terça-feira, 29 de janeiro de 2013
A fé guardada, transmitida e celebrada na Liturgia.
Da Constituição ''Sacrossanctum Concillium'' sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II (Séc.XX)
''A Igreja, seguindo a tradição dos apóstolos cuja origem remonta ao próprio dia da ressurreição, celebra o mistério pascal cada oito dias, que por isto chama dia do Senhor ou domingo. Neste dia devem os fiéis reunir-se para escutar a palavra de Deus e participar da eucaristia, a fim de se lembrarem da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus (...). Assim é o domingo a festa primordial e, como tal, seja apresentado e inculcado à piedade dos fiéis para que se lhes torne dia de alegria e de descanso dos trabalhos. Todas as outras celebrações, a não ser que sejam realmente de máxima importância, não passem à sua frente porque é o fundamento e o cerne de todo o ano litúrgico.''
Uma particular diligência para duas grandes expressões desta Sagrada Constituição:
* A primeira: ''A Igreja seguindo a tradição dos apóstolos cuja origem remonta ao próprio dia do Senhor.''
Vejamos como a fé que recebemos é importante. Ela remonta dos doze colunas. Isto é a Tradição Apostólica. Cremos por uma ''transmissão'' de uma geração para outra geração. Nós, cristãos do século XXI, recebemos um legado de fé por meio do perene testemunho desde Pedro a João que foram ao túmulo, no dia terceiro, como Maria de Magdala, que, segundo o Evangelho diz: ''Eu vi o Senhor!'' Desde das primeiras comunidades cristãs que firmavam-se no alicerce da fé cristã e apostólica: ''O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!'' Com esta verdades de fé, vemos, o quanto é genuíno e ininterrupto aquilo que cremos e celebramos nos ritos da Sagrada Liturgia dominical.
* A segunda: ‘’ Neste dia devem os fiéis reunir-se para escutar a palavra de Deus e participar da eucaristia, a fim de se lembrarem da paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus.’’
Esta é a assertiva pela qual nos reunimos todos os domingos. E não é uma reunião para pôr pautas, comentários. É uma reunião de uma ‘’’Assembleia de Eleitos’’ cujas vestes ‘’foram alvejadas no sangue do Cordeiro. É uma Eclésia que se reúne, para, conforme diz a Constituição, ‘’lembrar a paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus.’’ Lembrança para o crente judeu e para nós cristãos é sinônimo de atualização, memória, ‘’anamneses’’. Então, nós, os batizados, somente estes, reúnem-se em solene assembléia para celebrar a Eucaristia. Esta é a única razão pela qual participamos da Ceia Sacrifical do Senhor. E vejamos: isto se dá pela transmissão da reta e sã doutrina oriunda dos apóstolos, dos seus colaboradores.
Encontra-se nas atas de São Justino, Bispo e Mártir, no século segundo, do início da crua perseguição aos seguidores do ‘’Caminho’’, o Cristianismo: ‘’ “Reunimo-nos todos no dia do Sol [o primeiro dia da semana era denominado de dia de Sol no Império Romano até o século IV], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração” (Justino I – Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431).
Esta é a fé da Igreja e nós ora pela Batismo ; ora pela transmissão participamos. A fé de sempre, guardada pelo precioso depósito confiado a Pedro, aos seus sucessores e aos Colégio Universal dos Bispos.
sábado, 26 de janeiro de 2013
IIIºDomingo Comum- Ano B
Caros irmãos na fé trinitária: graça
e paz da parte de Deus, nosso Pai e de Jesus Cristo nosso Senhor. Eis que no
peregrinar do Ano Eclesiástico fazemos solenemente a atualização dos mistérios
da nossa salvação executados pelo Cristo, o Filho do Deus vivo como pudemos
vislumbrar, recentemente, o admirável intercâmbio dos céus com a terra, quando,
por libérrima e arcana vontade da Trindade Santíssima o ‘’Logos’’ fez-se carne
nas entranhas fecundíssimas de Maria Virgem, a Mãe de Deus, e ‘’armou a Tenda em
nosso meio’’; ou seja, é um de nós, da raça de Adão, exceto no pecado.
Magnânima verdade,
celebramos, com a Santa Igreja ao transcorrer do curtíssimo, mas mui
significativo Tempo do Natal. Posteriormente a este, iniciamos o Tempo
Ordinário, conhecido como o ‘’Tempo Comum’’. Qual é o significado? O que
representa para a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo? São demasiadas amplas as
respostas. Elas estão na literatura da Sagrada Escritura, os Santos Evangelhos,
os sinópticos e o solene Evangelho segundo São João. Na oração ‘’super-oblata’’,
da Sagrada Liturgia do 2º do Tempo Comum, está, ainda que compendiada, a
resposta. Diz o sacerdote: ‘’Concedei-nos, ó Deus, a graça de participar
constantemente da Eucaristia, pois, todas às vezes que celebramos este
mistério, torna-se presente a nossa redenção.’’
É isto mesmo! Celebrar a Sagrada Páscoa do Senhor
até que venha o seu derradeiro advento, na glória dos céus. Ademais, como já
referimos, no Tempo Ordinário é posta a tônica de toda a ação messiânica de
Jesus; os prodígios e obras portentosas executadas na força do Espírito Santo
durante os três anos quando do seu ministério de Máximo Pontífice entre os
homens e o Pai, logo, a Igreja, sabiamente dividiu em três anos (A) São Mateus,
(B) São Marcos e (C) São Lucas cujo Ano Litúrgico celebramos desde o primeiro
do Tempo do Advento.
À partir da óptica teológica
deste evangelista e apóstolo, escutaremos, com profundidade ‘’quem foi Jesus de
Nazaré,’’ já observada noutro livro de sua autoria, os Atos dos Apóstolos: ‘Jesus
de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por
toda parte fazendo o bem e curando a
todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele.’’
Após consideráveis ponderações, adentremos
à atmosfera da Liturgia da Palavra deste domingo; o terceiro do Tempo Comum.
Conferir: (Ne VIII, 2-4 a 5-6.8-10; Sl XVIII; I Cor XII, 12-30; Lc I, 1-4; IV,
14-21). Com a Igreja cantamos: ‘’ A Lei do Senhor Deus é perfeita, conforto
para alma! O Testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes; os preceitos
de Adonai são precisos, alegria ao coração. O mandamento de Adonai é brilhante,
para os olhos é uma luz.’’ (cf. Salmo Responsorial)
A Lei de Deus é a vida do homem, pois ela permanece nas veneráveis
Escrituras é imutável e perene desde quando fora confiada aos nossos ancestrais
na fé, ou seja, o Povo da Antiga Aliança conforme lemos no Livro do
Deuteronômio e alhures: ‘’Ouve, ó Israel: Adonai nossos Deus é o único Adonai!
Portanto, amarás Adonai teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e
com toda a tua força.’’ (cf. Dt5) Nesta tão especial profissão de fé dos nossos
irmãos, os judeus; encontra-se a sinopse de todos os preceitos.
A Lei, consiste em ‘’shemá’’
(ouve) Israel! Escuta! Presta bem atenção! ‘’Eu sou o Senhor, teu Deus!’’ Não
houve antes de mim algum outro e não haverá! Eu sou o Deus que fez o êxodo dos
teus pais da casa da escravidão! Destarte, amar a Deus é, como diz são Paulo, ‘’
a plenitude da lei.’’
Na primeira leitura ouvimos de maneira solene a leitura da ‘’Torah’’ da
Lei de Moisés feita pelo escriba Esdras. É o nascimento da religião de Israel.
A Palavra de Deus que é a vida dos homens. No quadro que a Escritura nos
reserva hoje, deparamo-nos com uma Liturgia! Nesta, encontra-se uma assembleia
de crentes composta por homens e mulheres. Todos põem-se de prontidão em ouvir
a ‘’Lei do Senhor’’ pois esta é mais ‘’adocicada que o mel sai dos favos das
abelhas!’’. Afirma o autor sagrado: ‘’(...) todo o povo ficou de pé(...) e
respondeu, levantando as mãos: ‘’Amém! Amém! Depois inclinaram-se e prostraram-se
diante do Senhor, com o rosto em terra.’’ Ainda ressalta-se: ‘’Este é um dia
consagrado ao Senhor, vosso Deus!’’ Ide para vossas casas e comei carnes
gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois
este dia é santo para o nosso Senhor.’’
A experiência com a suma Caridade sempre
desembocará no amor ao próximo conforme assinala Santa Agostinho: ‘’Vês a
Caridade? Vês a Trindade!’’ As palavras do sacerdote Esdras ‘’reparti com
aqueles que nada prepararam’’ revela que a Lei de deus é autenticada no amor fraterno
e puramente gratuito, desinteressado!
Na segunda leitura, da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, o
apóstolo desenvolve, numa linguagem conotativa, a realidade da Igreja de Cristo e dos seus
batizados. Logo, utilizar-se-á das nomenclaturas ‘’corpo e membros’’. A palavra
do Apóstolo das gentes é mister para melhor compreendermos que fomos inseridos
no ‘’Cristo’’ pela água do Batismo e pelo espírito santo e formamos uma
comunidade de eleitos. ‘’Vós, todos juntos, sois membros desse corpo.’’ Devemos
honrar aquilo que fomos feito: cristãos! Na unidade somos cristãos, pois, onde
estivermos (o estado da nossa vocação diante da sociedade) há, aí, a presença
da Igreja o ‘’Corpo’’ expressa pelo membro-batizado, por conseguinte de Cristo,
como que a Cabeça que tudo governa e os demais irmãos na fé comum recebida.
No Evangelho, estamos ao
limiar da obra literária de São Lucas. Atentemo-nos a este, digamos assim, ‘’Prefácio’’:
‘’Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se
realizaram entre nós, como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o
princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra. Assim sendo, após
fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio.(...)’’ Ao depararmo-nos
com este prolegômenos, é-nos, de antemão, colocada a verdade: Jesus de Nazaré,
o Filho de Deus, não é uma estória, uma crônica, um conto fabuloso com finais
mirabolantes, não é o principezinho que se transforma em sapo e tampouco a
carruagem que virá abóbora. Jesus de Nazaré é
o evento de salvação pelo mistério de sua encarnação e da sua Páscoa.
Lucas usa um vocábulo que assegura a plena verdade: ‘’Transmitidos’’. Por quem?
Pelos ‘’que comeram e beberam com Jesus’’. A nossa fé é puramente uma
transmissão de descendência a descendência. De quem conviveu ouviu e conclamou.
Não temos uma fé nova e tampouco envelhecida, mas sempre presente e vivificante
com o testemunho dos primeiros nosso irmãos!
Vai Jesus a Nazaré, a cidade
onde se tinha criado e adentra a sinagoga em dia de sábado. Atentemo-nos: Nosso
Senhor não entra nesse edifício como os demais rabis e escribas. Entra para ‘’plenificar
a Lei e, através da leitura do profeta Isaías revelar-se. Eis! É Ele o Messias
prometido à casa de Davi! É o ‘’ungido pelo Espírito Santo’’ como Filho de Deus
que veio trazer a liberdade e a salvação para toda a humanidade. Jesus tão mais
que Esdras diz: ‘’O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou
com a unção’’. É o ministério apostólico de Cristo, a sua santa missão que,
como já sabemos, culminará na obra redentora do sagrado madeiro! Veio como ‘’luz
para as nações’’, para quem se achava perdido, ‘’uma luz resplandeceu’’ nas
trevas do homem, morto pelo pecado. ‘’Todos os que estavam na sinagoga tinham
os olhos fixos nele.’’ É isto mesmo! Chegou os últimos tempos porque o Pai ofereceu
o seu Filho como havia desde todo o sempre prometido!
Quanto a nós vivamos consoante
o seu projeto de amor, de modo que, um dia, participemos da comunhão dos
santos!
sábado, 12 de janeiro de 2013
**FESTA DO BATISMO DO SENHOR**- ÚLTIMO DOMINGO DO NATAL E PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO ORDINÁRIO
‘’Batizado o Senhor, os céus se abriram, e o Espírito Santo pairou sobre ele sob a forma de pomba. E a voz do Pai se fez ouvir: Este é p meu Filho muito amado, nele está todo o meu amor. ’’ (cf. Antífona da Entrada, MISSAL ROMANO) Irmãos caríssimos, são com tais palavras que o sacerdote inicia a celebração litúrgica deste domingo; tido como o último do Tempo do Natal e, neste tempo litúrgico, a última das epifanias do nosso Divino Salvador. Desde o dia do Natal é-nos dada a graça de contemplar a manifestação do Amor de Deus em o seu Unigênito. Vemos com precisão, tamanha verdade, às palavras da segunda leitura, extraída da Epístola de São Paulo a Tito, que a Igreja proclamou na Missa da Noite: Manifestou-se a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pelos homens: Ele salvou-nos (...) por sua misericórdia, quando renascemos e fomos renovados no batismo pelo espírito Santo, que ele derramou abundantemente sobre nós por meio de nosso Salvador Jesus Cristo.
A hodierna festa litúrgica é uma referência ao limiar do ministério messiânico de Jesus de Nazaré. Este Evento pode ser muito bem notável nos Evangelhos sinóticos; o que, no quarto Evangelho, segundo São João é mostrado de maneira solene quando das Bodas nupcial em Caná da Galileia. Perguntemo-nos: Qual é o mistério do Batismo do Senhor? Por que acorre Ele, ‘’o Justo, o Santíssimo, o Inocente, o Imaculado, o Filho de Deus, a quem, neste Tempo do Natal, pudemos com a Igreja, expressar a bimilenar fé, afirmando Ele ‘’ser consubstancial ao Pai’’, e pede o batismo que João Batista ministrava? Por quê quis, Nosso Senhor, ser batizado, ‘’que viveu em tudo a nossa humanidade, exceto o pecado?’’
É um mistério grandíssimo! Sublime! Tenhamos a nossa atenção devotada às palavras da Oração do Dia desta Sagrada Liturgia: ‘’ Deus eterno e todo-poderoso sendo o Cristo batizado no Jordão, e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar constantemente em vosso amor.’’ Nesta solene oração, encontramos o miolo fundamental desta Santa e Divina Liturgia. Cristo adentra às águas do Jordão porque, de fato, é Ele quem alvejará a humanidade decaída pelo pecado original. Sim! SIM! Não é água do Jordão que lavara o Cristo; como muitos que se aproximavam de João, o batizador e que segundo as veneráveis escrituras ‘’confessavam os seus pecados e eram batizados por João no Jordão.’’ Em Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, aquele outrora rito de ablução, ganha um pleno e real significado, pois como bem diz São Paulo que ‘’Cristo é Aquele que possui a plenitude universal’’.
Neste dia, Cristo banhado, lavado nas águas já santificadas do Jordão, nasce o Sacramento do Batismo. O ritual de purificação ganha a dignidade de sacramento. É sabido disto nas palavras do Evangelho de São Marcos: ‘’Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. ‘E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele’.’’ Como ganha tal dignidade? Na misteriosa voz que se ouve e outrossim o elemento da pomba. Eis: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer.’’ Que hora santíssima! Pondo-se o nosso Salvador, na fileira daqueles penitentes, assinala que ‘’veio salvar o que estava perdido’’. Esta é a causa da sua encarnação no seio de Maria Virgem, ademais quando é mergulhado na água. Cumpre-se, digamos assim, o que dissera o Profeta Isaías: ‘Meu servo, o justo, fara justos inúmeros homens.’’ Nosso Senhor assumindo a nossa condição humana sepulta com a sua santíssima humanidade o julgo do pecado original, por isso replica quando João Batista lhe indaga: ‘’Eu preciso ser batizado por ti e tu vens a mim.’’ Diz-lhe: ‘’Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça.’’ Admoesta-nos o Papa Bento XVI analisando preciosíssima resposta quão mistérica: ‘’Justiça é, neste mundo, no qual Jesus está, a resposta do homem à Tora, aceitar toda vontade de Deus, levar o ‘jugo do reino de Deus’, (...) expressão para o ilimitado sim à vontade de Deus, como acolhimento obediente do seu jugo.’’ (cf. Jesus de Nazaré, do Batismo no Jordão à Transfiguração; p. 33)
Pronto! Notamos que o Batismo de Jesus é um prelúdio do que acontecerá quando a sua ‘’hora’’ chegar. De fato, é na árvore da obediência, na cruz, que acontece o Batismo de Cristo é lavado ele como seu sangue santíssimo para o homem encontrar a redenção. Parafraseando o Apóstolo, é em Cristo morto e ressuscitado que fomos batizados. Caros e estimados irmãos, só a partir desta verdade, que é o Mistério Pascal, podemos entender os gestos acontecidos lá no Jordão. Quando Jesus é mergulhado é sinal da sua morte, da sua sepultura que garantir-nos-á a imortalidade. E o que pensar da voz e da pomba?
Ei-los: naquela voz testifica-se que Aquele homem é o Ungido do Senhor, o servo, que a primeira leitura da missa hoje nos apresenta. A pomba é sinal do Espírito Santo que confirmará todo o agir messiânico do Filho de Deus. Aquela é lembrada e vista, a primeira vez, no dilúvio, simbolizando o término e o recomeço duma nova criação, a partir daqueles que foram salvos e encontravam-se na arca. Qual é esta nova criação? Quem é esta arca? Eis pois: o Batismo e a Igreja. A humanidade é afeita pelo Mistério Pascal do Divino Pelicano, cuja perpetuação e sinal visível é a água do Batismo jorrada uma única vez do coração do Cordeiro de Deus imolado no alto do Gólgota.
Os Sermões de São Proclo de Constantinopla nos ensina: ‘’Prestai atenção, contemplai o novo e admirável dilúvio, maior e mais poderoso que o do tempo de Noé. No primeiro dilúvio, a água fez perecer o gênero humano, agora, porém, a água do batismo, pelo poder daquele que foi batizado por João, chama os mortos para a vida. No primeiro dilúvio, uma pomba, trazendo no bico um ramo de oliveira, anunciava o odor da suavidade de Cristo; agora, o espírito Santo, vindo em forma de pomba, mostra-nos o Senhor cheio de misericórdia.’’ Esta tão santa manifestação do Filho de Deus deve ser, de maneira tal, absorvida por nós, porque nos tornamos cristãos. No dia do nosso Batismo a pia batismal, o grande útero da Senhora e mãe católica, a Igreja, nos gerou para a vida do alto, por esta razão que misteriosamente dissera Jesus a Nicodemos: ‘’Em verdade, em verdade vos digo: se não nasceres da água e do Espírito Santo não poderá entrar no Reino do Céus.’’ Foi-nos ofertado o germe da vida eterna pela virtude da fé, da esperança e da caridade, recebida naquela dia. Tornamo-nos outros Cristos, logo são entendidas as palavras do sermão das Bem-aventuranças: ‘’Vós sois o sal da terra! Vós sois a luz do mundo!’’
Oxalá esta inserção nossa à família de Deus que é a Igreja nos faça merecedores do prêmio eterno, do qual, o penhor é a Páscoa de Nosso senhor Jesus Cristo e a graça batismal que a Igreja tal como uma mãe zelosa nos mereceu. Que o Deus-Messias, cuja Epifania no batismo, hoje celebramos, faça-nos na força do santo Espírito suas fieis testemunhas, destarte estaremos espalhando o ‘’Seu bom odor.’’ A Ele, o ‘’primogênito dentre os mortos’’, a glória e a eternidade pelos séculos dos séculos. Amém!
sábado, 5 de janeiro de 2013
**Solenidade da Epifania do Senhor!**
Caros
irmãos, ainda imersos às alegrias do singular evento da Encarnação do Verbo
sempiterno, Nosso Senhor Jesus Cristo, voltamo-nos para o presépio e eis, que
hoje, encontramos a Sagrada Família e, dentre muitos, os sábios magos oriundos
do Oriente; e da boca da Igreja escutamos, como é bem expressa a Antífona da
Entrada da Missa de hoje: ‘‘Eis que veio o Senhor dos senhores, em suas mãos, o
poder e a realeza.’’ Celebramos hoje a
Solenidade da Epifania do Senhor. Do grego, ‘’Θεοφάνεια’’, significa
etimologicamente, ‘’manifestação, aparição, revelação.’’ Sabido disto, é, pois,
a Manifestação do Senhor a todo o mundo. Aquele lá das alturas, toma a nossa
forma humana, a nossa visibilidade, ou seja, é próximo de nós, o Divino
companheiro, Emanuel, Deus conosco!
Este
arcano desígnio de salvação é expresso em todos os textos que a Liturgia da
Palavra nos apresenta. Vejamos as palavras de Isaías profeta: ‘’Levanta-te,
acende as luzes Jerusalém, porque chegou a tua luz apareceu sobre ti a glória
do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os
povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti.’’
À priori é a imagem que encoraja o Povo de Israel à volta da peleja e severa
servidão na Babilônia. Longe do Templo, imersos na idolatria, destarte
abandonando-o o Deus Bendito dos seus pais.’’
Continua o Profeta: ‘’ Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de
tua aurora... Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo
forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de
suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te
cobrir; virão todos os de Sabá trazendo ouro e incenso e proclamando a glória
do Senhor.’’ Esta exortação fora dirigida ao povo da primitiva aliança, pois
voltavam para a Cidade de Sião, a Jerusalém santa, para adorar o Deus Santo que
bem fez todas as coisas!
Nestes tempos, que são os últimos, tomamos o
Antigo Testamento, e nele, observamos as adversas epifanias feitas pelo senhor
na paulatina história da salvação. As alianças sancionadas, a aparição a Moisés
na visão da sarça, faz-nos lembrar o ensinamento de Santo Agostinho, contido no
Catecismo da Igreja Católica, nº 2055- ‘’ Novum in Vetere latet in Novo Vetus
patet’’- o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é
desvelado no Novo. Como somos cônscios, iluminados pela Palavra de Deus e pelo
Magistério Apostólico, a plenitude da Revelação é o Verbo encarnado, esta é,
por antonomásia a epifania de Deus entre povos, como canta hoje o Salmo setenta
e um: ‘’As nações de toda terra hão de
adorar-vos, ó Senhor. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as
nações hão de servi-lo.’’ Pois bem: Quem é Jerusalém? É a Igreja, os batizados, que iluminados pelo
fulgor da Luz, tornam-se reflexos seus para o mundo descrente, como disse o
mesmíssimo profeta, NA Solene Noite de Natal: ‘’O povo, que andava na
escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma
luz resplandeceu. Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho.’’
A hodierna Solenidade
revela-nos que somente Deus é o Senhor dos senhores. Esta verdade é-nos
colocada pelo Evangelho quando da atitude dos magos: ‘’ Ao verem de novo a
estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa,
viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram.’’ A
adoração é uma atitude de reconhecimento
do senhorio de Cristo diante daquilo que somos. Outro dado importante é o que
encerram-se em seus cofres: o ouro, o incenso e a mirra. Quais os sinais desta
dádiva? São símbolos que anunciam a verdade do Infante-Deus. O ouro: Ele é Rei
do Universo. O incenso: Ele é Deus; o soberano ‘’que supera todos os deuses,
pois um nada são os deuses dos pagãos. Bem diz o salmista:’’ Têm olhos, mas não
podem ver’, têm ouvidos mas não podem ouvir, têm nariz mas não podem cheirar,
têm boca, mas não podem falar” e uma especial atenção à mirra. Esta é sinal da
Paixão, do fel, do vinagre dado, da glória do martírio cruento, que aguarda o
Divino Infante.
À segunda leitura,
da Carta de São Paulo aos Efésios, (cf. Ef 3, 2sg.), diz o Apóstolo: ‘’Este mistério, Deus não o fez conhecer aos
homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos
seus apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros
do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do
Evangelho.’’ O referido mistério é a
Revelação plena de Deus em o seu Unigênito, sim, Aquele mesmíssimo, que, como
diz São João, ‘’estava na intimidade do Pai’’,
manifesta-se para salvar o homem da imundície do pecado, por isso mesmo
diz São Paulo que ‘os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do
mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do
Evangelho.’
Celebrar a
Epifania do Senhor é reconhecer no Filho de Deus, a ‘imagem do Deus invisível’’,
que, tendo se manifestado a todos os
povos para salvá-los, já levou, a nossa humanidade redimida, quando ascendeu ao
mais alto dos céus! Vamos pois e o Adoremos, Aquele que é, foi e será!
sábado, 29 de dezembro de 2012
Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José-Oitava do Natal do Senhor.
Caríssimos
irmãos e irmãs, ‘’graça e paz da parte de Deus, o Pai e do Senhor nosso Jesus
Cristo esteja convosco!’’
Robustecidos pela feliz boa notícia que celebramos:
‘’Hoje, na cidade de Davi, a Belém de Éfrata, nasceu-nos um Menino, um Filho
nos foi dado, o seu nome é Emanuel, o Deus-conosco’’ é Natal de Nosso Senhor
Jesus Cristo! E hoje, neste Domingo, na
Oitava do Natal, alegramo-nos reverenciando a Sagrada Família de Nazaré que
desde à última semana do Advento já começamos a pensar.
Parece uma quimera, em nossos tempos,
marcados profundamente pelos estigmas apregoados pelos representantes da
sociedade civil; afirmando veementemente a total banalização do sagrado, a abolição
dos valores intrínsecos aos pais, o consumo perdulário, o hedonismo, o
panteísmo, a desmoralização, a vidinha fácil, os tipos de famílias, a desgraça
do aborto, tido, segundo uma mentalidade satânica, como problema de saúde
pública, não obstante a tal cenário, celebrar a Festa da Sagrada Família.
Uma realidade é fato: a família é uma
instituição sagrada. Deus em seu arcano e libérrimo desejo quis concedê-la ao homem. Antes de nos determos em Maria e em
José, pensemos na primeira noção de Família que a Escritura nos expõe.
Permanece expressa no Livro do Gênesis. Eia pois: A Santíssima Trindade. No
absoluto mistério trinitário, o Pai, pelo Filho no Espírito e o Pai todo no
Filho, o Filho todo no Pai e o Espírito Santo que procede do amor do Pai com o
Filho, nesta ciranda mistérica, que é belíssima, vislumbramos a Família. Isto
mesmo! Coloquemos aqui a minha e a sua. Eis o desejo de Deus: ‘’Façamos o homem
a nossa imagem e semelhança.’’(Gn1, 26)
No desenvolvimento desta história de salvação, plasma, o Senhor, uma
mulher, visto que esta é exclamada pelo homem, como ‘’ ossos dos ossos e carne
da carne’’ ou seja, é humana. Ambos são designados à constituição da prole
‘’crescei-vos e multiplicai-vos’’, é como se Deus dissesse: dos mortais vocês serão
aqueles que perdurarão as gerações. Pronto! Família é a junção do homem com a
mulher cujo fim primordial é garantir a descendência. Nem mais e nem menos é
isto! Agora perguntemo-nos: Como tal quadro, ainda presente na primitiva
aliança, valida-se? Graças à união do
homem e da mulher elevados à dignidade do Santo Matrimônio. Sim. Por meio deste
sacramento, recebido pela liberalidade dos esposos, a família deve ser
constituída, pois esta é uma das finalidades do mesmo, uma vez que se encontra,
agregado ao sacramento da Ordem, destinado à missão.
Detenhamo-nos neste ínterim á bendita Família de Nazaré. Reza a Igreja,
em sua Liturgia, na Oração de Coleta: ‘’Ó Deus de bondade, que nos destes a
Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares a suas
virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às
alegrias da vossa casa.’’ Vemos na família de Jesus o protótipo perfeito para
as nossas. Partamos do grande evento que é a encarnação do Verbo que celebramos
hoje. Deus que é ‘’Eu sou’’ sempiterno, quis para si uma família humana.
Adentra à história nossa nascido de Maria sempre virgem e quis para si um pai
também. Pensemos na infância de Jesus, os dias ocultos em Nazaré, nos fatos e
nas vicissitudes da existência como que num eloquente silêncio, Deus vai,
paulatinamente, santificando as nossas famílias. Foi assim em Nazaré e o será
por todo sempre. Ao centro das nossas há um lugar que, sem dúvida, deve ser
ocupado por Aquele que tudo rege, por Aquele, que desde sempre, pensava na
salvação da família. É-nos notório aos olhos o quanto a família é degradada
pelos ditames daqueles que querem, a todo custo, ora tornarem-se seus senhores;
ora destruírem como assassinos em série.
As leituras desta Sagrada
Liturgia, são, na verdade, instruções que as famílias cristãs devem pautar as
suas vidas. Vejamos: ‘’Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a
autoridade da mãe. Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados; evita
cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém
que ajunta tesouros.’’ (Eclo 3) Estas exortações são consideradas bênçãos. Ela
provém do alto, do Coração de Deus. É lamentável em nossos dias vermos o
dissabor existente entre as famílias: pais e mães em querelas, filhos
desentendidos. Sim esta é uma astúcia de Satanás, uma vez que é nela que as
vocações são nascidas, sobretudo o sacerdócio e o matrimônio.
Na segunda leitura, extraída da carta de
São Paulo aos Colossenses há um período que é o miolo para bem vivermos no seio
familiar. Escutai só o que diz o apóstolo: ‘’Amai-vos uns aos outros, pois o
amor é o vínculo da perfeição.’’ A família não é perfeita, outrossim não
existe a melhor família, mas o que a
caracteriza verdadeiramente é a prática do amor, porque é justamente ele que
santificará os membros que a compõe.
Atentemo-nos! Não o amorzinho fácil, todavia àquele, que, com alegoria,
diz São Paulo: ‘’Maridos amai as vossas esposas como Cristo amou a sua Igreja e
por ela se entregou. (Ef 5) Qual é então? É o da cruz! A família é vocacionada
dia a dia a ofertar-se com Cristo e este crucificado! É o vetor para a
santificação, por isso continua o Apóstolo na segunda leitura da missa de hoje:
‘’Maridos, amai as vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos,
obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles
não desanimem.’’ A família, que vive imersa nas mais variadas relações sociais,
é o lugar da presença de Deus, logo o testemunho é primordial ; ‘’Vós sois a
luz do mundo! Vós sois o sal da terra!’’
No Evangelho, extraído de Lucas 2, 41-52, é o texto único, presente na Escritura que
fala de Jesus aos doze anos. Instruído
pela Lei de Moisés vai para o Templo. Atentemo-nos aos pormenores do texto
sagrado: é a Páscoa, a festa dos judeus, ‘’passados os dias da Páscoa, começaram
a viagem de volta, mas o menino ficou em Jerusalém, sem que seus pais o
notassem.’’ Vejamos: o Menino Jesus, o quase adolescente Jesus de Nazaré, de
Maria e de Joset, não se perde propositalmente dos pai ou se perdeu na
multidão. Não! Jesus já anuncia a sua vida pública. Quem o é. Testifiquemos com
a sua resposta: ‘’Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de
meu Pai?’’
Naquele Menino-Deus cumpre-se as Sagradas
Escrituras. Eis o palco dos acontecimentos: Jerusalém. Aí fará a sua Páscoa,
com a paixão, morte e ressurreição. ‘’Três dias’’- sinal da Ressurreição. Quem
é agora o Templo, senão o Filho de Deus, que possui a ‘’plenitude da Divindade’’
Ele que é ‘’a imagem do Deus Invisível’’! Ao término do Evangelho, notamos, a
particular atenção do evangelista. Aquele que é Deus é homem em sua plenitude: ‘’Jesus
desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente... e Jesus crescia
em sabedoria estatura e graça, diante de
Deus e diante dos homens.’’
Nesta festa litúrgica da Sagrada
Família, bendizemos a Deus por nossas famílias, bendizemos também porque com
ela, pelo Batismo, participamos da família de Cristo que a sua Esposa, a
Igreja, e, conforme pediu o sacerdote na Oração inicial de hoje, ‘’unidos pelos
laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa.’’ Ao Menino Deus, em comunhão com o Pai o louvor
e a glória pelo séculos dos séculos!
domingo, 21 de outubro de 2012
XXIXº DOMINGO COMUM- Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos!
Louvado seja Nosso
Senhor Jesus Cristo!
Reunidos
com os Apóstolos na Última Ceia, para que a memória da Cruz salvadora
permanecesse para sempre, ele se ofereceu a vós como cordeiro sem mancha e foi
aceito como sacrifício de perfeito louvor. (Prefácio da Santíssima
Eucaristia, II)
É de importância suma entendermos que a
Santa Missa, a Sagrada Liturgia, é o sacrifício do Redentor Jesus. Demasiado vazio o é compará-la a uma
‘’festinha’’ ou, até mesmo, a interpretação errônea que muitos Lha dão como um
‘’banquete’’. Não! A Missa é o ‘’zikkáron’’ a memória atualizada; presente do
ato salvífico de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como todos os dias escutamos,
segundo as palavras do Senhor, quando antes de torná-lo cruento, o institui
incruentamente, para, assim conosco permanecer, até a parusia no ‘’Dia Final!’’
A Missa é um sacrifício em forma de
banquete. A mesa é o altar. Sim! A lembrança fidedigna da ara do lenho da cruz.
É o lugar por antonomásia da oblação. O Mistério Pascal do Filho de Deus é a
eternidade em meio a nós. Seria muito ínfimo compará-lo às alegrias momentâneas
desta vida de transeuntes. É uma alegria incomensurável da qual não existe, por
mais que busquemos alegorias, da eternidade! Por isso admoesta-nos a Igreja que
a Eucaristia é o penhor da glória futura.
Na
missa dar-te tu, ó Senhor, por inteiro! Todo como estiveste em Maria Virgem,
Todo como estiveste na cruz! Radioso Ressuscitado, Tu que estás à destra do
Pai, ‘’mas, refulges em os nossos tabernáculos como Sacramento da Caridade,
único e mesmo quando da vez que apareceste à Maria, a Pedro, a Dídimo! Hoje nos
aparece no altar, antegozo da vida do alto, para um dia ver-te face a face,
Piedoso Pelicano!
A Liturgia da Palavra deste Vigésimo Nono
Domingo Comum nos apresenta a misteriosa e venerável imagem, no Antigo
Testamento, do ‘’Servo Obediente’’. O quarto cântico, que, todos os anos, na
Semana Santa, a Igreja, pedagogicamente, põe em nossos ouvidos, cujo ápice é
lido na Sexta-Feira da Paixão do Senhor com o cântico quarto, consoante o
Profeta Isaías. Os cânticos do Servo Sofredor é uma literatura riquíssima com uma
adversidade de significados. À princípio trata-se do próprio profeta, depois
caracteriza, justamente, a predileção e o amor de Deus por sua Vinha, por
Israel. Ao vislumbrarmos o mistério da encarnação, paixão e morte do Filho de
Deus, vemos com clarividência o cumprimento dessa tremenda profecia . O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos (...)
fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. Meu servo, o justo, fará justos
inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
No Cristo, o Unigênito, a
vida do gênero humano foi refeita, destarte o sofrimento tornou-se oferta para
a reconciliação e abolição do julgo da Antiga Lei, o pecado original. ‘’A verdade é que ele tomava sobre si nossas
enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um
chagado, golpeado por Deus e humilhado! Mas foi ferido por causa de nossos
pecados, esmagado por causa de nossos crimes; (...) foi maltratado, e
submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha
diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.(...) Sendo contado como um malfeitor;
ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos
pecadores. O Servo, por antonomásia, é também o sacerdote, a vítima e o
altar. Verificamos na Epístola aos
Hebreus: (...) temos um sumo-sacerdote
capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo
como nós, com exceção do pecado. Jesus é o mediador entre nós e o Pai. Sendo exteriormente reconhecido como homem,
humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.
Esvazia-se completamente para encontrarmos no testamento da caridade encerrada
na oferta da cruz, o próprio Deus. Eis a
máxima: De tal modo Deus amou o mundo,
que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas
tenha a vida eterna.
No Evangelho ouvimos o pedido de Tiago e
João, filhos de Zebedeu: Mestre, queremos
que faças por nós o que vamos pedir: Deixa-nos sentar um à tua direita e outro
à tua esquerda, quando estiveres na tua glória. Jesus é duro e solene: Vós não sabeis o que pedis. O que será
pensavam aqueles dois apóstolos? Certamente que Nosso Senhor ao chegar em
Jerusalém destruísse a tirania do Império Romano e tomasse o lugar de
César. Aqueles dois estavam quando no
Monte Tabor, o Senhor, mostrou-lhes a verdadeira glória: sua crua paixão e
radiosa ressurreição. A hora bendita da glorificação do Divino Mestre: a cruz.
Dão-lhe por trono o madeiro, por coroa, espinhos por cetro o trespassar da
lança do soldado. ‘’Este é o Rei dos Judeus!’’ Eis o Rei manso que diferente dos
reis romanos, que passavam sob os basileus, indicando a supremacia, desceu à
planície do sofrimento para subir a’ltura
do Monte Calvário. Jerusalém! Este é o teu Rei! Israel Novo, Igreja,
Cidade do Altíssimo.
Por
acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o
batismo com que vou ser batizado? Jesus, com estas perguntas, anuncia de
modo solene a sua morte, o ‘’dia em que o Esposo será tirado’’ beber o cálice
do escárnio, da amargura como que o fel e o vinagre que lhe deram quando
naquela hora o Cordeiro Pascal era imolado. Na sua suprema agonia ainda pedira
ao Pai que afastasse o cálice da dor, mas, com resiliência total, submeteu-se!
E o Batismo de Jesus? É o seu sangue
derramado até a última gota. ‘’Tudo está consumado!’’ Pronto! Eis o
esclarecimento para quem deseja segui-lo. Derramar-se e quebrar-se por inteiro!
Como diz São Paulo: Faço tudo para ter
parte no Evangelho!
Vós sabeis
que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós
não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo, quem quiser ser o
primeiro seja o escravo de todos. Há lógica nessas palavras de Nosso
Senhor? Vejamos! Não! Esta exortação é
literalmente misteriosa. E ainda o é! César entendê-la-ia? Pôncio Pilatos? Os
fariseus? Os Mestres da Lei? Os Anciãos do Povo? Não! Só pode compreendê-la e
bem-aventurado o é! Quem foi capaz de deixar-se atrair pela força renovadora da
Páscoa do Pelicano Jesus. O que nos recorda esta dita de Jesus ao Colégio dos
Apóstolos, portanto, à Igreja, para nós cristãos? O gesto sacerdotal antecipado
no lava-pés. Depõe o manto e cinge-se com o avental. Ele! O Servo
Obedientíssimo! Sacrossanta lição para nós! Quando pensarmos em nos querermos
cravemos o nosso olhar no madeiro. Lá é o vosso e o meu lugar! Quebremo-nos,
como uma oferta agradável e salutar e assim nos unamos aos benefícios do
martírio do Senhor nosso. Porque o Filho
do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como
resgate para muitos. A obra sacerdotal de Cristo é o seu serviço, ou seja,
a oblação total ao Pai em obséquio do homem. Tal qual o grão de trigo assim
fora o nosso Divino Salvador! Foi até a Ara da Cruz, aonde lá, segundo Santo Agostinho, ''ensinou como Mestre''
domingo, 7 de outubro de 2012
XXVIIºDOMINGO COMUM- ''O que Deus uniu o homem não separe!''
A
Liturgia da Palavra propõe-nos o lecionário do Livro dos Gênesis (cf.2, 18-24),
Salmo 127, a Epístola aos Hebreus( cf. 2, 9-11) e o Evangelho de São Marcos(
10, 2-16). À primeira leitura ouvimos a narração em que após Deus plasmar Adão
à sua imagem e semelhança, outorga-lhe a administração das outras criaturas. ‘’Então o Senhor Deus formou da terra todos
os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como
os chamaria; todo ser vivo teria o nome que Adão lhe desse.’’ Contemplamos
aqui a primazia do homem. Dentre as criaturas, feitas do nada, o ser humano,
dotado de predicativos únicos, a saber: a inteligência, a vontade e a
liberdade, é vocacionado, através do ato criador do amor, a contribuir com o
desenvolvimento do cosmos, cuja mácula do pecado original, sujeitou toda a
criação.
Na
paulatina história da criação aprouve ao Onipotente confiar ao homem, como
afirma o texto sagrado, ‘’uma auxiliar
semelhante a ele’’ diante das obras criadas, nenhuma, ainda, o era
semelhante. Então. Eis! ‘’O Senhor Deus
fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das
costelas e fechou o lugar com carne. Depois, da costela tirada de Adão, o
Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. E Adão exclamou: Desta vez,
sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!’’ Quão misteriosa e
estupenda é esta passagem da Escritura! Como compreendê-la? Qual a via? Qual a
acessibilidade? Ei-la pois: o entranhado e único Amor. Deus, a Trindade
Santíssima!
‘’A
mulher, ‘’carne de sua carne’’, isto é, um auxílio.(cf. CIC-1605) No
mistério da criação, o Senhor, dá ao homem uma companheira. Eva, a mulher, a
vivente. A unidade de ambos é relacionada com uma ordem:’’o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e eles
serão uma só carne.’’ A partir desta, observar-se, um querer divino à raça
dos nossos primeiros pais, a família humana e que se perpetua até aos nossos
dias. É bem verdade e evidente que na conjuntura da sociedade atual o vocábulo
‘’família’’ é ilusoriamente e outrossim inverossímil pluralizado. Admoesta-se
os nossos filhos com uma gama de conceitos e tipos. Família, a saber, é a
união, através da aliança matrimonial, do homem com a mulher, a fim de garantir
a perpetuação da prole, conforme a bendita dita do Senhor:’’ Crescei e multiplicai-vos’’ . Existem
muitos que referem-se a esta realidade como retrógrada e inconcebível à mentalidade
do século vinte e um. Ademais há uma série de afirmações. Quais, deveras, os
pseudos-intentos aí manifestados? A banalização da instituição mais sagrada e
célula-mater da sociedade que é a família, subtraindo o arcano desejo de Deus
que a união entre o homem e a mulher fossem elevados à dignidade de Matrimônio,
cuja prefiguração, vê-se na criação dos mesmos.
No
Salmo Responsorial vemos de maneira poética, o salmista, tercendo elogio a
Israel: ‘’A Tua esposa é uma videira bem
fecunda no coração da tua casa, os teus filhos são rebentos de oliveira ao
redor de tua mesa.’’ O sacramento do Matrimônio, bem como o sacramento da
Ordem, estão inscrito na listas dos sacramentos de serviço e missão, destarte, a
aliança conjugal é destinada à formação da família, a educação humana e cristã
dos filhos, como, quando no dia em que diante de Deus, da Igreja e da
assembleia, dois cristãos, numa só carne, prometeram, na aliança matrimonial
que é indissolúvel, educar a sua prole na Lei de Deus e da Igreja.
À segunda leitura, extraída da Epístola aos
Hebreus, a referente missiva, consoante alguns estudos exegéticos, é atribuída
ao apóstolo São Barnabé, outros, ainda, afirmam pertencer a uma coletânea de
homilias de uma grupo de sacerdotes. A epístola é um tratado, cujo tema central
é o sacerdócio de Cristo. Comparado a Melquisedec e aos levitas. Cristo Jesus,
Senhor nosso, é o sacerdote por antonomásia, pois é Nele mesmo que o Pai realiza
a reconciliação do Gênero humano mediante a sua oferta na ara da cruz. Para
gesto quão solene e único, fora preciso que, se fizesse homem, ‘’viveu em tudo a condição humana, exceto o
pecado .’’ ‘’Convinha de fato que aquele,
por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos
filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio
de sofrimentos.’’ O nosso sacerdote Jesus, com uma carne semelhante a
nossa, nos remiu e por conseguinte deu-nos com a oblação de sua vida na árvore
da cruz a acessibilidade da eternidade, perdida com a primeira queda. ‘’Um por todos ele aceitou ser pregado na
cruz.’’ Assim reza a Igreja num dos prefácios da paixão. Cristo, o Sumo e
Eterno sacerdote, continua nos altares, a perpetuar, através do ministério dos
sacerdotes, a obra consumada na cruz, ‘’pois
todas às vezes que participamos da Eucaristia torna-se presente a nossa
redenção’’.
No Evangelho, a seita dos fariseus, quer
apanhar Jesus nalguma palavra a fim de condená-lo, logo acorrem a Lei de
Moisés, interpretando-a de forma dúbia, perguntando se era permitido ao homem
divorciar-se de sua mulher. Nosso Senhor, logo, censura-os: ‘’ Foi por causa da dureza do vosso coração
que Moisés vos escreveu este mandamento.’’ Jesus é solene e preciso com
esta pontuação. Os fariseus estavam condicionados ao legalismo incapazes de
reconhecer que o Messias prometido nas Escrituras realizava-se em Jesus. A
condição da unidade entre o homem e a mulher numa só carne é elevada a
dignidade de Matrimônio, ou seja, sinal da graça de Deus, nas palavras do
Senhor: ‘’(...) desde o começo da criação
Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os
dois serão uma só carne. Assim, já não dois, mas uma só carne. Portanto, o que
Deus uniu, o homem não separe!’’
O estabelecimento da aliança conjugal é
tido como o tipo da união de Cristo com a Igreja-Esposa na aliança do calvário
como bem ressalta São Paulo na carta aos
Efésios: ‘’Maridos, amai as vossas
mulheres, como Cristo amou a Igreja e se
entregou por ela.’’ A vivência do sacramento do matrimônio só pode ser entendida
à luz do Mistério Pascal, ou seja, na mútua e total entrega que os cônjuges são
chamados a fazer. O sacrifício dos esposos é a via de santificação e participação
à paixão do Redentor. Para o mundo hodierno esta concepção não existe,
sobretudo, àqueles, que veem o casamento como uma simples união abstraindo o
predicativo de sacramento.
Confiemos na Celebração da Sagrada
Eucaristia, no altar, signo da aliança do Senhor com a Igreja, os nossos casais
para que, não obstante as adversidades da missão confiada, nutram suas vidas
com o Sagrada Eucaristia, e, como no dia em que se entregaram um ao outro em Matrimônio
mereçam a companhia dos santos na glória dos céus. Ao Cristo, sempiterno Rei, a
soberania e a adoração pelos séculos infindos. Amém!
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