domingo, 12 de junho de 2011

Pentecostes: o Dom do Ressuscitado derramado sobre a Igreja

O tempo pascal conclui-se com a Solenidade de Pentecostes, celebração do Espírito Santo, Dom que o Cristo morto e ressuscitado faz à sua Igreja. Vejamos alguns aspectos do significado profundo deste mistério tão importante da nossa fé.
(1) O dom do Espírito Santo é fruto da Páscoa de Cristo. Morto como homem, ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo derramado sobre ele (cf. 1Tm 3,16; Rm 1,4). O Espírito torna-se a própria energia divina que sustenta e vivifica a natureza humana de Jesus, de tal modo que São Paulo chega a dizer que o Senhor Jesus é Espírito (cf. 2Cor 3,18). É assim que o Senhor Jesus se torna doador do Espírito Santo: “Exaltado pela Direita de Deus, ele (Jesus) recebeu do Pai o Espírito Santo prometido e o derramou” (At 2,33).
(2) Este derramamento do Espírito deu-se no próprio dia da ressurreição, “na tarde daquele mesmo dia” (Jo 20,19): Jesus entrou no Cenáculo estando fechadas as portas, soprou sobre os Onze e disse: ‘Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). Aqui nasce a Igreja, aqui os apóstolos são batizados no Espírito Santo, tornando-se cristãos, pois receberam aqui a vida nova do Cristo morto e ressuscitado!
(3) Sendo assim, qual o sentido da festa de Pentecostes? Os judeus celebravam-na cinqüenta dias após a Páscoa para comemorar o dom da Lei que Deus fizera ao povo de Israel. Os israelitas saíram do Egito, atravessaram o Mar e, cinqüenta dias após, chegaram ao pé do Monte Sinai, onde Deus lhes dera a Lei. Como Pentecostes sempre coincidia com o início da colheita, também era considerado a Festa das Primícias. Pois bem: cinqüenta dias após a Páscoa de Jesus, os apóstolos reunidos em Jerusalém, receberam o Espírito de um modo vistoso, barulhento, com fenômenos exteriores. A idéia é muito clara: para o novo povo de Deus, que é a Igreja, a Lei não é mais a Lei dos judeus, mas o Espírito de Amor que Jesus derramou nos nossos corações e que habita em nós (cf. Rm 5,5). O amor que Jesus nos deu como mandamento não é um sentimento, mas é o seu próprio Espírito, no qual unicamente podemos nos amar como ele amou. É este amor que é a plenitude da Lei (cf. Rm 13,8.10). Se olharmos com atenção o texto dos Atos dos Apóstolos que narra a vinda do Espírito, veremos as mesmas características do Monte Sinai: no deserto, dom da Lei acontece no quadro de uma tempestade [“houve trovões, relâmpagos...’ (Ex 19,16)], uma erupção vulcânica [“uma espessa nuvem sobre a montanha, e um clamor muito forte de trombeta... toda a montanha do Sinai fumegava... a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha...” (Ex 19,16.18)] e um terremoto [“toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,18)]; no Cenáculo, aparecem os mesmo sinais: ruído, vendaval impetuoso, línguas como de fogo (cf. At 2,2s). a Igreja, fruto da ação do Espírito do Ressuscitado é também primícias da colheita de tudo quanto Cristo realizou na sua páscoa.
(4) Se procurarmos articular o dom do Espírito no dia mesmo da ressurreição (cf. Jo 20,19) com o dom do Espírito em Pentecostes (cf. At 2), podemos dizer o seguinte: o dom do Espírito em João, no dia da ressurreição, equivale ao nosso batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito de vida do Cristo ressuscitado. Nele, recebemos uma vida nova, que germina até a glória eterna. Já o dom do Espírito em Pentecostes equivale à experiência de cada cristão no sacramento da crisma, quando nos é dado o Espírito de força para o testemunho de Jesus e a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Agora, com a manifestação no Cenáculo, a Igreja abre as portas e começa a sair de si, lançando-se nas estradas do mundo para testemunhar Jesus e construir-se como comunidade dos discípulos daquele que morreu e ressuscitou.
(5) Na solenidade de Pentecostes é isto que celebramos: o dom do Espírito que é dado à Igreja continuamente, na pregação da Palavra e, sobretudo, nos sacramentos, de modo particular no batismo e na eucaristia. Em cada sacramento, a Igreja suplica ao Pai o dom do Espírito do Filho, que a una sempre mais ao Ressuscitado, vá dando-lhe a vida nova que ele, seu Senhor e Esposo, agora tem à direita do Pai e, assim, vá conduzindo-a mais e mais à vida eterna.
(6) Nunca esqueçamos que, sem o Espírito, não há nem pode haver Igreja. Somente nele, a vida do Cristo permanece e é continuamente renovada na Comunidade dos discípulos; somente no Espírito é possível viver em Cristo, fazer o bem por amor de Cristo... Somente no Espírito o Evangelho pode ser anunciado como boa-nova e não como letra morta e preceito exterior e opressor. É no Espírito Santo que a vida do Cristo não somente está no nosso meio, mas em nós, no nosso interior, inspirando-nos para o bem, dando-nos força contra o mal, plasmando em nós os sentimentos de Jesus e nos preparando para a vida eterna. Somente no Espírito a Comunidade pode se manter unida na verdadeira fé e ligada no mesmo amor, sem, contudo, sufocar as diversidades existentes. Só no Espírito, a Igreja pode se lançar para o futuro, sem ter medo das novidades e, ao mesmo tempo, manter-se fiel ao passado de sua origem, sem tornar-se ancrônica ou ultrapassada. É por tudo isso que o Espírito foi chamado pelos Santos Padres da Igreja Antiga de “alma da Igreja”: ele a vivifica, a mantém unida, a faz cresce e a conduz à plenitude. É também por isso que a Igreja é real e verdadeiramente Templo do Espírito Santo, que nela habita e repousa, nela permanecendo até transfigurá-la completamente no final dos tempos, quando, então, ela será plenamente Corpo do Cristo glorioso e povo de Deus Pai, para sempre.




Fonte: costa_hs.blog.uol.com.br

Santa Missa na Comunidade Shalom

“Se me amais, observareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, que ficará para sempre convosco: o Espírito da Verdade. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e está em vós.” Jo 14, 15-17

Povo pentecostal!

Neste último domingo, dia 29 de maio, o Magnífico Reitor do Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, presidiu a celebração da Santa Missa na Comunidade Shalom aqui da capital sergipana. A celebração contava também com a presença dos treze seminaristas menores, onde alguns serviram no altar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Lá, o Padre José Horácio falou a assembleia sobre o poder dos que vivem o Pentecostes, o povo que sabe acolher os desígnios de Deus, sempre O louvando de forma verdadeira, com fé e esperança, o fiel “povo pentecostal”. Comentou que se fizermos o contrário, os nossos louvores serão em vão, não nos conduzirá pelo caminho da santidade sonhada e esperada por Deus para os seus filhos amados.






Por Seminarista Gedeão Pontes

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ritmo da vida moderna gera doenças sociais

A psicóloga Elaine Ribeiro explica que o atual modelo produtivo de trabalho afetou diretamente a saúde da população
Stress, depressão, solidão, assédio moral no trabalho, ansiedade generalizada, fobias sociais são doenças que se tornaram comum na vida moderna. Mas por que elas acontecem?

Segundo a psicóloga Elaine Ribeiro tais patologias tem sido estudadas e o que se constatou é que o modo do trabalho e as alterações na economia, ou seja, tudo aquilo que está ligado a uma condição ou estilo de vida, imprimiam um ritmo e uma exigência profissional que entrava em choque com o homem causando assim problemas psicossomáticos.

Essas doenças psicossomáticas chegam a gerar sofrimento físico como a gastrite, pressão alta, doenças cardiovasculares, obesidade, processos alérgicos e doenças de pele.

“O processo de adoecimento que tem origem na rotina ou modo de vida da população foi alterado drasticamente nas últimas décadas”, salienta a psicóloga.

O modelo produtivo do trabalho afetou diretamente a saúde da população. Como explica a especialista, as cobranças de eficácia, sucesso, superação, supervalorização do trabalho, velocidade nas informações, impõem ao homem uma necessidade constante de renovação e transformação, que quando não acompanhadas geram tais patologias.

O progresso da sociedade de alguma forma encobriu o que acontecia com a sociedade, avançando patologias que hoje são mais manifestas e expressivas.

“Na década de 80, estudos sistematizados começaram a ser feitos e tais constatações ficaram mais evidentes. Há uma grande contradição a partir destas constatações, pois muitas vezes, os problemas que originam os quadros que citei, são originados de comportamentos sociais ou das condições de vida, especialmente nas grandes cidades, e estão diretamente ligados à qualidade de vida que a população não desfruta”, esclarece Elaine.

A psicóloga explica que, em geral, quando alguém procura um médico apresentando sintomas ligados a essas patologias sociais, estes estão relacionados a uma vida exigente, cansativa e com poucas atividades de lazer.
“Percebemos que as respostas fisiológicas tratadas com medicamento, muitas vezes não reagem positivamente, ou reagem apenas na presença do medicamento. Tratamos os sintomas, mas não as causas sociais que geram este adoecimento”, conta.


Capitalismo e individualismo

A sociedade global, explica a socióloga Vera Araújo, docente da Instituto Sophia na Itália, perdeu suas referências, no sistema capitalista global. Neste sistema a satisfação pessoal, o culto ao próprio eu, está acima da busca pelo bem comum. Na compra de um produto, por exemplo, a maioria das pessoas não se preocupa com o procedimento de fabricação e suas causa ambientais e sociais, apenas se preocupa com a satisfação pessoal no ter.

"Na cultura da globalização se sublinha a identidade pessoal, ou seja o ator deve cuidar de si, não dos outros, ele deve ser egoísta se quer vencer, e isso não cria laços, pelo contrário, a globalização leva a instituição de relacionamentos virtuais em vez de relacionamentos pessoais, explica a Vera.

Para a estudiosa, a maior patologia trazida pela globalização é o egoísmo, o que significa uma pessoa pensar que pode crescer e amadurecer sem os outros. "O egoismo é uma auto destruição. Isso é um suicídio, primeiramente moral, espiritual e depois pode se tornar um suicídio até físico", salienta.

“O ritmo da modernização, as exigências capitalistas, dentre tantos outros motivos, incluindo este apego ao individualismo e as sociedades que valorizam o que a pessoa produz, contribuem significativamente para estas patologias e também para um sentimento de 'tenho valor por aquilo que sou capaz de produzir', complementa a psicóloga.

A elevação no nível de exigência nas organizações, a competitividade e outros aspectos educacionais, que nem sempre são acompanhados pelo ensino, por exemplo, trazem um dos primeiros descompassos entre desenvolvimento econômico e social e as lacunas no desenvolvimento e na preparação das pessoas para esta realidade, explica ainda a psicóloga.

“Se antes a sociedade era mais solidária (trocava-se arroz por galinha, frutas por verduras e não necessariamente o trabalho estava ligado a necessidade de ter muito dinheiro, mas com pouco se fazia muitas coisas), hoje ela se baseia em valores muito mais individuais, promovendo vazios existenciais e também o individualismo”, destaca Elaine.



Márcio Toshiyuki Okazava / Movimento dos Focolares
Para a socióloga Vera Araújo, a pior patologia da sociedade moderna é o egoísmo, e todas as outras são conseguências dele”.
Solidão global

Para a socióloga, a globalização não contribuiu para a formação de comunidades, ao contrário, fez surgir patologias sociais como a solidão global. “A globalização não uniu as pessoas e os povos, apenas os colocou em comunicação, não os colocou numa possibilidade de se doar e enriquecer uns aos outros”, salienta Vera.

Numa sociedade que vive processos produtivos e competitividade extrema, é possível perceber, segundo a psicóloga, que o isolamento natural das pessoas se dá pelo medo da violência, falta de confiança, facilidade de estabelecer vínculos virtuais.

“Muitas pessoas passam então a viver num mundo teoricamente mais seguro, preferindo estar em sua casa e relacionar-se com pessoas de qualquer parte do mundo, mas muitas vezes com medo do contato pessoal, da rejeição que possa sofrer e até mesmo, usufruindo da facilidade que a tecnologia oferece”, esclarece a psicóloga.

É possível fazer muitas coisas pelo computador: comprar, vender, pagar contas, escolher um carro, etc. Então, como destaca a psicóloga, muitos pensam: “Por que me arriscar?”

“As situações, muitas vezes são instantâneas, não geram vínculo e laço afetivo, ou alimentam fantasias que fazem com que as pessoas se sintam cada vez mais solitárias. Eu não me abro a novas possibilidades, não me relaciono pois não quero abrir mão daquilo que faço, sou e acredito, e com isto também não permito conviver com as diferenças”, elucida Elaine.




A sociedade precisa de amor verdadeiro

Para a socióloga, a mudança deste tipo de pensamento baseado no individualismo pode e deve começar em todas as estruturas da sociedade: na família, na escola, e até mesmo nas empresas, nos ambientes de trabalho e na política. É preciso construir uma cultura do amor. Aquele amor que nasce no coração das pessoas, amor genuíno que dá sem esperar nada em troca.

“Como salienta o Papa Bento XVI em sua Encíclica Caritas in Veritate, a lógica do dom da gratuidade só é entendida no Evangelho”, destaca a socióloga. A força propulsora para o desenvolvimento da humanidade, enfatiza Vera, é a capacidade de amar verdadeiramente ao exemplo de Cristo.

Fonte: noticias.cancaonova.com

Brasil: rezar pela unidade dos cristãos

Iniciou a Semana de Oração no hemisfério sul



(ZENIT.org) - A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2011 iniciou nesse domingo no Brasil. Como é costume no hemisfério sul, o evento se celebra entre as festas de Ascensão e Pentecostes. No hemisfério norte, a Semana foi realizada de 18 a 25 de janeiro.
Em mensagem divulgada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) hoje, o bispo de Chapecó e presidente do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), Dom Manoel João Francisco, afirma que se trata de “um período bem simbólico para as comunidades cristãs”.
O tema deste ano é “Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (Cf. Atos 2,42).
“Somos motivados a fazer desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos mais um momento importante na vida do movimento ecumênico brasileiro”, afirma o bispo.
Ele reforça o convite a que os católicos participem, pois esta Semana de Oração “não é uma daquelas tradições que acontecem quase espontaneamente em nossas comunidades. Ela pede conscientização e disposição”.
Ainda de acordo com o bispo, durante a semana é realizada a coleta para os trabalhos do CONIC, organismo fundado por Igrejas cristãs, as quais devem sustentar as suas atividades.
“Gostaríamos que você se sentisse responsável pela ação da sua Igreja e pela ação do CONIC, na promoção da Unidade Cristã.”
“Que a Semana de Oração seja para todas as comunidades cristãs do Brasil um tempo forte de conversão a Cristo”, afirma Dom Manoel Francisco.
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Na internet:
Material do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos: http://www.vatican.va/
CONIC: www.conic.org.br

Partido islâmico quer proibir a Bíblia no Paquistão

O partido islâmico radical Jamiat Ulema-e-Islã entrou com um recurso no Tribunal Supremo do Paquistão e lançou uma campanha de sensibilização pedindo que se proíba a circulação da Bíblia, definida por eles, como “livro pornográfico” e “blasfemo”. É um novo ataque contra a comunidade cristã no Paquistão, que está com medo por causa dos ataques e ameaças sofridos depois da morte de Bin Laden, amedrontada pela lei da blasfêmia, que pune com a pena de morte aqueles que insultam o Alcorão ou o Profeta Maomé.

O grupo radical Jamiat Ulema-e-Islam, que tem sede geral em Karachi, lançou a campanha durante um encontro público. Segundo o líder do grupo, Abdul Rauf Farooqi, alguns trechos da Bíblia descrevem como “imorais” alguns personagens considerados profetas pelos muçulmanos.

“Esta ação pode alimentar o ódio religioso contra os cristãos. É uma ameaça à convivência pacífica, um ataque ao coração de nossa fé”, disse, desconcertado, Padre Saleh Diego, que preside a “Comissão Justiça e Paz” na arquidiocese de Karachi. “Como cristãos, estamos já muito fragilizados e nos sentimos submetidos a pressões pela iníqua lei da blasfêmia. Estes grupos radicais querem nos cancelar completamente. Certo, são apenas grupos minoritários e auspiciamos que líderes muçulmanos moderados levantem suas vozes para deter esta campanha de ódio”, destacou.

“Nossa resposta, como cristãos no Paquistão, não pode ser outra do que reiterar a urgência do diálogo e do respeito de todos os símbolos religiosos e livros sagrados, de todas as religiões. Esperamos que, em nível internacional, possa surgir uma resposta mais forte e firme, que nos apóie”, concluiu Padre Diego, pedindo uma mobilização dos cristãos e das instituições internacionais para deter a campanha contra a Bíblia.






Fonte: noticias.cancaonova.com

O significado teológico da Ascensão do Senhor

Façamos antes de tudo duas observações: (1) Jesus ressuscitado tem uma vida divina, o Espírito Santo que ele recebeu do Pai na ressurreição e, agora, impregna toda a sua natureza humana, corpo e alma. Ora, esta vida divina do Ressuscitado é a força criadora e sustentadora de todo o tempo: Jesus entrou, pela ressurreição e imediatamente após a ressurreição, no princípio dos tempos, acima de todos os tempos, trazendo em seu presente todos os tempos. Sendo a vida divina o suporte de todo o tempo e seu eterno presente, o Cristo ressuscitado não somente pode interferir no tempo, mas também manifestar-se nele progressivamente pelas aparições, ascensão e pentecostes. (2) O «céu» ao qual se alude na ascensão não é um lugar físico, mas a própria vida na comunhão trinitária: é o âmbito do Deus Uno e Trino, o estar do Filho com o Pai no Espírito Santo, numa comunhão plena e inenarrável de vida e amor, de plenitude e glória.
Biblicamente os dados sobre a ascensão são variados e complexos: (a) Mateus não fala dela porque deseja sublinhar a presença contínua de Jesus entre os seus discípulos: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!" (Mt 28,20). (b) Para Marcos a ascensão, apresentada logo depois do colóquio com os discípulos no Cenáculo, é vista como o ingresso definitivo de Jesus, também com a sua humanidade, na onipotência divina (cf. Mc 16,19). O «sentar-se à direita» indica a participação de Cristo, também com sua natureza humana, na potência real de Deus. Já São João Damasceno notava que a Direita do Pai não é um lugar, mas imagem da sua potência criadora. O “sentar-se à direita” significa, em última análise, que Cristo entrou, também com a sua natureza humana, na potência onicompreensiva de Deus. (c) Lucas, por sua vez, coloca a ascensão na mesma tarde da ressurreição (cf. Lc 24,13.19). (d) Em João, esta acontece na manhã mesma da ressurreição (cf. Jo 20,17). (e) É para os Atos dos Apóstolos – cujo autor é também Lucas - que a ascensão ocorre somente quarenta dias após a páscoa (cf. At 1,2s) e com uma descrição muito diferente da do Terceiro evangelho (cf. At 1,9-11)! Uma coisa é certa: no pensamento do Novo Testamento, a ascensão deve ser colocada em relação com a ressurreição, tratando-se, portanto, de um evento que sublinha a glorificação celeste de Cristo. Esta é a sua primeira especificidade em relação à ressurreição. Ao afirmarmos a ressurreição, queremos dizer que Cristo foi vivificado, que venceu a morte, que o Pai não o abandonou e glorificou sua humanidade. Ao proclamarmos a ascensão, dizemos que este Cristo está com o Pai, imerso na sua glória e participando do seu senhorio sobre todos os tempos e toda a criação.
A diversidade temporal entre ressurreição e ascensão, apresentada nos textos do Novo Testamento (um espaço de quarenta dias nos Atos, enquanto no próprio Evangelho do mesmo Lucas, ela é colocada no mesmo dia da ressurreição – cf. 24,50s!) não é importante e deve-se à diferença tempo-eternidade. Cristo, ressuscitado e subido ao céu no mesmo dia da Páscoa, não cessou, por algum tempo, de dar instruções aos seus discípulos (cf. At 1,2) – é isto que os textos bíblicos querem dizer. Note-se que o evento enquanto tal é real e possui um significado próprio; em outras palavras: a ascensão não é um mito; é uma realidade e um mistério de fé bem concreto. O modo como ela é narrada nos Atos é que tem um forte tom alegórico para exprimir uma realidade que nos ultrapassa totalmente! Logo Lucas, tão preocupado com a dimensão histórica (cf. Lc 1,1-4), propositalmente apresenta a ascensão de dois modos tão diversos (no Evangelho e nos Atos) exatamente para chamar atenção para a finalidade teológica de sua apresentação: a ressurreição não significa que a história humana tenha chegado ao seu termo e que o retorno de Jesus seja imediato. Lucas deseja mostrar que, a partir da Páscoa, Deus concede à Igreja espaço e tempo para desenvolver-se além de Jerusalém, da Judéia e da Samaria, até os confins da terra (cf. At 1,18). Assim, a ascensão não pode ser pensada como uma viagem espácio-temporal de um Jesus voando pelo espaço sideral, mas como entrada de Jesus-homem no âmbito do Pai, na sua glória divina. Sua humanidade, igual à nossa, agora está divinizada e entrou no âmbito de Deus uno e trino! Assim, trata-se de um caminho para o Pai, sendo um evento meta-histórico, transcendente, que se realiza no silêncio santo do mistério de Deus. É importante insistir: a ascensão não acontece na história humana; é um evento real, mas não é um evento histórico, pois ocorre no seio do Deus-Trindade! Note-se que aquele que ascende já não mais pertencia a este mundo: não é alguém deste mundo, mas o Ressuscitado – aquele que saiu do mundo na sexta-feira santa, entrando na morte, e saiu da morte, ressuscitado no domingo de páscoa, para entrar no Pai! Por isto mesmo, não se trata de um caminho visível, podendo ser narrado somente metaforicamente. Efetivamente, é o que São Lucas faz nos Atos dos Apóstolos!
Teologicamente, podemos apontar quatro significados para este evento salvífico:
1 - A ascensão como presença permanente de Cristo glorioso na Igreja. Neste sentido move-se o silêncio de Mateus: para ele a ascensão é um evento invisível aos homens, que se realizou em relação com a ressurreição. Mateus a compreende como presença contínua e misteriosa de Jesus entre os discípulos mesmo após a ressurreição: "Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, e fazei que todas as nações se tornem discípulos... E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,18-20). Assim, Mateus interpreta a vida do cristão na espera da Vinda do Senhor como uma existência em sua companhia já agora (cf. Mt 18,20): Cristo está presente também na ação apostólica da Igreja. Esta convicção está presente também nos outros textos neotestamentários: após a ascensão, são os discípulos que se tornam a manifestação da presença do Senhor no mundo. A ascensão é, portanto, um mistério de transformação íntima: até então Jesus tinha se dirigido ao mundo de modo visível; a partir de sua subida, ele encontra o mundo através dos seus discípulos; é neles que o Senhor se dirige ao mundo. A ascensão não é um perder-se de Jesus na imensidão do céu, mas sua plena imersão na Igreja, Comunidade dos seus discípulos, nos quais ele efunde o seu Espírito. Isto quer dizer que o Cristo está muito mais íntimo e interior à sua Igreja, aos seus discípulos e ao próprio mundo que antes da ressurreição!
2 - A ascensão como evento escatológico. A narrativa dos Atos sublinha este sentido: as nuvens podem evocar a parusia final, Vinda gloriosa do Senhor (cf. Lc 21,27; Ap 1,7; 14,14) em conexão com a presença e as palavras dos anjos: "Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu (At 1,11). Note-se que aqui são indicados dois importantes momentos da historiada salvação: ascensão e parusia; ambos são aspectos da mesma dignidade messiânica de Jesus - no primeiro momento (ascensão) ele entra no âmbito de Deus para tomar posse do reino escatológico, cuja potência descerá manifestamente ao mundo no Último Dia (parusia). A Igreja, novo povo de Deus vive, então, com o olhar para o céu, numa atitude de espera, de modo que a ascensão sublinha esta ânsia escatológica da Igreja e seu desejo de estar novamente com o Senhor.
3 - Ascensão como retorno ao Pai. Para João, a ascensão torna-se visível no levantamento da cruz (cf. Jo 3,14; 8,28; 12,32s): trata-se do momento do retorno de Jesus ao Pai. Assim, todo o destino de Jesus é finalizado à ascensão: sua descida pela encarnação é já endereçada à subida: "Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e vou para o Pai" (Jo 16,28); "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem" (Jo 3,13). Deste modo, a ascensão é o cumprimento da encarnação e da redenção: o Ressuscitado já subiu ao céu, já foi entronizado à Direita do Pai, atraindo seus discípulos a esta comunhão divina (cf. Jo 14,20; 17,23). Jesus, entronizado junto ao Pai, e Senhor de tudo e pólo de atração de toda a história humana e de todo o universo!
4 - A ascensão no seu aspecto cósmico e sacerdotal. Para Paulo, a ascensão leva a cumprimento um caminho cósmico de Cristo, que do mais profundo dos abismos conduziu-o à Direita de Deus: "O que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, a fim de plenificar todas as coisas" (Ef 4,10). A partir de agora, tudo, no céu e na terra, está debaixo do senhorio do Ressuscitado e tudo caminha para ele. Ele é a plenitude e a consumação de todas as coisas! Na mesma linha move-se a 1Pd 3,22: "Tendo subido ao céu está à Direita de Deus, estando-lhe sujeitos os anjos, as Dominações e as Potestades". A Epístola aos Hebreus, por sua vez, compreende este ingresso de Cristo no céu como exercício do seu sumo sacerdócio no Santuário celeste (cf. 4,14; 6,19s): "Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus em nosso favor" (9,24). Isto é, Aquele que entrou na plenitude da glória é o nosso eterno Salvador e Intercessor. É a mesma idéia do Apocalipse, ao falar do Cordeiro de pé como que imolado (cf. 5,4), isto é, o Cristo ressuscitado e glorificado diante do Trono do Pai, num esterno estado de imolação-intercessão por toda a humanidade.
Concluindo, a ascensão é o retorno vitorioso de Cristo ao Pai: é o «dia no qual o Cristo vitorioso subiu ao Pai», sendo constituído Senhor dos homens e do universo. Esta partida, contudo, não significa distanciamento dos seus discípulos nem ausência de sua Igreja: ele não só está conosco até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20), mas também está «em nós» e nós «nele», para sempre (cf. Jo 14,20; 17,23). Em certo sentido, a subtração do seu ser junto a nós visivelmente é o que torna possível o seu ser «em nós» - e isto é a participação no seu Espírito (cf. Jo 16,7), de modo que a ascensão é premissa para o dom do Espírito: "É do vosso interesse que eu parta, pois se eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se eu for, enviá-lo-ei a vós" (Jo 16,7).







Fonte: costa_hs.blog.uol.com.br

terça-feira, 7 de junho de 2011

Diretor de Imprensa do Vaticano fala sobre viagem do Papa à Croácia

Na Croácia, onde o Papa Bento XVI lançou um apelo em defesa da vida, desde a concepção, e da família, fundada no matrimônio, “o Papa foi acolhido de modo extraordinário, seja pelas autoridades, como pela população. Bento XVI está muito grato por isso”. Foi o que disse o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, para quem “é muito bonita esta interação partícipe, um diálogo sério sobre temas que lhe são tão queridos”.

Em entrevista à Rádio Vaticano, padre Lombardi destacou como as personalidades do mundo acadêmico, que se encontraram com o Santo Padre no sábado, receberam bem a reflexão sobre a identificação entre a cultura cristã e a história croata. E afirmou estar “muito surpreso pelo fato que o encontro com os jovens na praça principal da capital tenha sido tão espontâneo, com palavras e cantos, mas também com a adoração silenciosa da Eucaristia”.

“O Papa ficou muito impressionado com o clima de oração e o silêncio; inclusive, quando deixou a praça, alguns jovens ainda estavam ajoelhados no chão, concentrados”, revelou.

“Zagreb é uma grande cidade secular; é difícil imaginar uma Adoração Eucarística no centro de sua praça mais movimentada. Daí pode-se ver que embora seja um país moderno, que vive os desafios da secularização como todos os outros países europeus, a profunda identidade cristã e católica é ainda sentida como muito real e concreta”.

Fonte: noticias.cancaonova.com

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