domingo, 26 de agosto de 2012

XXI Domingo Comum- '' A quem iremos Senhor? Só tu, tens palavras de vida eterna!''


          Caros irmãos! Após debruçarmo-nos cinco domingos ao decurso dessa segunda parte do Tempo Ordinário em que ouvimos de Nosso Senhor a solene catequese acerca do ‘’mistério do Pão da Vida’’, principiado com o sinal, (milagre), consoante a literatura joanina, chegamos ao ocaso de quão magnífico sermão proferido em Cafarnaum, cidade ministerial do Messias davídico.

       Voltemo-nos, nesse ínterim, à primeira leitura da Sagrada Liturgia hodierna. Eis! A ‘’Assembleia de Siquém’’. O grande sucessor de Moisés, Josué, conduzira Israel à terra prometida e, com essa peregrinação, muitas são as vicissitudes pelas quais o Povo da Aliança antiga é provado.  Lembremo-nos das queixas de Israel: ‘’Por que nos fizestes subir do Egito para morre neste deserto. Pois não há nem pão, nem água; estamos enfastiados deste alimento de penúria.’’ (cf. Nm 21). Em via dolorosa à terra reservada ao patriarca Abraão e para toda a sua estirpe, a raça dos isarelitas fora influenciada pelos ídolos dos povos politeístas instalados nas mediações da chamada ‘’Meia Lua Fértil’’. Os amorreus, os jebuseus, os amonítas, os mesopotâmicos... Efraim é infidedigno à Aliança Sagrada, sancionada com Moisés, no Monte Sinai.

       A Assembleia de Siquém é um estopim fundante na paulatina história da salvação, pois ela abrira a consciência para a liberdade de Israel. ‘’Se vos parece mal servir ao Senhor escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e a minha casa, nós serviremos ao Senhor.’’ (cf. Js, 24). Para tal interpelação o povo, unânime, como numa solene profissão de fé, herdada dos seus pais, respondê-lo-á: ‘’Longe de nós abandonarmos o Senhor, nosso Deus, ele mesmo, é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão.’’

      Pertinente é tal acontecimento para sermos cônscios que, diante de Deus, é mister sermos resolutos em esolhas que sempre resultarão em consequências. Diz-nos a Escritura no Livro do Deuteronômio: ‘’Ponho diante de vós dois caminhos: o da vida e o da morte, quais deles escolhereis? Agora, caros cristãos, reparemos bem: quando escolhemos o Evangelho, aquele ‘’caminho estreito’’ do qual falara Jesus, quando os seus discípulos indagaram-lhe quem se salvaria, saibamos que defronte à existência, iremos nos deparar com, como diz São Paulo, a ‘’cruz que é a sabedoria de Deus.’’ E depois Santa Rosa de Lima, cuja memória celebramos por esses dias: ‘’ A cruz é a nossa escada para o céu.’’

      À segunda leitura, extraída da epístola de São Paulo aos Efésios, o apóstolo exorta aos cônjuges, para a vivência diligente da vocação matrimonial. Notabilíssa é a analogia: ‘’Maridos amai as vossa esposas como Cristo amou a sua Igreja e por ela se entregou.’’ O miolo da vocação matrimonial e de todos quantos decidem-se pelo projeto salvífico de Deus, perpassa as aparências, o verniz. Seja na relação conjugal, elevada à dignidade de sacramento, outrossim no ministério de presbíteros... Sempre urge fixarmos os nossos olhares e elevarmos o nosso coração no Mistério Pascal. A vocação específica de cada cristão nasce e ganha vigor na vivência da Páscoa, ou seja, quotidianamente, experimentarmos o que dissera Jesus: ‘’se o grão de trigo cai na terra e não morre ficará só um grão de trigo, mas se morre produzirá muitos frutos.’’ A capacidade do exercício do amor oblação, permite, em nossa carne, como diz o Apóstolo, ‘’ completar o que faltou na paixão de Cristo.’’

        No Evangelho, como sabemos, Jesus concluira o discurso sobre o Pão da vida. Mostrando aos seus fieis seguidores quem o era, o milagre da multiplicação do pães, conduze-os a permanecer com Ele. Agora, Atenção! Permanecer após o Mestre que durante a sua vida pública estara subindo a Jerusalém, é saber que, chegaremos ao Gólgota. Ao Monte Calvário. Por isso mesmo que adverti-os: ‘’Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la? Palavra que sempre comprometeu. Pensemos nos doze, em Maria Santíssima, nos santos, nos Papas, bispos, sacerdotes. Quando nos encontramos com quão desafiadora palavra, dizemos como Simão Pedro: ‘’Em atenção a vossa palavra lançaremos as redes.’’ Jesus, no final desse discurso solene, vai querer dos seus a liberdade resiliente para segui-lo. Muitos, como aquele jovem rico, ‘’ a partir daquele momento, voltaram atrás e não andavam mais com ele.’’ Até que o magno apóstolo São Pedro, o mesmo que na fraqueza, negá-lo-ia, Pedro, em nome dos doze, dos discípulos.
        Sempre Pedro, a Igreja, fidedigna servidora do Evangelho, responde, com coração de quem conhece Aquele que segue: ‘’A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.’’ Diletos, vejamos, ‘’nós cremos’’, a fé de Pedro, a genuína, é mesmíssima ontem, hoje e sempre! Com Pedro, com o Vigário de Cristo, decidimos por Jesus, não obstante, às consequências de tal seguimento. A Ele, o primogênito dentre os mortos, a glória, a honra, o louvor pelos séculos dos séculos. Amém!

      

 

 

 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Somos chamados para o céu
“Vocação!”. Do latim vocare (chamado), se chamado, ou melhor, receber uma missão essa é a primordial vocação que somos inseridos; devemos ter em mente que todos nós somos chamados à vida. Vida é o ponto a ser observado; nesse contexto, quantas pessoas estão perdendo o sentido? A primeira de todas que é viver a vida dada por Deus para Deus, perdido em mundo sem volta, ilusão de procura nas coisas desse mundo o sentido da existência humana.
Tendo observando esse ponto notamos que muitos cristãos estão com dúvida, ou melhor, perda de identidade do que é ser verdadeiramente cristão. Sobre esse aspecto é bom notar, que Cristo nos chama para viver o Evangelho. Então nesse sentido ser cristão é seguir o chamado de Deus primeiramente vivendo a vida ao qual ele nos dá e em sintonia na vivência dos mandamentos.
Chamados à “Santidade” a Santa Mãe Igreja Católica nos ensina que todos devemos cumprir o paulatino itinerário em alcançar a santidade, ou seja, seguindo o exemplo de Cristo que dissera: “sede santos como vosso Pai do céu é Santo” ou seja, na caridade em suma consumação pelo Pai. Viver a Santidade no tempo contemporâneo é uma luta constante contra o mal. Qual mal? A mídia que envenena a mente de tantas pessoas. É só ligar a televisão para entrar em crise, uma pessoa que já vive uma rotina desgastante no seio da família. Por que familiar? É a próxima vocação à qual estamos voltados. Perda de sentido do que é família, gerando assim, para a sociedade, em um todo, uma desestruturação, pois os valores são invertidos e se perdem por valores efêmeros. Vocação familiar é viver o pleno amor para com todos os membros da família na busca da plena harmonia para que todos cheguem à estatura do homem perfeito.
Em suma toda vocação é um chamado que Deus em seu amor infinito nos convida para estar ao seu lado, vivendo uma doação na correspondência do amor para com a Trindade Santa e a humanidade redimida no sangue do Cordeiro.
Por.: Seminarista Francisco Santos

O homem no tempo e a oportunidade

    Canta-se nos primeiros versos da canção oração ao tempo: ''És um senhor tão bonito... tempo és um dos deuses mais lindos.'' Eis! O ''antropos'' permanece em Kronos desde o dia da sua concepção em que aprouvera Deus, em sua infinita bondade, mesmo sendo libado, pelo pecado dos primeiros ancestrais, os dons preternaturais. Ao tempo condicionamos a existência nossa de transeuntes.
   
    O ser humano, em seus infindos, como se pode conceber, ofícios, ao decurso das horas.
Será que a correlação existencial entre o homem e o tempo, fazendo uma análise da conjuntura à qual pertencemos, é deveras salutar? Imergidos na mazela que se pode converter a rotina, vai se priorizando o que ora não é mister, logo tornamo-nos alienados pelo ''senhor'' kronos jogado ao abstrato e eis ai o ilusório, o banal e, por conseguinte, o efêmero.
   
     Ouve-se de alhures, o que diziam os mais antigos, ''ter tempo é questão de preferência'', outrossim vamos priorizando o indispensável, sobretudo as relações pessoais que na era dos avanços tecnológicos vão ficando longínquas. Nos tempos hodiernos, infelizmente, contemplamos as dissaborosas realidades à vida humana e deste modo, vamos perdendo a identidade genuína do ''eu''' com o ''nosso''.
    A Escritura, sapientemente, no Eclesiastes, assegura: ''Há um tempo para tudo debaixo do céu.''Oxalá o animal racional, nas vicissitudes dos acontecimentos, na ciranda da vida, perlustrem as suas ações e, como diz Exupery, conclua: ''O essencial é invisível aos nossos olhos''; de maneira tal, a deixar a superficialidade frenética e obter uma ótica existencial mais profunda em que encontrar-se-á.

 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Consagrados na verdade


Difícil seria conceber uma sociedade bem constituída, desprovida de sacerdotes. Pois, como assinala com proverbial singeleza o Santo Cura d’Ars, “sem o Sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor”.

            Acrescenta ele: “Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem há de prepará-la para comparecer diante de Deus, levando-a pela ultima vez o sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote”.

            Estas palavras de São João Maria Vianney – oportunamente lembradas pelo Papa Bento XVI na Carta para proclamação do Ano Sacerdotal, de 16/09/2009 – realçam a importância da vida sacramental para autêntica vitalidade do Corpo Místico de Cristo, mas também quanto a boa ordenação social depende da dedicação e virtude dos ministros consagrados.

            Muito a propósito advertiu Dom Chautard, em seu célebre livro A alma de todo apostolado, que a um sacerdote santo corresponde um povo fervoroso; a um sacerdote fervoroso, um povo piedoso; a um sacerdote piedoso, um povo honesto; e a um sacerdote honesto, um povo ímpio...

            O Sacramento da Ordem eleva quem o recebe a uma dignidade régia no meio dos fiéis, não apenas representando o Cristo, mas agindo in persona Christi, em diversas oportunidades. Ascende, assim, o sacerdote, ao ser “consagrado na verdade” (Jo 17, 19) pela imposição das mãos do Bispo, a uma dignidade superior à dos anjos, segundo Santo Afonso Maria de Ligório.

            A tal elevação deve corresponder um desejo constante de em tudo se configurar com Cristo. E, em consequência, uma respeitabilidade proporcionada a tão alta missão, que se reflete não apenas no comportamento exímio, mas também na adequação da postura, do modo de ser e do traje.

            Sobretudo, ensina o Concílio Vaticano II, deve o sacerdote ter presente a centralidade da Eucaristia no seu ministério: “A Eucaristia aparece como fonte e coroa de toda a evangelização” (Presbyterorum ordinis, n. 2). Pois no sacrifício Eucarístico se exerce a própria obra da Redenção (cf. idem, n. 13).

            Também nos dias atuais, a vitalidade da Igreja depende em boa medida dessa configuração com Cristo, condição necessária e base de qualquer autêntica renovação. Assim o salientou o Papa Bento XVI na homilia da ultima Missa Crismal: “Quem observa a história do período pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que assumiu amiúde formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que tona quase palpáveis a inexaurível vivacidade da Santa Igreja, a presença e a ação eficaz do Espírito Santo. E, se observarmos as pessoas das quais dimanaram, e dimanam, esses rios pujantes de vida, vemos também que, para uma nova fecundidade, é preciso estar cheio de alegria da fé; são necessárias também a radicalidade da obediência, a dinâmica da esperança e a força do amor”.

            Mais uma vez, a santidade, portanto!



 Fonte:Editorial – Revista Arautos do Evangelho – Maio de 2012, nº 125

A AUSTERIDADE COMO PROPÓSITO DE VIDA


Que exemplo melhor do que o Batista podemos tomar para falar da austeridade? João, que desde o seu nascimento sabia que deveria aplainar os caminhos do Senhor, foi viver no deserto. Muito mais do que um deserto material, João habitava o deserto da austeridade.

Ser austero é um desafio. A austeridade é uma virtude que devemos buscar viver todos os dias, neste modelo de vida formativa à qual escolhemos. Entretanto, como é possível viver este propósito em nossos tempos? Diariamente somos enxertados de valores e princípios que não podem ser associados à modéstia e à prudência que nos são necessárias para viver a fundo o princípio austero.

Portanto, todas as vezes que buscarmos ter a austeridade como o modelo de nossas vidas, lembremo-nos do exemplo de João, da urgente e necessária mortificação dos sentidos, da simplicidade no agir e no falar, da fundamental e imprescindível disciplina, do cuidado no vestir, pois isto pode até afetar a nossa castidade etc.

Autocontrole é fundamental para aquele que busca ser austero. Travemos, então, uma luta diária contra aquilo que a sociedade secular nos impõe, para, por meio dos exemplos já citados, podermos também entrar no mesmo deserto que João. Somente nesta austeridade, no deserto de mortificação, de obediência e de renuncia, poderemos verdadeiramente estar abertos à Palavra do Senhor. E, por fim, poderemos com firmeza na fé e na oração, responder-Lhe e deixar ser conduzidos por sua mão poderosa, para viver segundo o que o Filho disse, agindo cheios do Espírito Santo. Amém.
                

P.S: Redigido pelo Sem. Ediney de Oliveira Junior

domingo, 19 de agosto de 2012

O Olhar para a Fraternidade


Quando entramos no mundo eclesial, especificamente viver em comunidade, seja ela nos seminários, das novas comunidades, em qualquer lugar onde deparamos para a convivência com as pessoas, ficamos estupefatos por duas realidades: o “individualismo” e a chamada “Fraternidade”.

Vivendo em uma sociedade que a cada dia busca o capitalismo ferrenho, o prazer pelo prazer e em um mundo secularizado é inevitável não está impregnado pelo individualismo que permeia as relações. Deparamo-nos por uma realidade onde o nosso mundo que criamos é o melhor, nossas opiniões que estão certas e não temos a sensibilidade de perceber que em tudo, estamos interagindo com as pessoas.

Ao vivermos em comunidade essa realidade será conturbada, ao perceber que o mundo não gira em torno de você, começa a crise do individualismo. Perceber que você será mais um na comunidade é chato! Mas não é o fim do mundo. Porém saber que um todo será mais forte e necessário inicia-se a Formação da Fraternidade.

Na comunidade o que importa não é você, mas sim seus irmãos, o individualismo fica de lado, enquanto o senso comum tem o compromisso de agir, colocar-se no lugar do outro, preocupar-se com o outro. O grupo só encontrará a fraternidade quando todos tiverem a ousadia de trazer para si o senso de pertença da comunidade e paralelamente viver os sermões que São Paulo fazia nas comunidades onde passava.

A Fraternidade é possível! Basta caminhar rumo a ela, saber que é a comunidade que agora, estará intrínseca a você, é com ela que você erra e acerta, é com ela que vamos buscar a santidade nas nossas ações, nos projetos e no nosso ser. Ela que nos ajuda a reconhecer quem somos de verdade!

Somos irmãos! Somos Fraternos! Basta querer e saber agir! Desta forma a alteridade chegará e viveremos melhores e mais perto do Reino de Deus.

P.S- Redigido pelo Seminarista Propedeuta Bruno Marques Pinheiro

sábado, 18 de agosto de 2012

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

                                    
A vós irmãos graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!

    Diz-nos a Antífona da Entrada da Missa do Dia: ``Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando este dia festivo em honra da Virgem Maria: os Anjos se alegram pela sua Assunção e dão glória ao Filho de Deus.``

       Recorda-nos a Igreja no dia quinze de agosto (no Brasil com licença da Sé Apostólica no Domingo mais próximo) a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, assunta aos céus, à direita do Unigênito. Coroada tal qual Rainha do céu e da Terra! ‘’A ``Dormitio Virginis`` e a Assunção, no Oriente e no Ocidente, estão entre as mais antigas festas marianas. Este antigo testemunho litúrgico foi explicitado e solenemente proclamado pela definição dogmática do Papa Pio XII em 1950.’’ (cf. Missal Romano)

          Eis cristãos diletos que a hodierna Solenidade da Virgem Maria, no que tange a piedade popular, é conhecida por uma gama de epítetos dentre os quais destacamos: Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Boa Hora, Nossa Senhora Imperatriz dos Campos etc. Tais nos remetem ligeiramente a uma precisão única, consoante o magistério da Igreja: ‘’A Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha de culpa original, terminando o curso de sua vida terrestre, foi exaltada em corpo e alma à glória celeste e pelo Senhor exaltada qual Rainha do universo, para que mais plenamente estivesse conforme o seu Filho , Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte’’ (LG 59).

     Celebrarmos Maria assunta aos céus, entendamos bem: é, de fato, conduzidos pelas virtudes teologais do Santo Batismo, a fé e a esperança, que a Igreja peregrina, após as vicissitudes do ‘’Kronos” associada ao “Kairós’’ ,participará do mesmíssimo gáudio e plenitude da qual a Santa Mãe de Deus, conforme reza a Liturgia, no prefácio, `` é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho.``  Contemplamos a imagem de Maria Santíssima e logo, em nossos corações, desponta a mulher toda bendita que soube experimentar na sua existência o Plano da Economia da salvação para a humanidade que toda ficara sujeita à morte segunda após a primeira queda dos primeiros pais nossos. Com o nó da desobediência da mulher Eva; a obediência da Mulher Maria desata-o, o homem conheceu uma nova criação. O Proto-Evangelho do Gênesis atesta: ‘’ Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.’’ (cf. Gn 3, 15)

    Maria, à destra do Redentor, vela incansavelmente por toda a Igreja em caminho. Diz-nos o Apóstolo Paulo, na segunda leitura da Missa do Dia: ‘’Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.`` Quão caras e notabilíssimas são deveras essas afirmações. Reparemo-las e meditemo-las quanto a sua revelação e outrossim a escatologia da mesma. Nosso Senhor crucificado-ressuscitado é a certeza da nossa paz derradeira e definitiva e dá-nos esta certeza a Virgem Santíssima. Apraz-nos destacar o que diz o evangelista São Lucas: ‘’Quanto a Maria guardava todos aqueles fatos e meditava-os em seu coração’’.

   Maria triunfante aos céus, após participar intimamente dos mistérios da salvação, desde à Encarnação ao Pentecostes, como a plenitude do Mistério Pascal, goza do galardão dos filhos de Abraão, por motivo tão excelso, nós também, como coerdeiros de Cristo, filhos no Filho de Deus, receberemos. Festejar esta solenidade faz-nos pensar que toda a vida de Maria Santíssima sempre fora uma atualização daquele ‘’Fiat`` que desdobra-se até ao auge da cruz do Senhor. Debaixo da ara da salvação permanece àquela que, em seio puríssimo, gestou o Salvador do Gênero Humano! Vejamos caros irmãos. Nós, que pelo Batismo,  como no-lo diz o Apóstolo, ‘’pertencemos a Cristo por ocasião de sua vinda,’’ receberemos a recompensa dos eleitos, das virgens prudentes, que, quando da chegada do Noivo estavam com as lâmpadas acesas.

  Oxalá contemplando a Mãe de Deus, Nossa Senhora da Assunção, permaneçamos com os nossos corações voltados para o Divino Redentor, pois cumprindo com a vontade de Deus, cuja máxima é o amor-oblativo, participemos da glória de Maria e como ela e com ela cantemos o eterno Magnificat. Assim seja!



   

    








sábado, 11 de agosto de 2012

XIX Domingo do Tempo Comum-


''É este o pão vivo, descido do céus, para que todo aquele que dele comer não morra para sempre.'' (II Vésperas; Cântico Evangélico)
                                         .Foto: ''É este o pão vivo, descido do céus, para que todo aquele que dele comer não morra para sempre.'' (II Vésperas; Cântico Evangélico, ant.)
     Peregrinando no vale de lágrimas da existência, a Igreja, nossa Mãe, e Senhora do Cordeiro Imaculado, recorda, atualiza, faz-se presente todos os domingos ininterruptamente, a Páscoa do Filho de Deus. 
    Na Sapientíssima Palavra de Deus, nos ritos, nos sacramentais, nós, cristãos batizados, ainda que com nossos sentidos, mas, sobretudo, com a fé batismal dispensada  quando do dia em que fomos enxertados no Mistério Pascal do Adão obedientíssimo na fonte do Batismo e, consoante as Sagradas Letras, ''até a morte e morte de cruz.'' É na Liturgia, na epíclese do Espírito Santo que celebramos o mistério central da fé trinitária. A Sagrada Eucaristia. 
  Na via à Páscoa Eterna, celebramos hoje o XIXº Domingo do Tempo Ordinário, depois de Pentecostes. A Liturgia nos apresenta a continuação do sermão solene de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Após saciar as multidões, com a multiplicação dos pães, prefiguração da abundância da Eucaristia, décimo sétimo domingo, Jesus censura as multidões, por não procurá-lo, mediante os sinais, ''mas porque comeram e ficaram satisfeitos.'' Isto no décimo oitavo domingo comum. Como se o Dileto de Deus Santíssimo fosse um taumaturgo, ou ainda, numa linguagem hodierna, um super-homem, um Jesus comerciário, ou quem sabe, até, uma artista, e até mesmo um assistente social, um filantrópico. Não! Nunca, jamais.
  Jesus é Deus sempiterno, encarnado em o seio puríssimo de Maria, sempre virgem, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, cuja existência, permeada pelos sinais, milagres, convergem à hora da cruz, como no-lo exclama o Apóstolo: ''Jesus Cristo existindo em condição divina não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se, fazendo-se aos homens semelhantes.'' Eis aí, irmãos caríssimos, Nosso Senhor, cujos benefícios de sua ''Kénosis'' somos partícipes e fruto.
    A Escritura nos apresenta a figura de Elias, o grande profeta. Acabrunhado peregrinara até o Horeb, o Monte de Adonai. Desfalecido caminhara o homem de Deus. Elias que combatera a idolatria, o culto a Baal, contudo se  encontara desfalecido. Olhamos para o profeta, e olhamos para nós mesmos, em nossa existência. Quais as nossas lutas? Quais os nossos anseios? Qual a nossa meta? De fato, para tais indagações, existe uma única resposta: a vida eterna. Deus. O Total; O Absoluto. O nosso Porto Seguro. 
   Elias, sob aquele junípero, é interpelado pelo anjo do Senhor.“Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.'' Aqui está um clarividente, dentre muitas, prefigurações da Eucaristia, do banquete sacrifical do Senhor. Elias que não viu o Senhor, que não o adorou, nas ínfimas matérias do pão e do vinho sacramentados, comeu ali e chegou à sua meta, o Horeb, o Sinai. E nós que somos cristãos? E nós que temos o ''galardão de lutadores esforçados'' como dissera Anchieta nos versos de sua poesia ''Do Santíssimo Sacramento.'' 
   Nós temos o maná, por excelência, o Pão dos anjos, feito Pão dos homens! Temos Deus imolado na ara da Eucaristia. Testamento da Caridade de Deus! Viático do Israel Novo, dos batizados, dos confirmados, da Igreja que orna-se do mais fino linho para celebrar o Cordeiro. Para Elias foi chegar ao Horeb. Para nós é chegarmos à beatitude eterna. A felicidade verdadeira, em Cristo, Senhor nosso.''8Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo.'' Benditas são as palavras de Escrivá de Balaguer: Humildade do Senhor, na manjedoura? No Gólgota? Mais humildade, ao dar-se no pão e no vinho. Oxalá a nossa participação no Banquete do Cordeiro seja frutuosa, pois, no-lo diz a Igreja: ''Todas as vezes, de fato, que celebramos esse mistério, torna-se presente a nossa redenção.
   A Ele, o Primogênito dentre os mortos, a glória, o poder, a sabedoria e a divindade pelo séculos infindos. Amém!
   Peregrinando no vale de lágrimas da existência, a Igreja, nossa Mãe, e Senhora do Cordeiro Imacu
lado, recorda, atualiza, faz-se presente todos os domingos ininterruptamente, a Páscoa do Filho de Deus. 
Na Sapientíssima Palavra de Deus, nos ritos, nos sacramentais, nós, cristãos batizados, ainda que com nossos sentidos, mas, sobretudo, com a fé batismal dispensada quando do dia em que fomos enxertados no Mistério Pascal do Adão obedientíssimo na fonte do Batismo e, consoante as Sagradas Letras, ''até a morte e morte de cruz.'' É na Liturgia, na epíclese do Espírito Santo que celebramos o mistério central da fé trinitária. A Sagrada Eucaristia. 
    Na via à Páscoa Eterna, celebramos hoje o XIXº Domingo do Tempo Ordinário, depois de Pentecostes. A Liturgia nos apresenta a continuação do sermão solene de Jesus na sinagoga de Cafarnaum. Após saciar as multidões, com a multiplicação dos pães, prefiguração da abundância da Eucaristia, décimo sétimo domingo, Jesus censura as multidões, por não procurá-lo, mediante os sinais, ''mas porque comeram e ficaram satisfeitos.'' Isto no décimo oitavo domingo comum. Como se o Dileto de Deus Santíssimo fosse um taumaturgo, ou ainda, numa linguagem hodierna, um super-homem, um Jesus comerciário, ou quem sabe, até, uma artista, e até mesmo um assistente social, um filantrópico. Não! Nunca, jamais.
    Jesus é Deus sempiterno, encarnado em o seio puríssimo de Maria, sempre virgem, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, cuja existência, permeada pelos sinais, milagres, convergem à hora da cruz, como no-lo exclama o Apóstolo: ''Jesus Cristo existindo em condição divina não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas esvaziou-se, fazendo-se aos homens semelhantes.'' Eis aí, irmãos caríssimos, Nosso Senhor, cujos benefícios de sua ''Kénosis'' somos partícipes e fruto.
     A Escritura nos apresenta a figura de Elias, o grande profeta. Acabrunhado peregrinara até o Horeb, o Monte de Adonai. Desfalecido caminhara o homem de Deus. Elias que combatera a idolatria, o culto a Baal, contudo se encontara desfalecido. Olhamos para o profeta, e olhamos para nós mesmos, em nossa existência. Quais as nossas lutas? Quais os nossos anseios? Qual a nossa meta? De fato, para tais indagações, existe uma única resposta: a vida eterna. Deus. O Total; O Absoluto. O nosso Porto Seguro. 
    Elias, sob aquele junípero, é interpelado pelo anjo do Senhor.“Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.'' Aqui está um clarividente, dentre muitas, prefigurações da Eucaristia, do banquete sacrifical do Senhor. Elias que não viu o Senhor, que não o adorou, nas ínfimas matérias do pão e do vinho sacramentados, comeu ali e chegou à sua meta, o Horeb, o Sinai. E nós que somos cristãos? E nós que temos o ''galardão de lutadores esforçados'' como dissera Anchieta nos versos de sua poesia ''Do Santíssimo Sacramento.'' 
   Nós temos o Maná, por excelência, o Pão dos anjos, feito Pão dos homens! Temos Deus imolado na ara da Eucaristia. Testamento da Caridade de Deus! Viático do Israel Novo, dos batizados, dos confirmados, da Igreja que orna-se do mais fino linho para celebrar o Cordeiro. Para Elias foi chegar ao Horeb. Para nós é chegarmos à beatitude eterna. A felicidade verdadeira, em Cristo, Senhor nosso.''8Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo.'' Benditas são as palavras de Escrivá de Balaguer: Humildade do Senhor, na manjedoura? No Gólgota? Mais humildade, ao dar-se no pão e no vinho. Oxalá a nossa participação no Banquete do Cordeiro seja frutuosa, pois, no-lo diz a Igreja: ''Todas as vezes, de fato, que celebramos esse mistério, torna-se presente a nossa redenção.
   A Ele, o Primogênito dentre os mortos, a glória, o poder, a sabedoria e a divindade pelo séculos infindos. Amém!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um muçulmano abraça a Igreja atraído pela beleza da verdade!


Salvatore Cernuzio
Existem muitos muçulmanos que gostariam de renunciar ao islã para abraçar o cristianismo. Entretanto, na maioria dos casos, o medo da perseguição os impede de se converter. Mesmo assim, existem aqueles que têm a coragem de fazer essa escolha não só na intimidade do coração, mas afirmando-a publicamente no site do jornal National Catholic Register.
É o caso de Ilyas Khan, filantropo britânico, nascido de pais muçulmanos, crescido na Grã-Bretanha, banqueiro de formação, dono do clube de futebol Accrington Stanley e presidente do Leonard Cheshire Disability, a maior organização mundial de assistência às pessoas com necessidades especiais.
“A minha fé conta com a grande contribuição da educação que eu recebi até os meus 4 anos”, revela Ilyas ao entrevistador, que lhe pergunta o que o levou à fé católica. “A minha mãe estava muito doente. Quem me criou naqueles primeiros anos foi a minha avó, que era profundamente católica. Eu não tinha como não me considerar cristão”.
Dos 4 aos 17 anos, porém, Ilyas foi criado e educado como muçulmano. Ele conta: “Na faculdade, a divina providência interveio novamente. Eu fui morar na Netherhall House, que é uma casa de estudantes do Opus Dei”.
O tempo que passou naquela casa de estudantes o aproximou da espiritualidade e da fé católica. Ele mesmo afirma: “Eu não posso dizer que fui induzido à fé inconscientemente. Pelo contrário. Lá pelos 18 ou 19 anos, eu descobriu pessoas como Hans Urs von Balthasar, e comecei a ler muito os textos da biblioteca. Fiquei interessado na teologia, em Santo Agostinho e Orígenes”.
Essas leituras provocaram no jovem Ilyas um movimento interior que já então o empurrava a proclamar as próprias crenças abertamente, mas o medo de causar uma dor profunda nos pais, ainda vivos, o sufocava.
A virada decisiva, lembra Khan, foi um “grau maior de consciência de toda a minha vida e das minhas bases morais”. “O desejo de abandonar o islã era profundo, mas foi o impulso de Cristo que me levou à decisão”.
A contribuição fundamental veio da rotina de “viver a vida da Igreja” durante uma estadia em Hong Kong, aos 25 anos. A igreja chinesa de São José “foi o lugar onde eu descobri o catolicismo tradicional. Dos 25 anos em diante, eu não tive mais nenhuma dúvida: eu era católico”.
Mas houve um momento em particular que marcou indelevelmente a fé de Ilyas: uma “visão” durante uma visita à basílica de São Pedro. “Eu estava caminhando pela basílica e me lembro de ter sido ‘arrebatado’ ao ver a Pietá de Michelangelo. Me vieram mil perguntas enquanto eu olhava para aquele rosto de Maria que contempla o seu Filho. E eu disse para mim mesmo: ‘Este é Deus! Não pode não ser Deus’. Para o islã, dizer que Deus se fez homem é uma heresia. Foi ali que me caíram por terra todas as dúvidas. A beleza e a atmosfera em torno daquele espetáculo foram a grande virada”.
O testemunho de Ilyas Khan, por um lado, serve como estímulo para todos aqueles que ainda têm dúvidas ou medos quanto às próprias crenças. Por outro lado, no entranto, a conversão despertou reações negativas, traduzidas em demonstrações de ódio e em ameaças diretas de morte.
Ilyas não tem medo de expressar a sua fé nem de proclamar publicamente a sua beleza. Ele é considerado hoje, na Grã-Bretanha, como “o mais importante neo-converso ao catolicismo”.

Juiz isenta empresa de cumprir mandato abortivo do governo dos Estados Unidos.


A reforma na área de saúde promovida pelo governo dos Estados Unidos, que, entre outras coisas, obriga empresas – inclusive as católicas- a custear, via seguro de saúde, serviços contraceptivos e abortivos aos funcionários, teve a primeira derrota judicial .
O proprietário da empresa Hercules Industries, William Newland, que é católico, entrou recentemente com uma ação contra a medida governamental, que foi acatada pelo juiz, John L.Kane, do tribunal de distrito do Colorado, sob alegação de que a norma viola a liberdade religiosa de Newland.
Para justificar sua decisão, o juiz do Colorado afirmou que os demandantes apenas buscam dirigir a empresa “de uma maneira que reflete suas sinceras crenças religiosas” e alegou no sentido de que “é de grande interesse público o livre exercício da religião inclusive se esse interesse pode entrar em conflito com outros”.
Com a decisão do juiz, a empresa Hercules, que atua com eficiência energética e energias renováveis, fica temporariamente livre de arcar com os gastos relacionados às multas que teriam que ser pagas por não assegurar aos seus 265 empregados conforme prevê o mandato do governo norte-americano. (BD)
ACI.

Ainda as conclusões do IBGE sobre a diminuição de católicos. Uma análise.


Por Luiz Eduardo Cantarelli
Nem todos futuros são para desejar, porque há muitos futuros para se temer. (Pe Antônio Vieira).
Em 1970, os católicos eram 90% dos brasileiros. Hoje, segundo o IBGE, são 64,6%, ou seja, 26%, uma massa de 37 milhões – uma Argentina de gente -, deixou de ser católica. Ao seu estilo, Nelson Rodrigues preconizava na década de 70 que o Brasil seria, no futuro, o maior país de ex-católicos do mundo.

Para onde partem os católicos? Na sua grande maioria, seguem para as, assim chamadas, religiões evangélicas, principalmente para as de cunho pentecostal e autônomas. No último censo, os protestantes subiram de 15% para 22,2%, dentre estes, estão os tradicionais que ficaram patinando nos 4%.

O espiritismo, que na década de 50 pensou-se que seria a religião do Brasil, estancou em 2%.
Os “sem religião” margeiam os 8%, sendo que os 3% restantes estão espalhados nas diversas outras propostas religiosas. Então, basicamente, o funil de saída é para o protestantismo e, daí, parte deles migra para os “sem religião” – o que não quer dizer que se tornam ateus.

Quando estancará o vertedouro de escoamento é uma incógnita, pois vários são os fatores, objetivos e subjetivos interferentes nesse processo, alguns destes relevantes que ouso explicar o movimento.

O primeiro: o “espírito do tempo” que estamos vivenciando, um mundo plural, em que a morte do passado nos revela que tradição não dá mais liga e o individualismo é o senhor da razão. Nesta nova visão de mundo, tem muito pouco valor aquilo em que os antepassados creram e viveram. A experimentação do novo e a curiosidade do desconhecido soam forte em cada um.
Segundo Dr. Flávio Pierucchi, da USP: “Uma sociedade que não precisa mais de Deus para se legitimar, se manter coesa, se governar e dar sentido à vida social, mas que, no âmbito dos indivíduos, consome e paga bem pelos serviços prestados em nome dEle”.

A humanidade já viveu uma experiência parecida em meados do século XIX, com a crise Católica da negação do modernismo, acrescida do movimento milenarista e do sucesso da ciência insipiente, que tudo parecia provar e demonstrar. Naquela trajetória, nasceram o Positivismo, o Espiritismo, o Adventismo, os Mórmons, as Testemunhas de Jeová, a Teosofia, o Exército da Salvação e tantas outras religiões. Eram propostas notadamente anticatólicas, porém, inovadoras e muitas dessas permaneceram no tempo.

Paradoxalmente, podemos considerar o movimento religioso evangélico atual fugaz e consonante com a onda consumista. É fragmentado em milhares de denominações que seguem o discurso do pastor fundador e, na maioria das vezes, com uma adaptação racional e funcional do evangelho às necessidades pessoais – uma forma híbrida de autoajuda.

O segundo: foi no Brasil que ocorreu em menor espaço de tempo o êxodo rural – o deslocamento de grandes massas de gente do campo para as cidades. Foram 35 milhões de migrantes que incharam as grandes cidades, principalmente nas periferias. Note-se que foi aí que se deu o maior número de conversões. (Antoniazzi). Assim, no impacto da perda de espaços e de valores que norteavam a família, estes se diluíram, influenciando e transformando as gerações que se seguiram. Nesse cenário decomposto, muitas vezes a escolha da religião é motivada pela ocasião.

O terceiro: a quantidade de propostas e igrejas que concorrem no mercado religioso. O espaço sagrado da Igreja, como o católico o qualifica, altera-se no protestantismo – ali, o sagrado é o coração do homem. O espaço físico pode ser oriundo de um açougue, uma funerária ou outro prédio qualquer.

Nessa facilidade de produzir igrejas e congregações, as ofertas são muitíssimas. Associado aos milhares de pequenos movimentos, há a força das “amplas vitrines”, que são as grandes igrejas evangélicas mediáticas, nas quais a maximização dos lucros é a “teologia sonhada”. Fazem uso dos mecanismos de mercado como franquias, cartões de crédito, bancos, etc. Dezenas de milhões de reais são investidos, por mês, na TV, que é concessão do Estado, para apresentar-se em horário nobre, com “milagres” de hora marcada e ao vivo.

De modo descarado, ainda segundo Pierucchi, “o discurso proferido dos fieis para com Deus, que sustentou a civilização judaico-cristã e islâmica desde as origens, agora tem sua direção invertida pela nova cristandade que proclama que Deus é fiel, o fiel é Deus. Investimento seguro, vale dizer”.

O quarto: e o mais relevante, a falta de testemunho, pelos católicos, é o principal motivo alegado para a saída de muitos. Talvez o homem contemporâneo necessite mais do que pregação. Ele precisa de testemunhos reais e tangíveis.

A Igreja Católica é similar a uma arca. Com suas múltiplas espiritualidades, tem lugar para a heterogeneidade, embora também carregue uma contradição interna na qual não mais que 30% dos que se dizem católicos são habituais frequentadores da igreja. Os outros 70% orbitam em torno dela nas necessidades sociais e nos ritos de passagem como: batismo, casamento e velórios. Estes são os católicos nominais que estão incluídos nos citados 64% do IBGE, alguns deles com aversão à religião, mas, por uma tênue teia do passado, se mantêm ligados à Igreja. Outros frequentam novas propostas religiosas/filosóficas que ainda não constam no questionário do Censo e há uma grande parcela de católicos que está aguardando um “insight” com a Transcendência. Muitas vezes a Igreja não sabe lidar com essa realidade. São os que se dizem “católicos não praticantes”. Estes formam o estoque dos futuros ex-católicos. Como dizia D. Eugênio Sales: “O problema da Igreja não são os evangélicos, mas sim os falsos católicos”.

Embora os processos históricos muitas vezes tornem-se arrebatadores e incontornáveis, na visão da hierarquia, a Igreja Católica no Brasil tem se preocupado com o êxodo dos seus fieis. Aperfeiçoa a formação dos sacerdotes, enriquece e alegra os ritos, prioriza a caridade, e o que não se pode providenciar humanamente, a Providência Divina assume. Não obstante, essas atitudes não são suficientes para conter o êxodo católico. O “estrago” será tão grande nas hostes católicas que só no distante futuro poder-se-á avaliá-lo – como aconteceu na percepção histórica da reforma luterana, no século XVI.

O monopólio católico de 500 anos está se desmilinguindo e sendo criada, a partir daí, uma nova força política religiosa contrária às tradições católicas. Resultado desse processo, que não é mais embrionário, pode ser observado nas Minas Gerais, de tradição católica. A principal avenida de entrada de Belo Horizonte, Nossa Senhora do Carmo, passou a se chamar Senhora do Carmo. De notar, também, que a Igreja Assembleia de Deus projeta eleger, este ano, 5.600 vereadores em todo o país, além de investir pesadamente em compra de redes de Rádio e TV (Folha de São Paulo, 22/7).
Interessante observar que nessa Igreja, até a década de 90, ver televisão e ouvir rádio era considerado pecado. Mudaram a doutrina para não perder o “boom” do crescimento. Quem viver, verá!

Mortos, levantai-vos!, preconizava Dom Sebastião Leme em Olinda no início do século XX quando da parcimônia dos católicos frente ao seu isolamento na República nascente. Hoje, poderíamos repetir o discurso. Levantai-vos para conhecer a Igreja; para integrar-se na comunhão dos santos, de que a Igreja é portadora; não vos constrangeis frente a essa tempestade de ofertas de discursos religiosos eloquentes.

Somos testemunhas de milhares de servidores consagrados, bispos, padres, freiras, leigos que se desgastam em vida, como vela no altar, em prol do outro e da Igreja. Se faltam pastores ou estão assoberbados de trabalho, atendamos o apelo bíblico; “sede-vos mesmos”, líderes para evangelizar.  Se somos filhos de uma Igreja que é a genitora de todas as outras, porque estaríamos equivocados? Por acaso, colhe-se maçãs de laranjeiras?

No livro “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental” central de qualquer civilização. Ao longo de dois mil anos, a maneira de o homem ocidental pensar sobre Deus deve-se sem a menor dúvida à Igreja Católica.

Quando perguntaram a G.K Chesterton, escritor inglês, ex-anglicano, porque é que entrou para a Igreja Romana, ele respondeu: Para me libertar dos meus pecados, porque não há outro sistema religioso que ensina as pessoas (se o professam realmente) a libertarem-se dos seus pecados. (Autobiografia, p.280).

O testemunho de Marco Monteiro Grillo, ex-luterano e agora católico convicto: Se uma igreja que remonta a Cristo e aos apóstolos, em que o subjetivismo simplesmente não existe, e onde uma autoridade visível (o magistério) sempre foi e será responsável pela salvaguarda da fé, essa Igreja só pode ser a Igreja Católica Apostólica Romana, essa Igreja que não está sujeita às intempéries da história, nem aos modismos de cada época, nem aos gostos dos fregueses.

Se no futuro os católicos, mesmo sendo 20% da população, forem comprometidos com Cristo e a Igreja dEle, éticos na vida social e em todos os demais sentidos, a Igreja, que são todos, já terá cumprido a sua missão. Os exemplos atraem.
Luiz Eduardo Cantarelli é jornalista – pós-graduado em Ciência da Religião.
Belo Horizonte – Minas Gerais

domingo, 5 de agosto de 2012

Nossa vocação: viver sacerdotalmente!



Desde pequenos nos acostumamos a pensar em vocação no mês de Agosto. Hoje, como sacerdotes, nossa reflexão precisa ir além, precisa, de fato, identificar-se com a nossa própria existência.
A descoberta da nossa vocação sacerdotal, a partir do nosso encontro com a Pessoa de Jesus, mudou radicalmente o rumo de nossos sonhos. Nossos projetos e aspirações receberam uma plenitude de vida que nunca havíamos pensado antes.
Se todo cristão possui necessariamente uma vocação, e se como sabemos, o chamado a vida cristã não é de forma alguma pequeno, imaginem irmãos, qual é a grandeza do nosso chamado sacerdotal!
Nossa vocação sacerdotal não é oriunda da realidade humana, nem tão pouco de uma necessidade organizacional da Igreja. Sua origem está no Coração do Pai passando pelo Coração humano e divino do Filho, Sumo e Eterno Sacerdote. Sim irmãos, nascemos daquela oração perfeita de Jesus ao Pai no Cenáculo. Está ali o nosso berço!
Nenhum de nós ignora o quanto é difícil viver como sacerdotes hoje. No mundo que se rebela diária e constantemente contra Deus, viver como sacerdote numa sociedade materialista, globalizada, secularizada e hedonista que faz da vida um banquete profano de prazer constitui um verdadeiro desafio; mas foi para viver nestes tempos que fomos ordenados!
Tempos difíceis pedem homens mais fortes. Não basta ter sido ordenado sacerdote, precisamos viver sacerdotalmente. Somos os arautos da esperança nesta mudança de época...
Ajudemo-nos na perseverança ao essencial do ministério nestes tempos difíceis: Se não for tempo de otimismo, que seja tempo de confiança. Se não for tempo de êxito, seja ao menos de fidelidade. Se não for tempo de confiar no ser humano, confiemos no Senhor.
Esperança em Deus, Confiança no Espírito Santo, Fidelidade a Cristo e a Igreja: eis o caminho profético que precisamos percorrer hoje para viver sacerdotalmente este tempo.
Parábens pelo dia do padre.
Obrigado pelo teu sacerdócio!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Católico, jogador argentino Lionel Messi visita Medjugorje de forma privada.


O vidente Ivan Dragicevic confirma que o jogador argentino do Barcelona Futebol Clube, Lionel Messi foi seu convidado em Medjugorje. O boato da sua visita foi espalhado durante todo o mês de julho, e quando os rumores se tornaram realidade, o melhor jogador de futebol do mundo foi despercebido e manteve a sua visita privada.
Vencedor por três vezes do titulo de melhor jogador de futebol do mundo recentemente permaneceu com o vidente Ivan Dragicevic, o jornal de Mostar, Dnevni List informou.
“Messi esteve em Medjugorje, e foi meu convidado.” confirma o vidente.
Lionel Messi agradece a Céu por um gol para o FC Barcelona. O melhor jogador do mundo de futebol é um católico devoto e, recentemente, visitou Medjugorje para ficar com vidente Ivan Dragicevic
Ivan explica ainda que Messi “passou algum tempo” com ele, mas se recusou a entrar em detalhes. Não está claro ainda quando Messi chegou. Diversas pessoas em Medjugorje já tinham ouvido dizer que ele viria, mas ninguém o viu, informa o jornal Dnevni List.
O jornal explica que o jogador chegou em um jato particular em Dubrovnik e foi levado de carro para cruzar a fronteira com a Bósnia até Medjugorje.
Os primeiros rumores de uma visita de Lionel Messi a Medjugorje começaram em 4 de julho, quando o portal de notícias bósnio Klix informou conseguir a informação de uma visita “dentro das próximas duas semanas”. O plano de Messi era ficar fora de vista, circulando nos arredores de Medjugorje, o portal Klix escreveu naquela data.
Nascido em 24 de junho de 1987 em Rosario (Argentina), Messi veio ao mundo no sexto aniversário da primeira aparição em Medjugorje. Com o  Barcelona Futebol Clube, em cuja academia Lionel Messi entrou aos 13 anos, o argentino ganhou 3 títulos Liga dos Campeões da UEFA , 5 campeonatos espanhóis 1 Taça Nacional, e 2 Copas do Mundo de Clubes.
Com a Argentina venceu o torneio de futebol Jogos Olímpicos de 2008 e uma Copa do Mundo para jogadores com menos de 20 anos. Desde sua estréia aos 17 anos em outubro de 2004, Messi marcou raros 169 gols em 205 jogos pelo Barcelona Futebol Clube.
O artilheiro argentino conseguiu permanecer discreto, ainda que os jornalistas fizeram o que puderam:
“Ao longo dos últimos dias ocorreram informações contraditórias sobre a chegada de Messi, de modo que até o último momento não se sabia quando ele viria e onde ele iria ficar.  Houve sugestões de que ele deveria ficar no Hotel Grace, mas essas informações eventualmente se provaram incorretas, ou o hotel foi incapaz de confirmar que Messi tinha confirmado reserva com eles.” informa o Dnevni List.
“Nem poderia o escritório da paróquia de Medjugorje fornecer mais informações sobre os movimentos de Messi porque para eles cada peregrino é igual, e todos têm o seu direito à privacidade.”
Traduzido por Gabriel Paulino – Editor responsável pela agência de notícias Medjugorje Today em língua portuguesa (www.medjugorje.com.br)

Orientações da Igreja Católica para as eleições municipais.





Daniel Baez Brizueña

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), conjuntamente com a sua Regional Sul II – PR criou uma cartilha de orientação para seus fiéis e para todas as pessoas de boa vontade, com vista às eleições municipais de Outubro próximo.

A CNBB ressalta que “todos sonhamos com um mundo mais justo, uma sociedade inspirada nos princípios da verdade e da paz. Pois esse mundo feliz e bom somos nós mesmos que construímos. E as eleições são uma ocasião em que podemos de fato, dar a nossa contribuição para que isso aconteça” destaca a cartilha.

Por outro lado, a CNBB lembra que “nós cristãos, além do dever-cidadão, temos um compromisso a mais: é a fé que nos convoca a prestar a nossa colaboração”, com isto a CNBB quer contribuir para que os eleitores possam ter consciência do valor do seu voto.

É importante lembrar, ao mesmo tempo, que na 50ª Assembleia Geral realizada em Aparecida entre os dias 18 a 26 de abril de 2012, destaca que “em sintonia com os importantes acontecimentos que marcam o país neste ano, especialmente as eleições municipais no próximo mês de outubro.

Expressão de participação democrática, as eleições motivam-nos a dizer uma palavra que ilumine e ajude nossas comunidades eclesiais e todos os eleitores, chamados a exercerem um de seus mais expressivos deveres cidadãos, que é o voto livre e consciente”, destaca os Bispos do Brasil.

A mensagem da CNBB, citando as palavras do Papa Bento XVI que afirma que a sociedade justa, sonhada por todos “deve ser realizada pela política” e que a Igreja “não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça”, reforça a necessidade do trabalho de conscientização da Igreja Católica com todas as suas lideranças.

Para a CNBB, “as eleições municipais têm uma característica própria em ralação às demais para colocar em disputa os projetos que discutem sobre os problemas mais próximos do povo: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, ecologia, lazer.

Trata-se de um processo eleitoral com maior participação da população porque os candidatos são mais visíveis no cotidiano da vida dos eleitores”, ressalta a cartilha.
Por outro lado, a CNBB manifesta que as eleições são, portanto, momentos propícios, para que “se invista, coletivamente, na construção da cidadania, solidificando a cultura da participação e os valores que definem o perfil dos candidatos”.

Segundo a CNBB “os candidatos devem ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendado pela honestidade, competência, transparência e vontade de servir ao bem comum. Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitos, em continuo diálogo entre o poder local e suas comunidades”, ressalta a mensagem da CNBB.

A mensagem da CNBB convida para que “os cristãos, participem da vida política do município e do país, já que por este meio vive-se o mandamento da caridade como real serviço aos irmãos, conforme disse o Papa Paulo VI: “A política é uma maneira exigente de viver o compromisso cristão ao serviço dos outros”. Só assim, seremos “fermento que leveda toda a massa”, ressalta a mensagem da CNBB.

A equipe da Regional Sul II, da CNBB, afirma: “Esperamos que as nossas comunidades, sem se deixar instrumentalizar por nenhum candidato ou partido, sejam espaço de diálogo, de esclarecimento, de liberdade de expressão e de consciência, caminho para um novo tempo de cidadania, de fé comprometida e de fraternidade”.

• Este artigo tem como texto Base a Cartilha de Orientação Política da CNBB, para as eleições municipais de 2012.

Porque cremos que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo?



A Fundação da Igreja
E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus.” (Mt. 16, 18)
Como isso é claro e positivo! Jesus Cristo muda o nome de Simão, em pedra (aramaico: Kephas, significa pedra e pedro, numa única palavra, como em francês Pierre é o nome de uma pessoa e o nome do minério pedra).
Deus fez diversas vezes tais mudanças, para que o nome exprimisse o papel especial que deve representar a pessoa. Assim mudou o nome de Abrão em Abraão (Gn 17, 5), para exprimir que devia ser o pai de muitos povos.
Mudou ainda o nome de Jacob em Israel (Gn 32, 28) para significar a “força contra Deus“. Assim Jesus Cristo mudou o nome de Simão em Pedro, sobre a qual estará fundada a Igreja, sendo o seu construtor o próprio Cristo.
Em todo o trecho em que Nosso Senhor confirma S. Pedro como primeiro Papa, fica evidente que Ele se dirige, exclusivamente, a S. Pedro, sem um mínimo desvio: “Eu te digo… Tu és Pedro… Sobre esta pedra edificarei… Eu te darei… O que desatares…
S. Pedro é a pessoa a quem tudo é dirigido … é ele o centro de todo este texto.
Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: “Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim.” Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para “Kephas”, deixando claro quem seria a “pedra” visível de Sua Igreja.
A primazia de S. Pedro comprovada nas Sagradas Escrituras e na Tradição
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” [a S. Pedro] – (Mt. 16, 17-19) – Primazia de jurisdição sobre todos, pois é a ele que a sentença é dita.
O primado de S. Pedro sobre os outros fica claramente expresso quando ele: 1) preside e dirige a escolha de Matias para o lugar de Judas (At 1,1-25); 2) É o primeiro a anunciar o evangelho no dia de Pentecostes (At 2, 14); 3) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo (At 10, 1); 4) Acolhe na Igreja o primeiro Pagão (At 10,1); 5) Fala primeiro no Concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, e decide sobre a questão da circuncisão: “Então toda a assembléia silenciou“(At 15, 7-12), etc.
Todos os sucessores dos apóstolos atestam o primado de Pedro e dos seus sucessores, como, por exemplo: 1) Tertuliano: “A Igreja foi construída sobre Pedro“; 2) S. Cipriano: “Sobre um só foi construída a Igreja: Pedro“; Santo Ambrósio: “Onde há Pedro, aí há a Igreja de Jesus Cristo“.
S. Mateus enumerando os apóstolos, confirma o primado de S. Pedro: “O primeiro, Simão, que se chama Pedro“(Mt 10, 2).
No século I, o Bispo de Roma, Clemente, escrevendo aos Coríntios, para chamar à ordem os que injustamente tinham demitido os presbíteros, declara-lhes que serão réus de falta grave se não lhe obedecerem. O procedimento de Clemente de Roma tem maior importância, se considerarmos que nessa época ainda vivia o apóstolo S. João que não deixaria de intervir se o Bispo de Roma estivesse no mesmo plano dos outros bispos.
No princípio do sec. II, Santo Inácio escreve aos romanos que a Igreja de Roma preside a todas as demais.
S. Irineu diz ser a Igreja Romana a “máxima” e fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo (Heres. 3. 3. 2). Traz mais a lista dos dirigentes da Igreja Romana desde S. Pedro ate o Papa reinante no tempo dele, que era S. Eleuterio. Ao todo eram só doze. Eis a lista de modo ascensional: Eleuterio; Sotero; Aniceto; Pio; Higino; Telesfor; Xisto; Alexandre; Evaristo; Clemente; Anacleto; Lino; Pedro. (veja que S. Irineu deve ter vivido no entre o ano 100 e 200 DC). S. Jerônimo escrevendo a S. Dâmaso, Papa, diz: “Eu me estreito a Vossa Santidade que equivale a Cátedra de Pedro. E esta a pedra sobre a qual Jesus Cristo fundou a sua Igreja. Seguro em vossa cátedra eu sigo a Jesus Cristo“. Fala nisto direta ou indiretamente diversos santos e cristãos dos primeiros séculos, formando a mais universal das tradições, a mais firme convicção histórica. Só para citar alguns: S. Epifanio, Osório Pedro de Alexandria, Dionísio de Corinto, S. João Crisóstomo, Papias, etc.
Nosso Senhor: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu com instância para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que não desfaleça a tua fé; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Luc. 22, 31-32). Ou seja, é S. Pedro que tem a missão, dada pelo próprio messias, de ‘confirmar‘ seus irmãos. Essa missão supõe, evidentemente, o primado de jurisdição.
S. Pedro é nomeado pastor das ovelhas de Cristo. Após a Ressurreição, Nosso Senhor confia a Pedro a guarda de seu rebanho, isto é, confia-lhe o cuidado de toda a cristandade, dos cordeiros e das ovelhas: “Apascenta os meus cordeiros“, repete-lhe duas vezes; e à terceira: “apascenta as minhas ovelhas” (Jo. 21, 15-17). Ora, conforme o uso corrente das línguas orientais, a palavra apascentar significa “governar“. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade soberana a Igreja de Cristo; é ser o chefe supremo; é ter o primado. Além do que a imagem de “pastor” designa, na Sagrada Escritura, o Messias e sua obra (cf. Mq 2,13; 4,6s; Sf 3,18s, Jr 23,3; 31,19; Is 30,11; 49,9s). Ora, confiando a S. Pedro a missão de pastor, Nosso Senhor o constituiu seu representante visível na Terra.
No catálogo dos apóstolos (Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 13-16; At 1, 13), S. Pedro sempre é colocado em primeiro lugar. Em Mt. 10, 2 lê-se explicitamente que Pedro é o primeiro (“Prótos“). Ora, “prótos” tanto quer dizer o primeiro numericamente como o primeiro em dignidade e honra (v. Mt 20, 27; Mc 12, 28,31; At 13, 50; 28,17).
Em Mt. 17, 24-27, curiosamente, Nosso Senhor mandou pagar o tributo ao templo em nome Dele e de S. Pedro, demonstrando a importância daquele que seria o seu representante visível. Ele não manda que se pague em nome dos outros apóstolos, apenas de S. Pedro.
S. Pedro esteve em Roma, foi o primeiro Bispo de Roma e foi martirizado em Roma
A estadia de S. Pedro em Roma é incontestável historicamente. Sobre ela atestam Orígenes (ano 254), Clemente de Alexandria (215), Tertuliano (222), S. Irineu (202), Dionísio (171). Do século primeiro, convém destacar S. Inácio (107) e Clemente Romano (101). Esses historiadores e testemunhas são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.
Existe uma série ininterrupta de testemunhos do Século III até aos apóstolos e isso sem uma voz discorde.
Em Cartago e em Corinto, em Alexandria e Roma, na Gália como na África, no Oriente como no Ocidente, a viagem de S. Pedro a Roma é afirmada unanimemente, como fato sobre o qual não pairou nunca a mínima dúvida.
Orígenes (+ 254) diz: “S. Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo” (Com. in Genes., t. 3).
Clemente de Alexandria ( + 215) diz: “Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que oviram a pregação de Pedro” (Hist. Ecl. VI, 14).
Tertuliano (+ c. 222), por sua vez, diz: “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz” (Scorp. c. 15).
No século II abundam igualmente provas.
Santo Irineu (+ 202) escreve na sua  grande obra “contra as heresias“: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).
Dionísio (+ 171) escreve ao papa Sotero: “S. Pedro e S. Paulo foram à Itália, onde doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo” (Evas. Hist. Eccl. II 25).
Do século I convém destacar:
Santo Inácio (+ 107), Bispo de Antioquia, que conviveu longos anos com os apóstolos. Condenado por Trajano, fez viagem para Roma, onde foi supliciado, tendo escrito antes uma carta aos Romanos onde diz: “Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, e eu sou um condenado” (ad Rom., c IV).
Clemente Romano (+101), 3o sucessor de S. Pedro, conheceu-o pessoalmente em Roma. É, por isso, autoridade de valor excepcional. Eis o que escreve: “Ponhamos diante dos olhos os bons apóstolos Pedro e Paulo. Pedro que, pelo ódio iníquo, sofreu; e depois do martírio, foi-se para a mansão da glória. A estes santos varões, que ensinavam a santidade, associou-se grande multidão de eleitos, que, supliciados pelo ódio, foram entre nós de ótimo exemplo“.
Note que só estão citados autores do início do cristianismo, para que não fique dúvida acerca da idoneidade dos testemunhos, que poderiam ser objeto de dúvida dos protestantes… É bom revelar que nenhum protestante imparcial teve a ousadia de contestar esses historiadores.
É, portanto, um fato certo que S. Pedro esteve em Roma e foi ali martirizado sob o reinado de Nero. Nenhum historiador, até os protestantes, isto é, durante 1500 anos, o contesta; ao contrário: para todos eles é um fato notório e público.
Vamos agora provar que S. Pedro foi o primeiro Bispo de Roma:
Poderíamos citar muitas longas passagens de S. Irineu, Caio, S. Cipriano, S. Agostinho, S. Optato, S. Jerônimo, Sulpício Severo, que atestam “unânimes” o episcopado romano do príncipe dos apóstolos. Limitemo-nos a umas curtas citações:
Caio: falando de S. Vitor, Papa, diz: “Desde Pedro ele foi o décimo terceiro Bispo de Roma“(ad Euseb. 128)
S. Jerônimo: “Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos” (De Viris Ill. 1, 1).
S. Agostinho: “S. Lino sucedeu a S. Pedro” (Epist. 53)
Sulpício Severo, falando do tempo de Nero, diz: “Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo” (His. Sacr., n. 28)
S. Ireneu: “Os apóstolos Pedro e Paulo fundaram a Igreja, e o primeiro remeteu o episcopado a Lino, a quem sucedeu Anacleto e depois Clemente“.
Convém notar ainda que todos os catálogos dos Bispos de Roma, organizados segundo os documentos primitivos, pelos antigos escritores, colocam invariavelmente o nome de Pedro à frente de todos.
A Sucessão Apostólica
Agora veremos como o Papa é sucessor direto de S. Pedro, primeiro Bispo de Roma:
Primeiramente, os protestantes deveriam provar que o Papa não é sucessor de S. Pedro, todavia, como eles não tem nenhum texto histórico ou religioso que prove, eles pedem uma prova dos católicos. Eles só negam, nada podem afirmar.
Vamos analisar as Sagradas Escrituras. Lá existe não só a investidura de S. Pedro como chefe visível da Igreja, mas a investidura perpétua dos apóstolos, para serem os “enviados” de Cristo (Mt. 28, 18 – 20): “É me dado todo o poder no céu e na terra; ide pois e ensinai a todos os povos e eis que estou convosco todos os dias até a consumação do mundo“.
Que quer dizer isso?
1 – Cristo tem todo poder, é a primeira parte
2 – Cristo transmite este poder, é a segunda parte (Lembremo-nos, no mesmo sentido, da frase: “tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu”)
3 – A quem Ele transmite? Aos apóstolos.
4 – Até quando? Até a consumação do mundo
Ora, Cristo transmitiu este poder unicamente aos apóstolos presentes? Não pode ser, pois os apóstolos deviam morrer um dia, como todos os homens morrem. Ele diz: “estarei convosco até à consumação do mundo“.
Se Ele promete estar com os apóstolos até o fim do mundo, é claro que ele não está se dirigindo aos apóstolos como pessoas físicas, mas como um “corpo moral“, que deve perpetuar-se nos seus sucessores, e hão de durar atá o fim dos tempos.
Eis uma prova evidente que o bispo de Roma, que é o Papa, é o sucessor de S. Pedro e de sua “jurisdição”.
A sucessão também é observada nos primeiros cristãos, que nomeavam diáconos e bispos, transmitindo-lhes as obrigações de seus antecessores.
Jesus Cristo, fundando uma sociedade religiosa visível, que devia durar até ao fim do mundo, devia necessariamente nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: “Quem vos escuta, escuta a mim” (Mt 28, 18). Se assim não fosse, Nosso Senhor não teria podido dizer: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo“; devia ter dito que estaria apenas com S. Pedro até o fim de sua vida. Dessa forma, cumpre-se o que manda a Bíblia: “Um só senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef. 4, 5)
A lista dos primeiros Papas da Igreja
S. Pedro, 42 – 67
S. Lino, 67 – 78
S. Cleto, 78 – 91
S. Clemente, 91 – 100
Santo Evaristo, 100 – 109
Santo Alexandre I, 109 – 119
S. Sixto I, 119- 128
S. Telésforo, 128 – 139
Santo Higino, 139 – 142
S. Pio I, 142 – 150
Santo Aniceto, 150 – 162
S. soter, 162 – 170
Santo Eleutério, 170 – 186
S. Vitor, 186 – 197
S. Zefirino, 197 – 217
S. Calisto I, 217 – 222
Santo Urbano I, 222 – 230
S. Ponciano, 230 – 235
Santo Antero, 235 – 236
S. Fabiano, 236 – 251
S. Cornélio, 251 – 252
S. Lúcio I, 252 – 254
Santo Estêvão I, 254 – 257
S. Sixto II, 257 – 259
S. Dionísio, 259 – 269
S. Félix, 269 – 275
Santo Eutiquiano, 275 – 283
S. Caio, 283 – 295
S. Marcelino, 295 – 304
S. Marcelo, 304 – 310
Santo Eusébio, 310 – 311
S. Melcíades, 311 – 313
S. Silvestre I, 313 – 336
S. Silvestre batizou o imperador Constantino Magno.
O Governo da Igreja (Bispos e Fiéis)
Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus a qual santificou pelo seu próprio sangue” (At 20, 28)
Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou“. (LC 10, 16)
A Bíblia diz claramente que Jesus Cristo fundou uma Igreja sobre Pedro (Mt 16, 18), diz que estaria com ele até o fim do mundo (Mt 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt 16, 19), que esta Igreja seria coluna e firmamento da verdade (1 Tim 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt 18, 17).
Mesmo em relação à autoridade dos Fariseus e Escribas, apesar de viciados em seus erros, por serem a autoridade legítima, disse Nosso Senhor:  “Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações” (Mt 23, 2).
Nosso Senhor escolheu, entre seus inúmeros discípulos, apenas doze Apóstolos, (Mt. 10, 2-4). Instruiu-os duma maneira particular, desvendou-lhes o sentido das parábolas que as turbas não compreendiam (Mt. 13, 2) e associou-os à sua obra mandando-lhes que pregassem o reino de Deus aos filhos de Israel (Mt. 10, 5, 42).
Poucos dias antes da Ascenção, Cristo confiou aos doze Apóstolos o poder que antes lhes tinha prometido: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que eu vos tenho ordenado, e estai certos de que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt. 28, 19-20). Portanto, conclui Boulenger, Jesus Cristo comunicou aos Apóstolos o poder – 1) de ensinar: “ide e ensinai todos os povos“, 2) de santificar, pelos ritos instituídos para este fim e, em particular, pelo batismo, 3) de governar, uma vez que os Apóstolos hão de ensinar o mundo a “observar” tudo o que Ele mandou.
A Hierarquia reconhecida na história:
1) Testemunho de Santo Irineu, argumentando contra os hereges, apresenta o caráter hierárquico da Igreja, como um ‘fato notório‘ que ninguém pode negar, como uma fundação de Cristo e dos Apóstolos. Ora, como podia reivindicar para a Igreja cristão a origem apostólica, se os seus adversários pudessem apresentar provas da fundação recente da hierarquia?
2) Testemunho de S. Policarpo, em meados do sec. II, designa os pastores como “chefes da hierarquia e guardas da fé
3) No mesmo século ainda podemos citar os testemunhos: a) o de Hegesipo que mostra as Igreja governadas pelos Bispos, sucessores dos apóstolos; b) o de Dionísio de Corinto, que escreve na sua carta à Igreja romana que a Igreja de Corinto guarda fielmente as admoestações recebidas outrora do Papa Clemente.
4) No ano 110, Santo Inácio de Antioquia, em sua Epístola aos Romanos, da Igreja de Roma como do centro da cristandade: “Tu (Igreja de Roma) ensinastes as outras. E eu quero que permaneçam firmes as coisas que tu prescreves pelo teu ensino” (Rom, IV, 1).
5) Cerca do ano de 96, S. Clemente Romano, discípulo imediato de S. Pedro e de S. Paulo, escreveu uma carta aos Coríntios, na qual nos dá da Igreja noção equivalente à de S. Ireneu, apresentando a hierarquia como a “guarda da tradição” e a Igreja de Roma com a primazia universal sobre todas as Igrejas locais.
6) Deste modo, chegamos, de geração em geração, aos tempos apostólicos.  Desde o primeiro alvorecer do cristianismo, os Apóstolos desempenharam a dupla função de dirigentes e pregadores. Escolheram Matias para ocupar o lugar de Judas (At 1, 12, 26). Instituíram diáconos nos quais delegaram parte dos seus poderes (At. 6, 1, 6).
Na prática da Igreja também fica claro o poder de governo sobre todos os cristãos. Os Apóstolos exerceram este tríplice poder: a) Poder legislativo: No Concílio de Jerusalém, impõem aos recém-convertidos “que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, das viandas sufocadas e da impureza” (At 15, 29); b) poder judiciário: S. Paulo entrega a Satanás “Himeneu e Alexandre, para aprenderem a não blasfemar” (I Tim 1, 20); c) poder penal: S. Paulo escreve aos coríntios: “Portanto, eu vos escrevo estas coisas, estando ainda longe de vós, de modo que, quando eu chegar aí, não tenha de castigar, segundo o poder a mim confiado por Deus para edificar, não para destruir” (II Cor 13, 10).
A infalibilidade Papal
Vimos que Jesus Cristo fundou uma Igreja hierárquica, conferindo aos Apóstolos e aos Bispos, seus sucessores, os poderes de ensinar, de santificar e de governar. Demonstraremos agora que Jesus ligou ao poder de ensinar o privilégio da “infalibilidade“.
Conceito: A infalibilidade é a garantia de preservação de todo erro doutrinal pela assistência do Espírito Santo. Não é simples inerrância de fato, mas de direito. Portanto, não se deve confundir a infalibilidade com a “inspiração“, que consiste no impulso divino que leva os escritores sagrados a escreverem o que Deus quer; e nem com a “revelação“, que supõe a manifestação duma verdade antes ignorada. O privilégio da Infalibilidade não faz com que a Igreja descubra verdades novas; garante-lhe somente que, devido à assistência divina, não pode errar nem, por conseqüência, induzir em erro, no que respeita a questões de Fé ou moral.
Todavia, não se confunde a “infalibilidade” com a “impecabilidade“. A Igreja nunca defendeu a tese de que o Papa não pudesse cometer pecados. O Papa é infalível quando segue as normas da infalibilidade, falando à toda a Igreja, como sucessor de S. Pedro, em matéria de Fé e Moral, definindo uma verdade que deve ser acatada por todos. Em sua vida privada – ou quando não utilizando a fórmula da infalibilidade -, o Papa pode cometer erros e até pecados.
A Existência da Infalibilidade segundo a Razão, a Revelação e a Tradição.
Argumento de razão: Não se justifica que Deus possa ter deixado os homens à sua própria sorte no tocante à doutrina. O “livre exame” protestante gera o subjetivismo e as divisões, condenadas pela Sagrada Escritura. A autoridade de um corpo de apóstolos é necessária, racionalmente, para a realização dos planos de Deus na terra, sob pena de aceitarmos a tese de que Deus não guia seu povo.
Argumento histórico:
Somos chegados ao campo positivo da história. Afinal, o que Jesus devia fazer, segundo a razão, tê-lo-ia feito? Terá instituído uma autoridade viva e infalível encarregada de guardar e ensinar a sua doutrina?
O primeiro ponto, de que Nosso Senhor instituiu uma Igreja hierárquica, com chefes a quem concedeu o poder de ensinar, já está demonstrado anteriormente. Resta agora examinar o segundo ponto, no qual provaremos que o poder de ensinar comporta o privilégio da “infalibilidade”.
a) Nos textos da Escritura:
A S. Pedro, em especial, prometeu Jesus Cristo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Igreja)” (Mat. 16, 18); e a todos os Apóstolos prometeu, por duas vezes, enviar-lhes o Espírito de Verdade (Jo. 14, 15; 15, 26) e ficar com eles até ao fim do mundo (Mat 28, 20). Estas promessas significam claramente que a Igreja é indefectível, que os apóstolos e os seus sucessores não poderão errar quando ensinarem a doutrina de Jesus; porque a assistência de Cristo não pode ser em vão, nem o erro estar onde se encontra o Espírito de verdade;
b) No modo de proceder dos Apóstolos:
Do seu ensino se depreende que tinham consciência de ser assistidos pelo Espírito Santo. O decreto do Concílio de Jerusalém termina com estas palavras: “Assim pareceu ao Espírito Santo e a nós” (At. 15, 28). Os Apóstolos pregam a doutrina evangélica “não como palavra de homens, mas como palavra de Deus, que na verdade o é” (1Tes 2, 13), a que é necessário dar pleno assentimento (II Cor 10, 5) e cujo depósito convém guardar cuidadosamente (1 Tim 6, 20). Além disso, confirmam a verdade de sua doutrina com muitos milagres (At 2, 43 etc): prova evidente de que eram intérpretes infalíveis da doutrina de Cristo, de outro modo Deus não a confirmaria com o seu poder;
c) Na crença da antigüidade cristã:
Concedem os nossos adversários que a crença na existência dum magistério vivo e infalível existia já no século III. Basta, portanto, aduzir testemunhos anteriores.
Na primeira metade do século III, Orígenes, aos hereges que alegam as Escrituras, responde que é necessário atender à tradição eclesiástica e crer no que fio transmitido pela sucessão da Igreja de Deus. Tertuliano, no tratado “Da prescrição“, opõe aos hereges o “argumento da prescrição” (condenando o que contraria o ensinado pelos apóstolos) e afirma que a regra de fé é a doutrina que a Igreja recebeu dos Apóstolos.
Nos fins do século II, S. Irineu, na carta a Florino e no “Tratado contra as heresias“, apresenta a Tradição apostólica como a sã doutrina, como uma tradição que “não é meramente humana“. Donde se segue que não há motivo para discutir com os hereges e que estão condenados pelo fato de discordarem desta tradição.
Pelo ano de 160, Hegesipo apresenta, como critério da Fé ortodoxa, a conformidade com a “doutrina” dos Apóstolos “transmitida” por meio dos Bispos, e por esse motivo redige a lista dos Bispos. Na primeira metade do século II, Policarpo e Papias apresentam a doutrina dos Apóstolos como a única verdadeira, como uma regra segura de Fé. Nos princípios do mesmo século, temos o testemunho de Santo Inácio. Afirma este santo que a Igreja é “infalível” e que a incorporação nela é necessária a quem se quer salvar.
Conclusão: tanto através da razão como da história, provamos que o poder de ensinar, conferido por Nosso Senhor Jesus Cristo à Igreja docente, traz consigo o privilégio da “infalibilidade“, isto é, que a Igreja não pode errar quando expõe a doutrina de Jesus Cristo.
Agora devemos analisar sobre quem recai a “infalibilidade
Pelo exposto, fica claro que a “infalibilidade” é privilégio daqueles a quem compete “ensinar“, isto é, os Apóstolos e, de modo especial, a S. Pedro e seus sucessores.
A infalibilidade do colégio apostólico provém, portanto: a) da missão conferida a “todos os apóstolos” de “ensinar todas as nações” (Mat 28, 20); b) da “promessa de estar com eles” “até à consumação dos séculos” (Mat 28, 20) e de lhes “enviar o consolador, o Espírito Santo que lhes há de ensinar toda a verdade” (Jo, 14, 26). Estas passagens mostram com evidência que o privilégio da “infalibilidade” foi concedido ao “corpo docente” tomado coletivamente.
A sucessão desse poder deve ser entendida no sentido de que o colégio apostólicos, atualmente composto pelos bispos, é ‘infalível’ não individualmente em cada bispo, mas no conjunto deles.
No caso de S. Pedro e seus sucessores, a infalibilidade é pessoal. Provaremos isso com argumentos tirados dos textos evangélicos e da história.
O argumento escriturístico deriva dos mesmo textos que demonstram o primado de S. Pedro: “Tu és Pedro…“, pois é incontestável que a estabilidade do edifício lhe vem dos alicerces. Se. S. Pedro, que deve sustentar o edifício cristão, pudesse ensinar o erro, a Igreja estaria construída sobre um fundamento inseguro e já se não poderia dizer “as portas do inferno não prevalecerão contra ela“.
Depois, com o “Confirma fratres” (“confirma os irmãos“), Nosso Senhor assegurou a Pedro que pedira de modo especial por ele, “para que sua fé não desfaleça” (Luc 22, 32). É evidente que esta prece feita em circunstâncias tão solenes e tão graves (o momento da paixão de Nosso Senhor) não pode ser frustrada.
Finalmente, com o “Pasce Oves” (apascenta as minhas ovelhas), foi confiada a Pedro a guarda, o governo, de todo o rebanho. Ora, não se pode supor que Jesus Cristo tenha entregue o cuidado do seu rebanho, colocando S. Pedro como Pastor, a um pastor que pudesse desencaminhar as ovelhas eternamente, ensinando o erro.
O Argumento histórico da infalibilidade de S. Pedro:
A crença da Igreja não se manifestou da mesma forma em todos os séculos. Houve, na verdade, certo desenvolvimento na exposição do dogma e até no uso da infalibilidade pontifícia; mas nem por isso o dogma deixa de remontar aos primeiros tempos, e de fato já o encontramos em germe na Tradição mais afastada, como se demonstra pelo sentir dos Padres da Igreja e dos concílios, e pelos fatos:
No século II, S. Irineu afirmava que todas as Igrejas se devem conformar com a de Roma, pois só ela possui a verdade integral.
S. Cipriano dizia que os Romanos estão “garantidos na sua fé pela pregação do Apóstolo e são inacessíveis à perfídia do erro” (o apóstolo dos romanos é S. Pedro).
S. Jerônimo, para pôr termo às controvérsias que afligiam o Oriente, escreveu ao Papa S. Dâmaso nos seguintes termos: “Julguei que devia consultar a este respeito a cadeira de Pedro e a fé apostólica, pois só em vós está ao abrigo da corrupção o legado dos nossos pais“.
S. Agostinho diz a propósito do pelagianismo: “Os decretos de dois concílios relativos ao assunto foram submetidos à Sé apostólica; já chegou a resposta, a causa está julgada“, “Roma locuta est, causa finita est“.
O testemunho de S. Pedro Crisólogo não é menos explícito: “Exortamo-vos, veneráveis irmãos, a receber com docilidade os escritos do santo Papa da cidade de Roma, porque S. Pedro, sempre presente na sua sede, oferece a fé verdadeira aos que a procuram“.
O que fica dito anteriormente acerca do primado do Bispo de Roma, aplica-se com a mesma propriedade ao reconhecimento de sua infalibilidade.
No século II, o papa Victor excomungou Teódoto que negava a divindade de Cristo, com uma sentença tida por todos como definitiva. Zeferino condenou os Montanistas, Calisto os Sabelianos, e, a partir destas condenações, foram considerados como hereges. Em 417, o papa Inocêncio I proscreveu o pelagianismo, e a Igreja reconheceu o decreto como definitivo. Em 430, o papa Celestino condenou a doutrina de Nestório, e os Padres do Concílio de Éfeso seguiram a sua opinião.
O concílio de Calcedónia (451) recebeu solenemente a célebre carta dogmática do Papa Leão I a Flaviano, que condenou a heresia de Eutiques, proclamando unanimemente: “Pedro falou pela boca de Leão“. Do mesmo modo os Padres do III Concílio de Constantinopla (680) aclamaram o decreto do Papa Agatão que condenava o monotelitismo, dizendo: “Pedro falou pela boca de Agatão“.
Como se vê, desde os primeiros séculos a Igreja romana é reconhecida como o “centro da fé” e como a “norma segura da ortodoxia“. Quanto mais avançamos, tanto mais explícitos são os termos que nos manifestam a universalidade desta crença, proclamada como dogma no I Concílio Vaticano.
Finalmente, podemos afirmar que nunca um Papa, na história da Igreja, proclamou, segundo a fórmula da infalibilidade, um erro doutrinário.
Unidade da mesma Igreja
Apenas com um chefe visível, infalível, se pode cumprir a unidade do “corpo místico de cristo”.
Em relação à doutrina:
1) “Quem não está comigo é contra mim“(Mt 12,30)
2) “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos” (Ef 4, 3-6)
3) “Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste“(Jo 17,20-21).
4) “Recomendo-vos, irmãos, que tomeis cuidado com os que produzem divisões contra a doutrina que aprendestes. Afastai-vos deles” (Rm 16, 17).
5) “Se alguém vos anunciar um evangelho diferente, seja execrado, isto é, seja excomungado“(G. 1,7-9).
Em relação ao culto:
1) “Porque há um só pão, um só corpo somos nós, embora muitos, visto participarmos todos do único pão” (1Cor 10,17)
2) “A multidão dos fiéis tinha um só coração e uma só alma“(At 4, 32)
3) “Esforçai-vos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef. 4,3).
Em relação à unidade de Governo:
1) “Irmãos, conjuro-vos que sejais sempre perfeitamente unidos num só sentimento e num mesmo pensar” (1 Cor 1,10)
2) “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Estas tenho de reunir, e elas ouvirão a minha voz. E então haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo. 10,16; Mt 16, 15-16).
O próprio fato de S. Paulo ter procurado a unidade na questão da circuncisão deixa patente a existência de uma Igreja una. No concílio que decidiu essa questão, em Jerusalém, foi S. Pedro quem falou primeiro e quem deu a última palavra sobre a questão: “Então toda a assembléia silenciou“(At 15, 7-12), obedecendo ao Chefe do Colégio Apostólico.
Nas Sagradas Escrituras, é só folhear os Atos dos Apóstolos e verificar o crescimento da Igreja (a mesma e una) desde o início até os dias de hoje.
A Igreja cresceu rápida, veloz, ao ponto que S. Paulo pôde compará-la com “um edifício vastíssimo, tendo os apóstolos por alicerce e Cristo como pedra angular.” (Ef. 2, 20)
Tertuliano se atrevia a escrever no seu Apologético, dirigido ao imperador romano: “Somos de ontem, e já enchemos as cidades, as ilhas, os castelos, os acampamentos, as aldeias e os campos; só deixamos vazios os vossos templos. Se nos retirassem, o império ficaria deserto“.
A Igreja de Cristo vai crescendo e se espalhando, “multitudo ingens“, diz Tácito, falando do tempo de Nero (Anais 15, 44), formando uma “imensa multidão“, até que, afinal, dominando e vencendo a tirania dos imperadores pagãos, logre o reconhecimento oficial, com o reinado de Constantino Magno, primeiro imperador cristão.
Foi nesse tempo, em 325, que se reuniu o primeiro concílio dos bispos católicos, em Nicéia, ao qual compareceram 318 bispos, sob a presidência de Ósio, bispo de Córdova, assistido de dois legados do Papa (de Roma), S. Sivestre.
Portanto, a história e a bíblia são claros ao narrar a expansão da mesma Igreja, fundada por Nosso Senhor sobre S. Pedro, em unidade.
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