terça-feira, 27 de setembro de 2011

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Papa na Alemanha: acesse todas as notícias sobre a visita

Durante quatro dias, o Papa deu novo impulso à vida da Igreja em sua terra natal. A viagem apostólica de Bento XVI à Alemanha já está na história. O Papa visitou sua terra natal entre quinta-feira, 22, e domingo, 25.
Além de ser a primeira visita oficial de seu pontificado ao país, também foi à primeira vez que um Papa visitou as cidades de Erfurt - onde o precursor da Reforma Protestante, Martinho Lutero, iniciou seus estudos teológicos - e Friburgo, sede da região mais católica da Alemanha, Breisgau, no Estado federal de Baden-Württemberg.
Também foram inéditas a visita papal ao Santuário Mariano de Etzelsbach e a ocasião em que o Santo Padre fez um discurso ao Budenstag (Parlamento federal alemão), na quinta-feira, 22.
"Recordo com prazer as celebrações litúrgicas comuns, a alegria de ouvir juntos a Palavra de Deus e de rezar unidos – e isto sobretudo nas partes do País onde, por decênios, se tentou remover a religião da vida das pessoas. Isto enche-me de confiança quanto ao futuro do cristianismo na Alemanha", disse o Papa em seu discurso de despedida.
Segundo o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, Bento XVI concretizou o tema inspirador da viagem - Onde há Deus, há futuro: "o Papa ressaltou os aspectos fundamentais da fé cristã, não só a vida de fé pessoal, mas eclesial, e também o serviço da Igreja à sociedade e ao mundo de hoje".
A seguir, confira todas as notícias sobre a visita, leia os discursos e homilias e entenda o porquê de essa viagem representar um marco nas relações entre o Vaticano e a Alemanha.
Quinta-feira - 22 de setembro (Berlim)
 - Entrevista no voo: Bento XVI fala do sentido de ser Igreja em meio aos escândalos
 - Cerimônia de boas-vindas: Liberdade se desenvolve na responsabilidade
 - Discurso no Parlamento: Políticas devem visar justiça para criar a paz
 - Encontro com Comunidade Hebraica: Papa condena nazismo e destaca unidade entre católicos e judeus
 - Santa Missa no Olympiastadion: Permanecer em Cristo é permanecer na Igreja
Sexta-feira - 23 de setembro (Berlim - Erfurt - Etzelsbach)
 - Encontro com Comunidade Muçulmana: Religiosos contribuem para construir mundo melhor
 - Encontro com evangélicos: Cristianismo é "salvo" por fé vivida de modo renovado
 - Celebração Ecumênica: Homem "perde" a vida quando se afasta de Deus
 - Vésperas marianas: Jesus não recusa pedidos que Maria lhe apresenta

Sábado - 24 de setembro (Erfurt - Lahr - Friburgo)
 - Missa em Erfurt: Santos mudam o mundo
 - Saudação a habitantes de Friburgo: Papa pede orações para que visita à Alemanha seja frutuosa
 - Encontro com ortodoxos: Empenho comum dos cristãos na defesa de valores edifica sociedade
 - Encontro com Comitê Central de Católicos: Relativismo faz muitos perderem o sentido da vida
 - Vigília de oração com os jovens: Cristo é a luz que ilumina as trevas da vida
Domingo - 25 de setembro (Friburgo - Lahr)

- Missa em Friburgo: "Renovação da Igreja acontece pela fé renovada"
 - Angelus: "Não se deve ter medo das preocupações. Deus é bom!"
 - Encontro com católicos comprometidos: Igreja precisa mudar?
 - Despedida: "Onde Deus está presente, existe esperança"

domingo, 25 de setembro de 2011

Itinerário

A vida é repleta de itinerários, alguns, simplesmente aparecem e nos ensinam a viver, outros, partem de iniciativas próprias, estas, revelam uma vontade: crescer; seja qual for o aspecto. Independente da forma que o itinerário se apresenta, a vontade deve estar pronta para respondê-lo, é uma exigência natural da vida, principalmente para o crescimento almejado.
É capital o conhecimento de quem realmente somos; realmente, pelo fato de existirem tantas caricaturas sobre nós, impostas por um sistema, intencionalmente, nos roubando a nossa imagem de filhos de Deus, é isso mesmo, imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 27); “[...] no seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo” (Ef 1, 5) e ainda “[...] porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo” (Gl 3, 13). Por tão grande honra e pelo Seu infinito amor, Deus nos convida a uma vida santa. Diante das caricaturas que às vezes nos enganam é preciso reconhecer-se, isto significa assumir a verdadeira identidade, em consequência, proclamaremos a nossa preciosidade diante de Deus, e livremente diremos: somos preciosos!
Algo precioso não é dado às vulgaridades, não! O que é valioso guardamos com cuidado, zelo; literalmente, gastamos a nossa vida para não perder este valor. E aqui se aplica também e primeiramente a Jesus Cristo, o grande tesouro, que ao encontrarmos, fazemos e suportamos tudo para não perdermos, não que Ele escape de nossas mãos, mas seríamos nós que permitiríamos afastar-nos Dele.

É o que acontece com nosso ser, devemos guardá-lo, porque é precioso! “Ou não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus, e que por isto mesmo já não vos pertenceis?” (I Cor 6, 19).  E guardar não significa apenas isolar, mas antes, rejeitar tudo aquilo que expõe o que guardamos; expor aqui, no sentido de tornar diferente aquilo que originariamente é sagrado, nosso ser.
Sendo assim, todo e qualquer itinerário deve orientar-se para uma consciência cada vez mais convicta da nossa preciosidade, unida a uma firme decisão de não vulgarizar o que somos: filhos de Deus.
Quando temos consciência do nosso nada,
imediatamente conscientizamo-nos do nosso tudo em
Deus.
Por Sem. Joranne Fagner

sábado, 24 de setembro de 2011

Papa adverte sobre novas formas de cristianismo

“De grande difusão, mas pouco
estável”, afirma
em encontro com luteranos.
O mais necessário para o ecumenismo hoje é que os cristãos não percam aquilo que têm em comum, pressionados pela secularização.
O Papa fez esta declaração hoje, em um encontro com representantes do Conselho da Igreja Evangélica Alemã (EKD), em Erfurt, cidade onde Lutero (1483-1546) iniciou seu caminho teológico.
Bento XVI identificou dois grandes riscos que ameaçam a comunhão alcançada entre os cristãos nas últimas décadas: o de uma nova forma de cristianismo de grande difusão, mas pouco estável e “às vezes preocupante em suas formas” e o de adulterar a fé, cedendo à secularização, para tentar ser modernos.
Sobre o primeiro desafio, o Papa explicou que “nos últimos tempos, a geografia do cristianismo mudou profundamente e ainda continua mudando”.
“Perante uma nova forma de cristianismo, que se difunde com um imenso dinamismo missionário, às vezes preocupante em suas formas, as Igrejas confessionais históricas ficam frequentemente perplexas”, disse.
“É um cristianismo de escassa densidade institucional, com pouca bagagem racional, menos ainda dogmática, e com pouca estabilidade”, explicou.
Este “fenômeno mundial nos situa novamente diante da pergunta sobre o que é que permanece sempre válido e o que poderia ou deveria mudar, perante a questão de nossa opção fundamental na fé”.
Em relação ao segundo risco, referente ao “contexto do mundo secularizado no qual devemos viver e dar testemunho hoje de nossa fé”, afirmou: “Acaso é necessário ceder à pressão da secularização, chegar a ser modernos adulterando a fé?”.
“Naturalmente, a fé tem de ser novamente pensada e, sobretudo, vivida, hoje de modo novo, para que se converta em algo que pertence ao presente. A isso não ajuda sua adulteração, mas sim vivê-la integramente em nosso hoje. Isso é uma tarefa ecumênica central”, disse o Papa.
Celebração
Depois de falar com os representantes da Igreja Evangélica Alemã, Bento XVI interveio em uma celebração ecumênica, realizada na igreja do Convento dos Agostinianos, em Erfurt. Do momento de oração participaram representantes de outras Igrejas protestantes.
Em seu discurso, Bento XVI enfatizou que a sede de infinito “está presente no homem de modo inextirpável”.
“O homem foi criado para a relação com Deus e precisa d'Ele. Neste tempo, o nosso primeiro serviço ecumênico deve ser testemunharmos juntos a presença de Deus vivo e, deste modo, dar ao mundo a resposta de que tem necessidade.”
“Naturalmente, deste testemunho fundamental de Deus faz parte depois, de maneira absolutamente central, o testemunho de Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus”, disse o Papa.
Segundo Bento XVI, “a seriedade da fé em Deus manifesta-se na vivência da sua palavra. No nosso tempo, manifesta-se, de modo muito concreto, no empenho por aquela criatura que Ele quis à sua imagem: o homem”.
“Vivemos num tempo em que se tornaram incertos os critérios de ser homem. A ética foi substituída pelo cálculo das consequências.”
“Perante isto – prosseguiu o pontífice –, devemos, como cristãos, defender a dignidade inviolável do homem, desde a sua concepção até à morte: nas questões desde o diagnóstico de pré-implantação até à eutanásia.”
“«Só quem conhece Deus, é que conhece o homem» – disse uma vez Romano Guardini. Sem o conhecimento de Deus, o homem torna-se manipulável. A fé em Deus deve-se concretizar-se no nosso empenho comum pelo homem”, afirmou.
Fonte: www.zenit.org

Bento XVI: pertencer à Igreja é questão séria

Convida a não ficar com uma ideia “superficial”
sobre a Igreja
 A Igreja não é “uma das muitas organizações presentes numa sociedade democrática”, mas o próprio corpo de Cristo; pertencer ao Corpo de Cristo constitui uma “decisão séria” que cada um tem de tomar.
O Papa fez essa afirmação no fim da tarde desta quinta-feira (22) em Berlim, ao presidir à celebração da missa no Estádio Olímpico, com a presença de 70 mil católicos, no contexto de sua viagem à Alemanha.
“Alguns olham para Igreja, detendo-se no seu aspecto exterior – constatou o Papa – e assim “ela aparece-lhes apenas como uma das muitas organizações presentes numa sociedade democrática; e, segundo as normas e leis desta, se deve depois avaliar e tratar inclusive uma figura tão difícil de compreender como é a «Igreja»”.
“Se depois se vem juntar ainda a experiência dolorosa de que, na Igreja, há peixes bons e maus, trigo e joio, e se o olhar se fixa nas realidades negativas, então nunca mais se desvenda o grande e profundo mistério da Igreja.”
“Crescem insatisfação e descontentamento, se não virem realizadas as próprias ideias superficiais e erróneas de «Igreja» e os próprios «sonhos de Igreja»”, disse o Papa.
Bento XVI se referiu ao evangelho recém-proclamado: “Jesus não diz: «Vós sois a videira»; mas: «Eu sou a videira, vós os ramos». Isto significa: «Assim como os ramos estão ligados à videira, assim também vós pertenceis a Mim! Mas, pertencendo a Mim, pertenceis também uns aos outros»”.
Esta relação recíproca – advertiu o Papa – “não se trata de qualquer relação ideal, imaginária, simbólica, mas é – apetece-me quase dizer – um pertencer a Jesus Cristo em sentido biológico, plenamente vital”.
“Ele continua a viver na sua Igreja neste mundo. Ele está conosco, e nós estamos com Ele. «Porque Me persegues?»: destas palavras se conclui que é a Jesus que ferem as perseguições contra a sua Igreja. E, ao mesmo tempo, não estamos sozinhos quando somos oprimidos por causa da nossa fé. Jesus está conosco.”
A Igreja é o “«universal sacramento de salvação», que existe para os pecadores, a fim de lhes abrir o caminho da conversão, da cura e da vida. Esta é a verdadeira e grande missão da Igreja, que Cristo lhe conferiu”, afirmou, rejeitando outras “visões superficiais”.
“Cada um de nós vê-se aqui confrontado com tal decisão. E o Senhor, na sua parábola, insiste na seriedade da mesma: «Se alguém não permanecer em Mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem»”.
“A escolha aqui pedida faz-nos compreender, de modo insistente, o significado existencial da nossa opção de vida.”
“Ao mesmo tempo a imagem da videira é um sinal de esperança e confiança”, pois Deus “sabe transformar em amor, mesmo as coisas pesadas e acabrunhadoras da nossa vida. Importante é «permanecermos» na videira, em Cristo”.
“No nosso tempo de inquietação e indiferença, em que tanta gente perde a orientação e o apoio; em que a fidelidade do amor no matrimónio e na amizade se tornou tão frágil e de breve duração; em que nos apetece gritar, em nossa necessidade, como os discípulos de Emaús: «Senhor, fica conosco, porque anoitece, sim, é escuro ao nosso redor!»; aqui o Senhor ressuscitado oferece-nos um refúgio, um lugar de luz, de esperança e confiança, de paz e segurança. Onde a secura e a morte ameaçam os ramos, aí, em Cristo, há futuro, vida e alegria.”

Entrevista de Bento XVI com jornalistas rumo a Berlim

Respostas durante o voo papal
Apresentamos a transcrição da entrevista que Bento XVI concedeu [...] aos jornalistas que o acompanharam no avião rumo a Berlim, para sua visita apostólica à Alemanha.
Santidade, bem-vindo entre nós. Somos o acostumado grupo dos seus acompanhantes jornalistas que se preparam para dar um eco da sua viagem à imprensa mundial, e estamos muito agradecidos pelo fato de o senhor, desde o início, ter um tempo para nós, para ajudar-nos a compreender bem o significado desta viagem, que é uma viagem particular, pois vamos à sua pátria e se falará no seu idioma... Na Alemanha, há cerca de quatro mil jornalistas acreditados nas diferentes etapas da viagem. Aqui no avião, somos 68, dos quais aproximadamente 20 são alemães.
Apresento-lhe algumas perguntas. Farei a primeira em alemão, para que o senhor possa falar aos nossos colegas alemães no seu idioma.
Santidade permita-nos no começo, fazer-lhe uma pergunta muito pessoal. Até que ponto o Papa Bento XVI ainda se sente alemão? Quais são os aspectos em que – talvez cada vez menos – sua origem alemã o influencia?
Bento XVI: Hölderlin disse, uma vez: “O que mais influencia é o nascimento”, e isso, claro, eu também experimento. Nasci na Alemanha e não se pode nem se deve cortar a raiz. Recebi minha formação cultural na Alemanha, minha língua é o alemão e a língua é a maneira como o espírito vive e age, e toda a minha formação cultural aconteceu nesse ambiente. Quando faço teologia, eu o faço a partir da forma interior que aprendi nas universidades alemãs e infelizmente tenho de admitir que continuo lendo mais livros alemães que em outros idiomas. Por este motivo, no meu jeito de ser, o ser alemão é muito forte. A pertença à sua história, com sua grandeza e fraquezas, não pode e não deve ser eliminada. Para um cristão, no entanto, acrescenta-se outro elemento. Com o Batismo, ele nasce novamente, nasce em um novo povo, que está composto por todos os povos, um povo que abrange todos os povos e todas as culturas e ao qual, a partir desse momento, ele pertence de verdade, sem que isso lhe faça perder sua origem natural. Então, quando se assume uma responsabilidade grande, como acontece no meu caso, já que tenho a responsabilidade suprema neste novo povo, é evidente que a pessoa mergulha cada vez mais nele. A raiz se torna uma árvore que cresce em todas as direções e o fato de pertencer a esta grande comunidade da Igreja Católica, um povo composto por todos os povos, torna-se cada vez mais viva e profunda, forja toda a existência, sem renunciar, por isso, ao passado. Eu diria, portanto, que a origem permanece, permanece a origem cultural, permanece também o amor particular e a responsabilidade particular, mas integrados e ampliados em uma pertença mais ampla, na civitas Dei, como diria Santo Agostinho, no povo de todos os povos, no qual todos nós somos irmãos e irmãs.
Santo Padre, nos últimos anos, houve um aumento dos abandonos na Igreja, em parte devido aos abusos cometidos contra menores por membros do clero. Qual é o seu sentimento sobre este fenômeno? O que o senhor diria a quem quer abandonar a Igreja?
Bento XVI: Antes de tudo, temos de distinguir o motivo específico pelo qual se sentem escandalizados por estes crimes registrados nos últimos tempos. Posso compreender que, à luz dessas informações, sobretudo se forem pessoas próximas, a pessoa diga: “Esta já não é a minha Igreja. A Igreja era, para mim, força de humanização e de moralização. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, já não posso viver com esta Igreja”. Esta é uma situação específica. Geralmente, os motivos são múltiplos, no contexto do secularismo da nossa sociedade. Em geral, estes abandonos são o último passo de um longo trajeto de afastamento da Igreja. Neste contexto, parece-me importante perguntar-se: “Por que estou na Igreja? Estou na Igreja como em uma associação esportiva, uma associação cultural etc., na qual encontro resposta para os meus interesses e, se não for assim, vou embora? Ou estar na Igreja é algo mais profundo?”. Eu diria que é importante reconhecer que estar na Igreja não quer dizer fazer parte de uma associação, mas estar na rede do Senhor, que pesca peixes bons e maus das águas da morte, para levá-los às terras da vida. Pode ser que, nesta rede, eu esteja junto a peixes malvados e sinto muito, mas é verdade que não estou por causa deste ou daquele outro, mas porque é a rede do Senhor, que é algo diferente de todas as associações humanas, uma rede que toca o fundamento do meu ser. Falando com essas pessoas, acho que temos de ir até o fundo da questão: o que é a Igreja? Qual é a sua diversidade? Por que estou na Igreja, ainda que se deem escândalos terríveis? Assim, é possível renovar a consciência do caráter específico de ser Igreja, povo de todos os povos, que é povo de Deus; e aprender, dessa maneira, a suportar também os escândalos e trabalhar contra os escândalos, fazendo parte precisamente dessa grande rede do Senhor.
Não é a primeira vez que grupos de pessoas se manifestam contra a sua chegada a um país. A relação da Alemanha com Roma era tradicionalmente crítica, em parte inclusive dentro do próprio âmbito católico. Os temas de controvérsia são conhecidos há muito tempo: o preservativo, a Eucaristia, o celibato. Antes da sua viagem, inclusive parlamentares assumiram posições de crítica. Mas antes da sua viagem à Grã-Bretanha, a atmosfera tampouco parecia amigável e, depois, tudo saiu bem. Com que sentimentos o senhor empreende esta viagem à sua pátria e se dirigirá aos alemães?
Bento XVI: Antes de mais nada, eu diria que é algo normal que, em uma sociedade livre e em uma época secularizada, haja posições contra uma visita do Papa. É justo que expressem sua contrariedade na frente de todos: faz parte da nossa liberdade e temos de reconhecer que o secularismo, e precisamente a oposição ao catolicismo, é forte nas nossas sociedades. Quando estas oposições se expressam de uma maneira civilizada, não se pode dizer nada contra. Por outro lado, também é verdade que há muitas expectativas e muito amor pelo Papa. Na Alemanha, há várias dimensões desta oposição: a antiga oposição entre cultura germânica e românica, os choques da história... Além disso, estamos no país da Reforma, que acentuou estes contrastes. Mas se dá também um grande consenso sobre a fé católica, uma convicção cada vez maior de que, na nossa época, temos necessidade de uma força moral. Temos necessidade de uma presença de Deus no nosso tempo. Junto à oposição, que considero normal, há muita gente que me espera com alegria, que espera uma festa de fé, estar juntos, a alegria de conhecer a Deus e viver juntos no futuro, que Deus nos conduz pela mão e nos mostra o caminho. Por este motivo, vou com alegria à minha Alemanha e me sinto feliz por levar a mensagem de Cristo à minha terra.
Uma última pergunta. Santo Padre, o senhor visitará Erfurt, o antigo convento do reformador Martinho Lutero. Os cristãos evangélicos – e os católicos em diálogo com eles – estão se preparando para comemorar o 50º centenário da Reforma. Com que mensagem, com que pensamentos o senhor está se preparando para esse encontro? Esta viagem pode ser interpretada como um gesto fraterno com os irmãos e irmãs separados de Roma?
Bento XVI: Quando aceitei o convite para realizar esta viagem, para mim era evidente que o ecumenismo com os nossos amigos evangélicos deveria ser um ponto forte e central desta viagem. Vivemos em uma época de secularismo, como já comentei, na qual os cristãos, juntos, têm a missão de tornar presente a mensagem de Deus, a mensagem de Cristo, fazer que crer seja possível, avançar com estas grandes ideias, a verdade. Dessa maneira, estar juntos, católicos e evangélicos, torna-se um elemento fundamental para a nossa época, ainda que institucionalmente não estejamos perfeitamente unidos e ainda que permaneçam grandes problemas, problemas no fundamento da fé em Cristo, no Deus trinitário e no homem, como imagem de Deus. Estamos unidos e devemos mostrar isso ao mundo; e aprofundar nesta unidade é essencial neste momento histórico. Por este motivo, sinto-me muito agradecido com os nossos amigos, irmãos e irmãs, protestantes, que tornaram possível um gesto muito significativo: o encontro no mosteiro onde Lutero começou seu caminho teológico, a oração na igreja onde ele foi ordenado sacerdote, e falar juntos sobre a nossa responsabilidade de cristãos nesta época. Estou muito feliz por poder manifestar esta unidade fundamental, que somos irmãos e irmãs e trabalhamos juntos pelo bem da humanidade, anunciando a alegre mensagem de Cristo, do Deus que tem um rosto humano e que fala conosco.

Papa destaca importância social da religião em seu primeiro discurso na Alemanha

A religião é uma questão fundamental para uma convivência bem sucedida
Esta foi a mensagem de Bento XVI em seu primeiro discurso na terra alemã, ao ser recebido, no Castelo de Bellevue de Berlim, pelo presidente da República Federal Alemã, Christian Wulff.
Ao chegar ao aeroporto de Tegel, Bento XVI foi acolhido com 21 salvas de canhão, como prevê o protocolo das visitas de Estado, enquanto, nas escadas do avião, era aguardado pelo presidente do país e pela chanceler federal, Angela Merkel. Também estavam presentes o arcebispo de Berlim, Dom Rainer Maria Woelki, e o presidente da Conferência Episcopal Alemã e arcebispo de Friburgo, Dom Robert Zollitsch.
Depois de ser recebido no aeroporto, o Papa viajou, no carro oficial, ao Castelo de Bellevue para participar das cerimônias de boas-vindas. Lá, assinou o livro de honra, escutou as palavras do presidente alemão, que lhe disse, em nome do país, “Bem-vindo a casa, Santo Padre!”, e destacou a importância da Igreja no passado e presente da Alemanha.
Em seu primeiro discurso em seu país natal, Bento XVI afirmou: “Não vim aqui primariamente por ter em vista certos objetivos políticos ou econômicos, como justamente fazem outros homens de Estado, mas para encontrar o povo e falar-lhe de Deus”.
O Papa acompanhou estas palavras abrindo seus braços em direção às pessoas que o ouviam, sentadas sob diversos toldos no jardim do castelo; elas responderam com um efusivo aplauso.
“A respeito da religião, constatamos uma indiferença crescente na sociedade, que, nas suas decisões, tende a considerar a questão da verdade sobretudo como um obstáculo, dando por isso a prioridade às considerações utilitaristas”, prosseguiu.
“Mas há necessidade duma base vinculativa para a nossa convivência; caso contrário, cada um vive só para o seu individualismo”, afirmou o Pontífice.
Bento XVI citou então o bispo e reformador social Wilhelm Emmanuel von Ketteler, quem, em seu discurso à primeira assembleia dos católicos na Alemanha, em 1848, declarou que, “assim como a religião precisa da liberdade, assim também a liberdade precisa da religião”.
“A liberdade precisa duma ligação primordial a uma instância superior – destacou. O fato de haver valores que não são de modo algum manipuláveis é a verdadeira garantia da nossa liberdade.”
“O homem que se sente vinculado à verdade e ao bem, estará imediatamente de acordo com isto: a liberdade só se desenvolve na responsabilidade face a um bem maior – insistiu. Um tal bem só existe para todos juntos; por conseguinte, devo interessar-me sempre também dos meus vizinhos.”
Afirmou depois, em seu discurso, que, “na convivência humana, a liberdade não é possível sem a solidariedade”.
“Aquilo que faço a dano dos outros, não é liberdade, mas uma ação culpável que prejudica aos outros e a mim mesmo também. Só usando também as minhas forças para o bem dos outros é que posso verdadeiramente realizar-me como pessoa livre.”
“Isto vale não só no âmbito privado, mas também na sociedade. Segundo o princípio de subsidiariedade, a sociedade deve dar espaço suficiente às estruturas inferiores para o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, deve servir-lhes de suporte, de tal modo que, um dia, possam também manter-se por si sós”, acrescentou.
A seguir, referiu-se à realidade alemã, recordando que o Castelo de Bellevue se encontra no centro de Berlim e, “com o seu passado acidentado, o castelo é, como muitos edifícios da cidade, um testemunho da história alemã”.
Esse castelo, hoje residência oficial do presidente da Alemanha, foi residência dos reis da Prússia, mas também sede de consultas do Estado Maior da Alemanha nazista.
Bento XVI não rejeitou esta história, mas afirmou que “uma visão clara, inclusive sobre as páginas escuras do passado, permite-nos aprender dele e receber estímulos para o presente”.
Neste ponto, retomou a importância do transcendente no destino da sociedade, dizendo que “a República Federal da Alemanha tornou-se naquilo que é hoje, através da força da liberdade plasmada pela responsabilidade diante de Deus e a de cada um perante o outro”.
E acrescentou que o país “precisa desta dinâmica, que envolve todos os âmbitos humanos, para poder continuar a desenvolver-se nas condições atuais”.
O Papa concluiu seu discurso expressando seu desejo de “os encontros durante as várias etapas da minha viagem – aqui em Berlim, em Erfurt, em Eichsfeld e em Friburgo – possam dar um pequeno contributo neste sentido”.
Entre aplausos, o Santo Padre se dirigiu guiado pelo presidente alemão, do jardim até o interior do castelo, onde os dois chefes de Estado tiveram um encontro privado, ao redor de uma pequena mesa redonda.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Seminário Propedêutico prestigia Orquestra Sinfônica de Sergipe, esta se apresentou na noite desta sexta-feira (16).



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Bento XVI afirmará primazia de Deus na Alemanha

CIDADE DO VATICANO (ZENIT.org) – A terceira viagem pastoral e primeira oficial de Bento XVI à Alemanha, de 22 a 25 de setembro, foi detalhada pelo porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi SJ, aos jornalistas presentes hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé.
Como ponto principal de uma viagem tão repleta de acontecimentos, o porta-voz sugeriu aos presentes que entendessem primeiramente o lema da visita papal – “Onde há Deus, há futuro” –, para não se perder nos detalhes, como o logotipo, que sugere pessoas que caminham em direção à cruz.
Além do programa explicado detalhadamente, o Pe. Lombardi destacou o fato de que o Papa foi convidado pelo presidente do Parlamento Federal Alemão, o Bundestag, e, portanto, será a primeira vez que Bento XVI falará diante de um parlamento. Sobre as queixas e as ausências que envolverão dezenas de pessoas, disse que é “um problema interno da política e do Parlamento Alemão, já que o Papa fará um discurso a todos os presentes”.
No centro das perguntas dos jornalistas, estava o memorando sobre as reformas, apresentado no outono passado por 256 teólogos alemães, austríacos e suíços, que pedia a abolição do celibato dos sacerdotes e a admissão das mulheres ao sacerdócio. Contra o memorando se expressou a Conferência Episcopal Alemã, confirmando, ao mesmo tempo, a disponibilidade ao diálogo sobre a vida e as estruturas da Igreja.
O Pe. Lombardi recordou que, sobre isso, “existe um momento de diálogo, reflexão e debate dentro da Igreja da Alemanha e, portanto, não se pode esperar que o Papa entre em detalhes”; além disso, convidou a levar a sério a petição de Bento XVI para esta viagem, isto é, “voltar ao fundamental. Porque a Igreja depende de se se crerá em Deus e Jesus Cristo morto e ressuscitado, e não do celibato, e sobre onde está Deus em relação à sociedade, em um nível substancial e profundo”.
A Missa, em alemão, será celebrada no domingo, dia 25, enquanto nos demais dias será com o cânon latino, como em todas as Missas das viagens papais.
O porta-voz pediu que não se surpreendessem se o discurso com os seminaristas não chegar impresso, pois será pronunciado de memória; e sugeriu pedir aos colegas de língua alemã os possíveis acréscimos que o Papa fizer aos seus discursos.
Sobre a longitude e riqueza da viagem, que será um grande esforço para uma pessoa de 84 anos, Lombardi considerou que a quantidade de compromissos, como os 17 discursos, além de 20 encontros, se deve também a que Bento XVI estará em casa, ou seja, “em sua língua e sem necessidade de traduções; portanto, sem o esforço de precisar avaliar as palavras de outro idioma”, além de ser “um clima de estima e apreço, com encontros cordiais e um contexto mais familiar”.
A viagem de quatro dias tem três etapas centrais: “Berlim, uma cidade muito secularizada; Erfurt, uma cidade da Alemanha do Leste; e Friburgo, onde existe uma população mais católica”.
O programa completo da viagem está disponível em:

A Felicidade

Em que consiste a verdadeira felicidade? Alcançando as maravilhas prometidas pelo Pai, realizando os ensinamentos de Cristo e vivendo segundo a vontade de Deus, o homem é feliz.
De fato, há um paradoxo entre a felicidade pelo mundo oferecida e a que o Pai oferece. A felicidade que o primeiro (o mundo) oferece é simplesmente algo passageiro, que não traz paz, alento e o que é imprescindível, o êxtase de estar intimamente ligado e sintonizado numa comunhão profunda com Deus. A segunda, aquela ofertada pelo Pai, gera paz, completude e o inquestionável, dá sentido a todo e viver.
O mundo sempre busca marginalizar Deus quando prega que, longe dele o homem é feliz, que sem uma profunda experiência de fé é possível ter objetivos e por inúmeras vezes, consegue arrebanhar grande número de seguidores desta vã ideologia. E, pode ser até verdade que se tenham objetivos, porém, não muito satisfatórias são as concretudes ou realizações.
Fora de Deus, o mundo é apenas um local efêmero e sem absolutamente nenhuma importância. Próximo dele e com ele, o este se torna cheio e rico em significados, as coisas passam a ter sentido e fundamento, uma vez que, as obras de sua criação transmitem a gloria de sua realeza.
A felicidade, estado ou sentimento que nos direciona ao Pai, nos devolve a nós mesmos, e é conquistada acima de tudo quando o homem volvido para seu interior compreende que toda e qualquer razão de alegria é viver no amor de Deus e reconhecê-lo como fundamento de toda a existência.
Ser feliz é verdadeiramente ser dependente e viciado em Deus e suas vontades para as nossas vidas. É ter a disponibilidade para abraçar todas as causas que dignificam a existência e consequentemente expandem o amor perante todas as situações.
Queres ser feliz? Deixe Deus que por ti deu seu bem maior, o seu Filho Jesus Cristo, fonte e origem de todas as coisas, estar sempre no centro de tua vida. Queres ser infeliz?  Experimente apenas por instantes retirá-lo dela.
Por Sem. Cleverton Eugênio

Bote Fé: Missa acolhe Cruz da JMJ e ícone de Maria no Brasil

A grande festa de acolhida dos dois símbolos máximos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) - a Cruz e o ícone de Nossa Senhora - chegou ao seu cume com a celebração da Santa Missa, na tarde deste domingo, 18, às 16h. O Bote Fé reúne 100 mil jovens no Aeroporto Militar de Campo de Marte, em São Paulo, segundo estimativas da Aeronáutica.
O presidente da CNBB, Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, recordou, ao início da Missa, que o tema escolhido pelo Papa Bento XVI para a Jornada no Rio de Janeiro - “Ide e façais discípulos em todos os povos!” (Mt 28, 19) - é uma convocação.
"A Igreja coloca nas mãos de vocês um desafio: seguir Jesus e anunciá-Lo pela Palavra. A Cruz é sinal do compromisso em seguir o Mestre. Sem ela, não há ressurreição. Com Ele, venceremos. E Maria é modelo perfeito desse seguimento. Que sua juventude eterna nos encoraje a seguirmos o testemunho de Seu Filho. Vocês, jovens, são sentinelas do amanhã, a riqueza da Igreja no Brasil", declarou.
Já o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri, representante oficial do Papa no evento, recordou que, na Cruz, é o próprio Cristo que passa. "É Cristo que dá novo ânimo à fidelidade na missão. Ele impulsiona a dar testemunho da fé. É impossível encontrar a Cristo e não mostrá-lo aos outros. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O Papa dá a vocês a missão de serem protagonistas da bonita aventura de levar esses ícones da fé. Abracem o desejo da Cruz e desenvolvam a alegria de viver e alcançar felicidade", afirmou.
Participaram da celebração o presidente da CNBB e Arcebispo de Aparecida (SP), Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis; o Arcebispo Emérito de São Paulo, Cardeal Dom cláudio hummes; o Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), Dom Orani João Tempesta; o Bispo Auxiliar de Campo Grande (MS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, Dom Eduardo Pinheiro; o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Lorenzo Baldisseri; o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, representando a presidente Dilma Rousseff; o prefeito de São Paulo, Gilberto kassab, e diversas outras autoridades dos Poderes Executivo, Legistlativo, Judiciário, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e diversas outras autoridades eclesiásticas.
Bote Fé
Milhares de jovens vindos de todos os cantos do país participam do Bote Fé, a grande festa de acolhida dos dois símbolos máximos do maior evento mundial da juventude católica: a Cruz e o ícone mariano das JMJ, enviados com antecedência pelo Vaticano ao país que receberá o encontro. O evento na capital paulista reúne evangelização, música e arte ao longo de todo o dia e é organizado pela Arquidiocese de São Paulo e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Peregrinação
A Cruz e o Ícone vão percorrer 275 dioceses no Brasil até a vinda do Papa Bento XVI, em julho de 2013, para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro. Os símbolos da Jornada devem passar por todos os 17 regionais da CNBB. Também estão previstas 19 grandes festas nas capitais brasileiras, todas com o nome "Bote Fé".
Em dezembro de 2012, a Cruz e o Ícone deixam o Brasil e visitam Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina; retornam em janeiro de 2013 para o sul do Brasil. A etapa final acontecerá no sul de Minas Gerais, no Vale do Paraíba (SP) e, finalmente, no Estado do Rio de Janeiro, onde chegam em abril de 2013.
 Fonte: Canção Nova

sábado, 17 de setembro de 2011

Como discernir a vocação sacerdotal

Nossa casa em movimento

No dia 11 de setembro, o Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus deu uma pausa em suas atividades próprias, a fim de fazer-se presente no Encontrão do Terço dos Homens. A ida do padre reitor, Pe. José Horácio Matos Fraga, juntamente com seus propedêutas visava além de uma amostra do caráter formativo que a casa possui, que é em si tornar visível o seminário, como também evidenciar as sementes da Arquidiocese que são as vocações que ali são cultivadas. Empenhava-se ainda na venda de camisas e adesivos em prol da manutenção dos espaços formativos os quais o Seminário dispõe e na venda das Bíblias, estas com encarte comemorativo, dos 100 e 50 anos de Diocese e Arquidiocese, respectivamente.
O encontro começou por volta das oito e meia da manhã, com a apresentação das caravanas, a entronização da imagem da Virgem Santíssima seguido da recitação do santo terço, onde, num profundo clima de oração, despertou nos presentes o recolhimento e o encontro pessoal com Deus. Diante da vasta programação, merece destaque a sábia e eximia pregação do Bispo Auxiliar de Aracaju, o Dom Henrique Soares da Costa.  Apesar de sua pregação ter sido transmitida via vídeo, o Bispo auxiliar deixou a forte sensação de que estivesse presente. No período da tarde, aconteceu a Adoração a Jesus Sacramentado, sendo conduzida pelo Pe. Waltervan da Paróquia São Pedro e São Paulo. Neste momento a comunidade elevou-se em louvor e adoração a Deus presente no véu do Santíssimo Sacramento. O evento é encerrado com a celebração da Santa Missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Aracaju Dom José Palmeira Lessa.
Os presentes agora reanimados em seu oficio, retomam as suas moradas e fortalecidos pelo Espírito que move a Igreja, dão continuidade a seus trabalhos, trabalhos esses que constroem e edificam o corpo místico de Cristo que é a Igreja da qual Ele é a cabeça.
Por Sem. Jhon Lennon

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


A piedade católica, movida pelo Espírito Santo, modelou ao longo dos séculos, variadas formas de devoção àquilo que representa, de maneira tocante,
a Redenção do gênero humano: a Santa Cruz de Jesus Cristo.
"O crux ave, spes unica. Hoc passionis tempore. Piis ad auge gratiam. Veniam dona reisque."
"Salve a cruz, nossa única esperança. Neste tempo de sofrimento concede graça e misericórdia aqueles que aguardam julgamento."
A condenação à morte pelo suplício da cruz era uma morte ignominiosa, reservada para os ladrões e assassinos. Segundo nos relata Cícero, os roNosso Senhor Jesus Cristo_.jpgmanos tinham duas maneiras de eliminar os criminosos: uma nobre, a decapitação, e outra ignominiosa, que era a morte pela cruz. Portanto, Cristo morreu pela maneira mais cruel, a morte pela cruz.
No suplício da cruz o condenado, ao ser pregado na cruz, chegava ao máximo da dor, uma vez que ao ter suas mãos pregadas na cruz, cada prego lhe dava uma descarga nos nervos, que fazia com que o condenado gritasse de dor. Na cruz o condenado perdia muito sangue e, em geral morria de asfixia, após muitas horas de sofrimento e, se continuava vivo, suas pernas eram quebradas e, neste caso, a morte era instantânea por asfixia. Com efeito, na cruz, a respiração é lenta e mais curta, pois o ar penetra os pulmões, mas não consegue fluir e o condenado tem sede de ar, semelhantemente ao asmático em plena crise.
Bem, estamos rememorando esses fatos, para lhes dizer como foi cruel e dolorosa a morte de Jesus na Cruz. Entretanto, segundo os Evangelhos, Cristo ressuscitou e a cruz vazia passou a indicar para o cristão uma fonte de salvação e de ressurreição.
Diz a história que, no dia 27 de outubro do ano 312 depois de Cristo, dois exércitos se defrontam às portas de Roma. O primeiro sai dos Muros Aurelianos para posicionar-se ao longo das margens do Tibre, junto à Ponte Milvio, comandado por Marcos Aurélio Valério Massêncio. O segundo, que desceu de Trier (na Alemanha) rumo a Roma, se coloca ao longo da via Flaminia, guiado por Flávio Valério Constantino. Os dois contendores lutam pelo título de Augusto do Ocidente, um dos quatro cargos supremos, na Tetrarquia, o novo sistema de governo do Império, ideado por Diocleciano.
O sol começa a se por quando as tropas de Constantino vêem repentinamente surgir no céu um grande sinal luminoso, com uma frase chamejante: "In hoc signo vinces" "Com este sinal vencerás".
Eusébio de Cesareia, o primeiro grande historiador da Igreja recorda o acontecimento com estas palavras: "Um sinal extraordinário aparece no céu. (...) Quando o sol começava a declinar, Constantino vê com os próprios olhos, no céu, mais acima do sol, o troféu de uma cruz de luz sobre a qual estavam traçadas as palavras IN HOC SIGNO VINCES. Foi tomado por um grande estupor e, com ele, todo seu exército".
Com efeito, Constantino venceu e deu total liberdade aos cristãos, até então perseguidos pelo Império Romano. Com este fato histórico, a Cruz de Cristo, antes venerada com respeito, passou a ser símbolo de vitória, pois do lenho da cruz partiu a salvação do mundo. Daí, na exaltação da Santa Cruz e na Sexta Feira da Paixão cantar a Igreja, ao apresentar a cruz para que os fieis prestem adoração ao Cristo crucificado e morto: "Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo."
A cruz para o cristão, portanto não é símbolo de morte, mas de vida. Ela é nossa única esperança. A cruz está sempre presente na vida da Igreja, quer na celebração da Eucaristia, que no Batismo e demais sacramentos. O sinal da cruz é o indicativo de que a pessoa é cristã e nós o usamos sempre no início da Missa, com esse sinal nós somos abençoados e abençoamos em nome do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO. Portanto, exaltar a cruz é exaltar a morte de Cristo e proclamar que Ele está vivo e por seu sacrifício na Cruz nos obteve a salvação.
Bendita e louvada seja a cruz bendita do Senhor, símbolo de vida e de ressurreição.

Sou o que Deus pensa de mim”

Num mundo onde as pessoas se sentem angustiadas com o desejo de agradar e serem agradadas, percebemos quão distante está a verdade do que realmente somos diante de Deus e diante de nós mesmos. Santa Teresinha, apesar de sua breve existência e em meio às suas dores, imperfeições e imaturidades soube erguer seus olhos e pegar depressa o “elevador” que a conduziria aos braços do Pai. Descobriu-se aceita por um Deus que a amava e que faria tudo por ela. Esse exemplo de vida muito tem a nos ensinar pois Teresinha se recusou a levar uma vida sem sentido e acreditou e nada colocou como impedimento para fazer da sua vida uma oportunidade de “cantar as misericórdias do Senhor”.
Como nós reagimos diante disso? Aceitamos ou não como somos ou quem somos? E de que maneira isso acontece?

“Onde está o Espírito do Senhor, lá está a liberdade?” (cf. 2Cor 3,17). Deus é realista e deseja realizar sua obra em nossa vida na verdade, não em uma ilusão de quem somos ou como somos. A tentativa de negar ou vencer nossas fraquezas e limitações por nós mesmos é uma ilusão porque o próprio Jesus nos disse: “Sem mim nada podeis fazer”.
Uma das formas mais eficazes de deixar a graça de Deus agir em nós é dizer “sim” ao que somos e às situações que enfrentamos dentro e fora de nós. Isso nos faz acreditar que a pessoa que o Pai ama não é a que eu irei me tornar ou a que eu desejo ser, mas a pessoa que eu sou. Deus não tem as expectativas ilusórias que nós temos de amar o que é ideal ou virtuoso, Ele ama de forma real, aliás, desconsidero que seja amor tudo que escape da realidade. Perdemos muito tempo tentando corresponder a modelos ou nos lamentando de nossos limites e fraquezas, ou porque poderíamos ser menos feridos, menos complicados... isso só faz retardar a belíssima obra que o Espírito Santo quer realizar em nós.
Muitas vezes bloqueamos a nossa intimidade com Deus recusando a nossa pobreza, fragilidade, debilidade, ao invés de nos reconhecermos pequenos e sem nos darmos conta esterilizamos a ação do Espírito Santo.
Um problema decorrente disso é que, quando não conseguimos acolher a nós mesmos, também não acolhemos os outros (e perdemos tempo reclamando por ele não corresponder às nossas expectativas).
Essas atitudes e sentimentos são muito sérios porque revelam uma não aceitação de nós mesmos muito forte, que tem raízes em uma falta de confiança e fé em Deus. Aceitar-nos como somos, com nossa pobreza e limites, não significa acomodar-se, tomar uma atitude passiva ou preguiçosa diante da vida. Ao contrário, já que o próprio Evangelho nos chama a sermos perfeitos (cf. Mt 5,48), é preciso querer melhorar, crescer, superar, progredir... é indispensável porque deixar de progredir é deixar de viver! Mas tudo isso só acontece de forma equilibrada se nos aceitamos e reconhecemos necessitados de Deus.
É preciso desejar ser santo e reconhecer que não há santidade sem aceitação de si mesmo. As duas atitudes não se opõem. Precisamos reconhecer nossos limites, mas nunca ter face a eles uma atitude resignada ou medíocre, ao contrário, convém ter um desejo de mudança que não seja uma rejeição de nós mesmos.
Para todo esse processo é necessário suplicar que o Espírito Santo nos dê a graça da aceitação da verdade e da humildade, e isso não é fácil porque o orgulho e o medo de não ser aceito e a frágil convicção do nosso valor estão muito enraizados em nós. Só o olhar de Deus pode nos curar porque o Senhor mesmo disse que temos valor aos seus olhos e que Ele nos ama (cf. Is 53,4).Trazemos em nós uma necessidade vital do olhar do outro, seja de um amigo, um parente, uma autoridade espiritual, mas é certo que o olhar de Deus vale mais que todos os olhares, pois é o olhar do amor e da verdade que há no mais íntimo de nós.
O livro “A volta do Filho Pródigo”, de Henri Nouwen, evidencia a urgente necessidade de um dia em nossa vida termos a experiência de reconhecer que a nossa verdade está estampada nos olhos de Deus: “Por muito tempo eu achei que era uma espécie de virtude ter baixa auto-estima. Fui tantas vezes prevenido contra o orgulho e a presunção que acabei achando que era bom me depreciar. Mas agora compreendo que o verdadeiro pecado é negar o amor primeiro de Deus por mim e ignorar a bondade original. Porque sem reivindicar esse primeiro amor e essa bondade original, perco contato com o meu verdadeiro eu e enveredo, entre pessoas e lugares errados, numa busca destrutiva pelo que só pode ser achado na casa de meu Pai.”
Sob o olhar de Deus encontramos a liberdade de sermos pecadores, mas também de nos tornarmos santos unicamente por sermos amados, não por sermos pressionados. As nossas fraquezas não têm o poder de impedir a ação do amor de Deus em nós.
Jo Croissant destaca a necessidade de mudarmos o nosso olhar: “Vemos o quanto o olhar que trazemos sobre os outros e sobre o mundo talvez nos tenha influenciado sem que tivéssemos consciência, e é através de um acontecimento que vai nos ultrapassar que vamos tomar consciência de que não era correto o nosso olhar, que não era o olhar de Deus. Na realidade, a maneira como nos vemos nos afeta muito mais profundamente que imaginamos.
...O olhar que nós trazemos sobre os outros pode enquadrá-los num personagem do qual não permitimos que se liberte; basta que o olhemos de uma maneira diferente para que as situações se desbloqueiem” .
Jesus hoje faz o mesmo que fez com o jovem rico, Ele nos olha e ao mesmo tempo nos ama (cf. Mc 10,21).
Diante dessa liberdade interior que o olhar de Deus realiza em nossas vidas poderíamos citar diversos testemunhos, como falei anteriormente de Santa Teresinha, mas citarei aqui para concluir o exemplo de Etty Hillesum, uma jovem judia de Amsterdan que foi deportada para Auchwitz e lá desapareceu, em 30 de novembro de 1943. Essa mulher incrível, espontânea, viva, apaixonada e com sede de absoluto soube ter um olhar “diferente” diante da vida e das situações que lhe aconteciam porque tinha certeza que a sua liberdade não era definida pelo local, proibições ou pessoas, mas que se pode ser livre interiormente diante disso tudo. Ela dialoga com Deus de forma livre porque percebe a Presença dele no seu interior.
“Das tuas mãos, meu Deus, aceito tudo, como me ocorre. Aprendi que suportando todas as provas, podemos transformá-las em bem... Sempre que decidi enfrentá-las, as provas foram transformadas em bondade... Os piores sofrimentos dos homens são aqueles que eles rejeitam. Quando me encontro em um canto do campo de concentração, os pés firmados sobre a terra, os olhos elevados para o céu, às vezes tenho a face banhada de lágrimas... é esta a minha oração.” (Etty Hillesum). Que Deus o abençoe e o conduza sempre mais e mais nesse caminho de amor, verdade e liberdade, sem desanimar, porque acreditamos que Deus tem pressa em nos amar e realizar em nós a obra desejada de maturidade para a nossa santidade e felicidade, pois ser santo é ser feliz. Coragem!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Vocação Sacerdotal, um Chamado de Deus


A missão de cada sacerdote é clara e precisa: a santidade
Eu considero que a primeira reflexão deve ser sobre o caráter estritamente sobrenatural do chamado de Deus: foi Ele quem tomou a iniciativa sobre o novo rumo que as vidas dos vocacionados tomarão. Porque não são os vocacionados que escolheram a Cristo, mas sim foi Cristo quem, de uma maneira especial, escolheu-os para que vão por todo o mundo e levem frutos de santificação e de autêntica vivência cristã, e para que todos os frutos permaneçam como um sinal clarividente da intervenção divina (Cf. Jo 15,16).
A vocação sacerdotal e consagrada se apresenta por isso como uma eleição providente de Deus, profundamente gratuita, imprevista e desproporcionada a nossos cálculos e possibilidades humanas. 
        A vocação sacerdotal é o maior presente que Deus pode depositar nas almas. Do mesmo modo que chamou Pedro, são Tiago, João... e foi-lhes dizendo: 'Vem e segue-me', um dia Cristo fixou seu olhar em um jovem e disse: 'N., N.,N.,... vem, que eu te farei pescador de homens'. Ninguém respondeu ao sacerdócio por ação humana, mas porque o próprio Cristo no interior de suas almas pronunciou seu nome e os convidou a segui-lo. É um convite a grandes coisas: o que é melhor que ser embaixador do próprio Deus?
         Cristo tem necessidade de cada um dos sacerdotes, como teve de Pedro, de São Tiago e de São João. Os sacerdotes são as mãos, os pés, os olhos, a mente, o coração de Jesus Cristo; são os canais e os meios pelos quais Ele vai comunicar-se à humanidade.
          Que honra! Que doce o peso que Ele coloca sobre ombros de cada sacerdote: é o peso imponderável da Redenção, na qual se contém a felicidade pessoal e eterna de cada homem. 
Chamado que respeita a Liberdade
Deus respeita em sua integridade o homem e quando chama uma alma a seu serviço, em seu solene poder, nem a violenta, nem a intoxica, mas, com a paciência e amor que em sua revelação podemos contemplar em Jesus, deixa-a quase andar à deriva ou ao sabor das circunstâncias normais que trazem consigo esses processos e situações, e que em seus altos e baixos mal controlados poderiam inclusive determinar a decisão fundamental da alma e comprometer seu desígnio.
Há muitos jovens que Deus nosso Senhor preparou amorosamente desde toda a eternidade para que sejam sacerdotes; há muitos jovens que Deus chamou para serem sacerdotes; mas nem todos correspondem ao chamado de Deus, porque o chamado de Deus não implica o esmagamento da liberdade da pessoa humana; Deus sempre deixa a liberdade de seguí-lo ou não segui-lo. Cada jovem chamado ao sacerdócio é livre, absolutamente livre; cada um deles pode responder a Deus: sim ou não.
Chamado que exige uma resposta pessoal
Deus chama a cada jovem ao sacerdócio para que ele responda; chama a cada um, como pessoa. E a resposta a Deus é uma resposta pessoal. Nunca posso me escusar na falta de generosidade dos outros para justificar minhas atitudes. No caso de que os demais não viverem o cristianismo, de não se entregaram com entusiasmo ao trabalho apostólico, eu não tenho nenhum motivo para ficar atrás... Já dizia a Bíblia: 'Ainda que caiam dez mil à tua direita e dez mil à tua esquerda, tu segue adiante'.
Chamado que implica Santidade
A missão de cada sacerdote é clara e precisa: a santidade urgente! Temos por vocação que nos esforçar para adquirir a consciência de que hoje e amanhã ensinaremos nossos irmãos como ser santos. Alter Christus (Outro Cristo): glorificador do Pai e salvador de almas.



Pode-se chegar a Deus através da “via da beleza”, afirma o Papa.

Catedral de Bélem do Pará





Catequese que o Papa Bento XVI dirigiu aos fiéis reunidos para a audiência geral no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.
* * *





Queridos irmãos e irmãs:
Neste período, recordei muitas vezes a necessidade que todo cristão tem de encontrar tempo para Deus, através da oração, em meio às muitas ocupações da nossa jornada. O próprio Senhor nos oferece muitas oportunidades para que nos lembremos d’Ele.
Hoje eu gostaria de falar brevemente de um desses meios que podem nos conduzir a Deus e ser também uma ajuda para encontrar-nos com Ele: é o caminho das expressões artísticas, parte dessa via pulchritudinis – “via da beleza” – da qual falei tantas vezes e que o homem deveria recuperar em seu significado mais profundo.
Talvez já tenha lhes acontecido que, diante de uma escultura, um quadro, alguns versos de poesia ou uma peça musical, tenham sentido uma íntima emoção, uma sensação de alegria; percebem claramente que, diante de vocês, não existe somente matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, e sim algo maior, algo que nos “fala”, capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma.
Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, que tenta descobrir o sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além do que se vê, manifesta a sede e a busca do infinito. Inclusive é como uma porta aberta ao infinito, a uma beleza e uma verdade que vão além do cotidiano. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, conduzindo-nos ao alto.
Há expressões artísticas que são verdadeiros caminhos rumo a Deus, a Beleza suprema, que inclusive são uma ajuda para crescer na relação com Ele, na oração. Trata-se das obras que nascem da fé e que a expressam. Um exemplo disso é quando visitamos uma catedral gótica: sentimo-nos cativados pelas linhas verticais que se elevam até o céu e que atraem nosso olhar e nosso espírito, enquanto, ao mesmo tempo, nos sentimos pequenos ou também desejosos de plenitude… Ou quando entramos em uma igreja românica: sentimo-nos convidados de forma espontânea ao recolhimento e à oração. Percebemos que nesses esplêndidos edifícios se recolhe a fé de gerações. Ou também quando escutamos uma peça de música sacra que faz vibrar as cordas do nosso coração, nossa alma se dilata e se sente impelida a dirigir-se a Deus. Vem-me à memória um concerto de música de Johann Sebastian Bach, em Munique, dirigido por Leonard Bernstein. No final da última peça, uma das Cantatas, senti, não racionalizando, mas no profundo do coração, que o que eu havia escutado havia me transmitido verdade, verdade do sumo compositor que me conduzia a dar graças a Deus. Ao meu lado estava o bispo luterano de Munique e espontaneamente lhe comentei: “Ouvindo isso se entende: é verdadeira, é verdadeira a fé tão forte e a beleza que expressa irresistivelmente a presença da verdade de Deus”.
Quantas vezes quadros ou afrescos, frutos da fé do artista, com suas formas, com suas cores, com suas luzes, nos conduzem a dirigir o pensamento a Deus e fazem crescer em nós o desejo de acudir à fonte de toda beleza! É profundamente certo o que escreveu um grande artista, Marc Chagall: que os pintores mergulharam seus pincéis, durante séculos, no alfabeto de cores que é a Bíblia. Quantas vezes as expressões artísticas podem ser oportunidades para lembrarmos de Deus, para ajudar nossa oração ou para converter o nosso coração! Paul Claudel, famoso poeta, dramaturgo e diplomata francês, ao escutar o canto do Magnificat durante a Missa de Natal na basílica de Notre Dame, em Paris, em 1886, advertiu a presença de Deus. Não havia entrado na igreja por motivos de fé, mas para encontrar argumentos contra os cristãos. No entanto, a graça de Deus agiu no seu coração.
Queridos amigos, eu lhes convido a redescobrir a importância deste caminho também para a oração, para a nossa relação viva com Deus. As cidades e os países do mundo inteiro contêm tesouros de arte que expressam a fé e nos recordam a relação com Deus. Que a visita a lugares de arte não seja somente ocasião de enriquecimento cultural, mas que possa se tornar um momento de graça, de estímulo para reforçar nosso vínculo e nosso diálogo com o Senhor, para deter-nos a contemplar – na transição da simples realidade exterior à realidade mais profunda que expressa – o raio de beleza que nos atinge, que quase nos “fere” e que nos convida a elevar-nos até Deus. Termino com uma oração de um salmo, o salmo 27: “Uma só coisa pedi ao Senhor, só isto desejo: poder morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida; poder gozar da suavidade do Senhor e contemplar seu santuário” (v.4). Esperemos que o Senhor nos ajude a contemplar sua beleza, seja na natureza ou nas obras de arte, para sermos tocados pela luz do seu rosto e, assim, podermos ser, também nós, uma luz para o nosso próximo
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