da minha vida de convertido. O fôlego que dinamizava a minha busca por Deus foi o fôlego que, quando membro da Igreja, usei para ouvir o chamado de Deus e para viver de forma plena a Sua vontade.





Sou católico, graças a Deus!




O relato da Morte de Cristo, do ponto de vista de um médico




Dr. Barbet, médico francês.




Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.





Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo.
Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela.


Jesus entrou em agonia no Getsemani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra’.




O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.


O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus.




Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.





Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.




Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.




Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.




Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).




Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso, é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso.




Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.





O sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apoiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente.




O nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência.




Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.





O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.





Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.




Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.




Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.




Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.
Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável!




Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”.




Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morre. Em meu lugar e no seu.





Leia Mais: http://padom.com.br/o-relato-da-morte-de-cristo-do-ponto-de-vista-de-um-medico-frances#ixzz1ELG3K7rI

Papa preside funções litúrgicas da Paixão de Cristo


Nesta Sexta-Feira Santa, 22, o Papa Bento XVI presidiu as funções litúrgicas da Paixão de Cristo, na Basílica de São Pedro, no Vaticano. A homilia, como em todos os anos, foi confiada ao pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.Em seu discurso, Raniero destacou que a morte de Cristo não testemunha apenas a verdade, mas o Seu amor pela humanidade. O pregador explicou ainda que este amor se revela na cruz e que esta não é um juízo de Deus sobre o mundo ou simplesmente uma denúncia do pecado, mas é um "sim" de Deus ao homem: "Não, não é um 'não' de Deus ao mundo, mas o seu 'sim' de amor".


"Não pode ser assim tão envenenado o sofrimento humano, não pode ser apenas negatividade, perda, absurdo, se o próprio Deus escolheu prová-lo". Foi assim que o pregador da Casa Pontifícia ressaltou que o próprio Cristo se fez pecado pela humanidade para provar a esta que "no fundo do cálice deve haver uma pérola", ou seja, a Ressurreição.

Ele enfatiza que, a partir da fé na Ressurreição de Jesus, não se pode pensar que a vida acaba aqui e não teria um sentido maior depois da morte. Caso contrário - ressalta o frei capuchinho -, seria "desesperador" pensar nas bilhões de pessoas que morrem ou sofrem com as situações de injustiça social e pobreza. "A morte não só elimina as diferenças, mas as derruba", acrescenta, ao indicar que, após a morte, não haverá distinção social, religiosa e política.
Ao citar as palavras do Papa João Paulo II - "Sofrer significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus, oferecidas em Cristo à humanidade" -, Cantalamessa esclarece que o sofrimento dos inocentes é unido à cruz de Cristo de modo misterioso, conhecido aó a Deus.


Canção Nova/Roma


Frei Raniero Cantalamessa também tratou de temas atuais em sua pregação

Temas atuais na pregação

Além das meditações acerca do sofrimento e da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, Raniero Cantalamessa tratou de temas muito atuais, como os terremotos que atingiram o Japão, ameaças aos cristãos em país asiático, sucesso do filme francês "Homens e Deuses" e o assassinato do ministro pasquistanês católico, Shahbaz Bhatti, no último dia 2 de março.

Ao mencionar tais assuntos, o pregador pretendeu enfatizar os testemunhos de fé, mesmo entre aqueles que não são cristãos. Ele ressalta que as catástrofes naturais e perseguições religiosas não são um castigo de Deus, pois seria ofender a Deus e os homens, contudo constituem um alerta: "A advertência de não se iludir que bastam a ciência e a técnica para se salvar. Se não formos capazes de estabelecer limites, podemos nos tornar (...) a ameaça mais grave de todas".

E sobre a situação no Japão, Cantalamessa deixou uma mensagem de esperança: "Podemos dizer a esses nossos irmãos em humanidade que estamos admirados por sua dignidade e exemplo de postura e ajuda mútua que deram ao mundo. A globalização tem ao menos este efeito positivo: a dor de um povo se torna a dor de todos, suscita a solidariedade de todos. Dá-nos a chance de descobrir que somos uma família humana, ligada no bem e no mal. Ajuda-nos a superar as barreiras de raça, cor e religião".



Por fim, o pregador pontifício recordou que houve um terremoto no momento da morte de Cristo e um outro maior ainda em Sua Ressurreição, que deu a garantia da vida nova: "Assim será sempre. A cada terremoto de morte sucederá um terremoto de ressurreição de vida".

Pela 1ª vez, Papa responde a perguntas do público na TV



O Papa Bento XVI respondeu a perguntas de uma criança do Japão, de uma mulher muçulmana da Costa do Marfim e de uma mãe com um filho em coma durante o primeiro diálogo televisionado com o público, transmitido nesta Sexta-Feira Santa.

O programa de TV, chamado "Em Sua Imagem", foi transmitido pela televisão italiana à tarde (manhã no horário de Brasília), por volta do horário em que se acredita que Cristo teria morrido na Sexta-Feira Santa. Foram feitas ao Papa sete perguntas de participantes selecionados ao redor do mundo.

Seguindo o formato dos programas de auditório italianos, a atração incluía respostas gravadas anteriormente pelo Papa, que falava através de um vídeo com pessoas de outros países.

Para uma menina de 7 anos de idade no Japão, que pediu que o Papa explicasse o sofrimento do país após o terremoto e o tsunami de 11 de março que matou ao menos 28 mil pessoas, Bento XVI falou de Jesus e disse que o sofrimento não foi em vão.

"Nós não temos todas as respostas, mas sabemos que Jesus sofreu como vocês", disse o Papa.

Papa Bento XVI preside Via Sacra no Coliseu de Roma

O Papa Bento XVI presidiu nesta sexta-feira (22), no Coliseu de Roma, a tradicional Via Sacra. E este ano foi dedicada à crise do homem moderno.
Como ocorreu no ano passado, o Papa, que fez 84 anos no dia 16 de abril, acompanhou da colina do Palatino boa parte da Via Sacra, sem percorrer a pé as 14 estações. No final, Bento XVI se uniu à celebração, mas não carregou a cruz.
A Via Sacra teve início às 21h15 locais (17h15 de Brasília) e este ano durou menos de duas horas.
O Papa encarregou a redação das meditações lidas durante as 14 estações à religiosa Maria Rita Piccione, presidente da Fundação das Freiras Augustinas.
Esta foi a primeira vez que Bento XVI entregou a redação das meditações da Via Sacra a uma mulher.


O Papa Bento XVI preside a Via Sacra nesta sexta-feira (22) em Roma (Foto: AP) O Papa Bento XVI preside a Via Sacra nesta sexta-feira (22) em Roma (Foto: AP)
As meditações foram inspiradas no pensamento de Santo Agostinho (354-430), uma das referências de Bento XVI, que se graduou como teólogo, em 1953, com uma tese sobre a doutrina da Igreja segundo este santo.
O texto denuncia "a perseguição contra a Igreja de ontem e de hoje", que "mata cristãos em nome de um Deus estranho ao amor, e que ataca a dignidade com mentiras e palavras arrogantes".
"É a hora das trevas (...) as várias máscaras da mentira enganam a verdade e as ilusões do sucesso afogam o apelo íntimo à honestidade", destaca.
Este ano, a cruz foi carregada nas 14 estações do calvário por uma família romana, de cinco filhos, incluindo gêmeos, outra família, etíope, e uma menina egípcia.
A maior parte da cerimônia foi oficiada pelo cardeal italiano Agostino Vallini, vigário de Roma.


A Via Sacra foi acompanhada por numerosos peregrinos, que carregavam tochas, e transmitida pela TV para vários países do planeta.

Sobre a paixão - São Leão Magno

Uma vez erguido da terra, atrairei tudo a mim» (Jo 12,32).



Oh poder admirável da cruz! Oh glória inefável da Paixão! Ali se encontra o tribunal do Senhor, ali o julgamento do mundo, ali o poder do crucificado!

Tudo atraíste a ti, Senhor, e quando, «durante um dia inteiro, estendias as tuas mãos a um povo incrédulo e rebelde» (Is 65,2; Rm 10,21) todos receberam a inteligência para confessar a tua majestade.

Tudo atraíste a ti, Senhor, porque todos os elementos da natureza pronunciaram a sua sentença..., a criação inteira recusou servir os ímpios (Mt 27,45s).

Tudo atraíste a ti, Senhor, porque, quando o véu do Templo se rasgou, o símbolo do Santo dos Santos manifestou-se verdadeiramente... e a Lei antiga conduziu ao Evangelho.

Tudo atraíste a ti, Senhor, a fim de que o culto de todas as nações seja celebrado por um sacramento pleno, finalmente manifestado...

Porque a tua cruz é a fonte de todas as bênçãos, a origem de todas as graças. Da fraqueza da cruz, os crentes recebem a força; do seu opróbrio, a glória; da tua morte, a vida.

Com efeito, agora a diversidade dos sacrifícios chegou ao fim; a oferenda única do teu corpo e do teu sangue consome todas as diferentes vítimas oferecidas no mundo inteiro, porque tu és o verdadeiro Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo (Jo 1,29). Tu completas em ti todas as religiões de todos os homens para que todos os povos não sejam mais do que um só Reino.

Entenda o significado do beijo na Cruz na Sexta-feira Santa


Em todo o ano, existe somente um dia em que não se celebra a Santa Missa: a Sexta-Feira Santa. Ao invés da Missa temos uma celebração que se chama Funções da Sexta-feira da Paixão, que tem origem em uma tradição muito antiga da Igreja que já ocorria nos primeiros séculos, especialmente depois da inauguração da Basílica do Santo Sepulcro e do reencontro da Santa Cruz por parte de Santa Helena (ano 335 d.C.).

Esta celebração é dividida em três partes: a primeira é a leitura da Sagrada Escritura e a oração universal feita por todas as pessoas de todos os tempos; a segunda é a adoração da Santa Cruz e a terceira é a Comunhão Eucarística, juntas formam o memorial da Paixão e Morte de Nosso Senhor. Memorial não é apenas relembrar ou fazer memória dos fatos, é realmente celebrar agora, buscando fazer presente, atual, tudo aquilo que Deus realizou em outros tempos. Mergulhamos no tempo para nos encontrarmos com a graça de Deus no momento que operou a salvação e, ao retornarmos deste mergulho, a trazemos em nós.

Os cristãos peregrinos dos primeiros séculos a Jerusalém nos descrevem, através de seus diários que, em um certo momento desta celebração, a relíquia da Santa Cruz era exposta para adoração diante do Santo Sepulcro. Os cristãos, um a um, passavam diante dela reverenciando e beijando-a. Este momento é chamado de Adoração à Santa Cruz, que significa adorar a Jesus que foi pregado na cruz através do toque concreto que faziam naquele madeiro onde Jesus foi estendido e que foi banhado com seu sangue.

Em nosso mundo de hoje, falar da Adoração à Santa Cruz pode gerar confusão de significado, mas o que nós fazemos é venerar a Cruz e, enquanto a veneramos, temos nosso coração e nossa mente que ultrapassa aquele madeiro, ultrapassa o crufixo, ultrapassa mesmo o local onde estamos, até encontrar-se com Nosso Senhor pregado naquela cruz, dando a vida para nos salvar. Quando beijamos a cruz, não a beijamos por si mesma, a beijamos como quem beija o próprio rosto de Jesus, é a gratidão por tudo que Nosso Senhor realizou através da cruz. O mesmo gesto o padre realiza no início de cada Missa ao beijar o Altar. É um beijo que não pára ali, é beijar a face de Jesus. Por isso, não se adora o objeto. O objeto é um símbolo, ao reverênciá-lo mergulhamos em seu significado mais profundo, o fato que foi através da Cruz que fomos salvos.

Nós cristãos temos a consciência que Jesus não é apenas um personagem da história ou alguém enclausurado no passado acessível através da história somente. "Jesus está vivo!" Era o que gritava Pedro na manhã de Pentecostes e esse era o primeiro anúncio da Igreja. Jesus está vivo e atuante em nosso meio, a morte não O prendeu. A alegria de sabermos que, para além da dolorosa e pesada cruz colocada sobre os ombros de Jesus, arrastada por Ele em Jerusalém, na qual foi crucificado, que se torna o simbolo de sua presença e do amor de Deus, existe Vida, existe Ressurreição. Nossa vida pode se confundir com a cruz de Jesus em muitos momentos, mas diante dela temos a certeza que não estamos sós, que Jesus caminha conosco em nossa via sacra pessoal e, para além da dor, existe a salvação.

Ao beijar a Santa Cruz, podemos ter a plena certeza: Jesus não é simplesmente um mestre de como viver bem esta vida, como muitos se propõem, mas o Deus vivo e operante em nosso meio.


*Pe. Antonio Xavierhttp://www.cancaonova.com/
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